E se tivesse sido com o FC Porto?

Imbicto leitor,

Não tenho especial gosto em fazer uso abusivo dos rivais – a não ser o costumeiro… Não tenho, sequer, qualquer anti-corpo com o Sporting, equipa que, inclusivamente, colhe o meu respeito devido a inúmeras variáveis que passam pela forma de estar dos seus adeptos à política de clube que têm tido, nomeadamente em relação à cultura intrínseca na formação (independentemente do argumentário em relação à necessidade). Hoje, o que coloco em causa (sem falar em presidentes alucinados que qualquer um corre o risco de ter) é o tratamento comparativo e com isenção de acto em carta branca, numa divinização mister(iosa) incompreensível. Falo, pois, das implicações de ter Jorge Jesus como treinador.

Ontem foi dia de humilhação desportiva auto-infligida. Por culpa própria (e por desculpa própria também já dada), Jorge Jesus rodou o carrossel e resolveu meter o recém-nascido no “água-vai” do banho.

Nos quatro jogos do grupo da Liga Europa em que se insere, o Sporting perdeu metade, empatou um quarto e ganhou outro quarto. E ganhou contra o clube que ontem apresentou a factura. Um modesto penta-campeão de terra de cegos, ainda a sair das consequências mirabolantes de Hoxha.

Estrondosamente, levou três do Lokomotiv em casa. Numa espécie de revivalismo do apuramento para a Champions – aí sim, com uma equipa para ser levada a sério – voltou a levar uma tareia doutros russos, independentemente de ter jogado bem, ou mal, no jogo da fase de pré-eliminatória.

Mas isto nada tem que ver com o Sporting. Quer dizer, tem… Mas dilui-se na mentalidade minúscula de treinador pequenino divinizado por quem se sabe, hipnotizando a massa adepta de um clube que deveria levar-se a sério, tal como merece, com a equipa que tem, ter reais aspirações a ir longe na Liga Europa, já que não conseguiu entrar na Champions (por culpa própria, a avaliar pela mediocridade do jogo feito na Rússia contra o CSKA).

O objectivo de Jesus é claro. E com ele, está a direcção leonina, aparentemente, apostando as fichas todas nas provas internas – nomeadamente no campeonato. Porém, as humilhações públicas, as perdas de pontos preciosos para permitir que as nossas equipas continuem a ir em grande número lá fora (mais para ganhar dinheiro do que para competir), deveriam fazer reflectir a massa adepta de um clube que perdeu fé em si próprio, mas que, este ano; ou melhor, há pelo menos dois anos, tem razões para aspirar fazer mais e melhor, tal como se viu e provou no ano passado, com a superioridade técnica do comando de Marco Silva, sem as armas deste ano.

Chegamos ao ponto. Uma vez mais falarei em Lopetegui para contextualizar tudo.

A maior crítica feita ao treinador do FC Porto foi a sua excessiva rotatividade. Não comparável devido ao facto de ter sido feita no campeonato, a verdade é que não o fez na lógica de poupar-se e apostar tudo cá dentro, mas antes como estudo falhado de uma forma de seleccionar e de dar motivação, gerindo esforços e expectativas – do próprio treinador, ainda à procura do seu lugar.

cartoon

Tudo lhe foi chamado, como ilustra o “humor sem piada”, descrito e bem pelo Imbicto Miguel Lima, nessa crítica agora pertinente.

Ora, a ironia do personagem não poderia ter sido outra. Rodar, rodar e rodar, num espaço internacional onde o dinheiro serviria para pagar o seu ordenado bilionário. O estatuto merecido do Sporting com uma equipa à altura da Europa, mas cujo maestro sobrevalorizado insiste em “esbardalhar” coloca-se, assim, em causa, sem necessidade alguma, num exemplo que deveria ter no Braga de Domingos uma referência.

Imaginemos agora que, tal como tantos de vós desejais, apostássemos afincadamente e apenas no campeonato. Imaginemos que a Champions não é prioridade – seja por lógica competitiva, por receita, ou por estatuto; imaginemos que o “Lotopegui” entrava em acção na CL e apostava tudo no nosso futebol… Eu quero que me digais, com sinceridade, onde anda a vossa consciência e a razão da evidência.

Eu, tal como alguns que como eu pensam, temos sofrido críticas graves, dentro e fora do espaço público das caixas de comentários dos blogues. Estamos assim tão errados ao evidenciar números e factos? Isso faz de nós um FC Lopetegui?

Querem ser este Sporting? Faxabor! Tragam o “Jejum”, fiquem com o campeonato e, já agora, esqueçam outra meia-equipa nossa, que para além de nem ter cá posto os pés, ir-se-ía embora sem repensar, num estantinho, quando os grandes palcos são entregues às segundas escolhas – nessa forma tão estranha de gerir e estimular os grandes  que só cá Vêm parar por causa disso, num primeiro docinho para o “convencimento” de assinarem por nós.

E nem sequer vou falar nos média. Esses, não merecem a minha consideração nesta reflexão óbvia de consequência, só nossa.

Querem Jesus? Ele quer-nos! Fiquem com ele, enquanto em fico com a minha convicção e com a espera da evidência, até que a voz vos doa e vos traia. Por isso, perguntai a vós mesmos: E se tivesse sido com o FC Porto?

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “E se tivesse sido com o FC Porto?

  1. @ imBicto

    obrigado pela referência a uma ‘posta’ sobre os “pianers” do jornalixo desta vida.

    quanto à tua prosa, sabes bem que concordo com o seu teor. no entanto, reconheço que será difícil mudar mentalidades: o “Basco” não agrada a todos, provoca cisões, é muito mais fácil atirarem-lhe à cara os seus defeitos e os maus resultados do que louvarem-lhe os seus méritos, que também os tem.
    e o que se passa na bluegosfera, no Presente, é disso exemplo.

    abr@ço
    Miguel | Tomo III

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