Velho Estado Novo

Imbicto leitor,

Chega!

Interrompo este meu silêncio numa revolta indescritível através da expressão da letra do pensamento. E não sei, francamente, com que vogais ou consoantes hei-de ordenar uma frase; uma palavra, sequer, que espelhe aquilo que sinto como portista e, acima de tudo, como adepto de futebol e como consumidor. Sim, consumidor e peça fundamental do gestaltismo que faz girar a roda dentada desta máquina chamada vida.

Há duas dimensões: a do clube e a do mercado. A do clube, compõe-se de profissionais que, todos os dias, tecem estratégias, gastam fundos, reajustam linhas de actuação, contratualizam parcerias em troca de resultados. Clubes esses com mais, ou menos história; com mais, ou menos objectivos cumpridos. Já a do mercado, determinará todo o anterior: existe um conjunto agregado de indivíduos com um interesse definido como nicho e como apêndice duma lógica generalista. E esses indivíduos são cada um de nós e tomam decisões – escolhem, ponderam, informam-se e resolvem consumir em função de uma simples dimensão: a da expectativa e a da oportunidade e respectivo custo.

Depois de tanto latim (vulgo, palha) gasto moldado na contemporaneidade, a Dragões Diário lança este parágrafo, hoje, esclarecedor e resumido:

“É tempo de de gritar basta, de desmascarar todo este polvo que criou um monstro em que árbitros sem experiência, sem provas dadas, são transformados em internacionais proveta. O FC Porto vai lutar todos os dias e os dias todos que forem preciso para acabar com estas situações. Esse é o compromisso que manteremos sempre com os sócios e adeptos.” in Dragões Diário

Eu pergunto:

  • O que é que a instituição FC Porto tem feito para concretizar estas profissões de fé continuadas, para lá das exposições ridicularizadas e do trocadilho presidencial?
  • Se o Francisco J. Marques tiver um filho (parabéns por não me permitir saber publicamente aquilo que alguns fazem questão em escarrapachar pelas piores razões [!]) e se o seu filho passar a vida a insultá-lo e a gozá-lo na rua, ou numa daquelas festas privadas com amigos vai continuar a dizer: “Não, não, filho! Assim não pode ser! Chega!”?
  • Se um clube com o alcance mediático do FC Porto consegue chegar aos meios de CS estrangeiros com relativa facilidade por razões óbvias, por que raio não recorre legitimamente a esse meio para expor com provas factuais aquilo que tem sido o futebol nacional dos últimos anos?
  • Se existem instituições de supervisão futebolística a nível europeu e mundial, por que raio não existe uma exposição formal que não se fique pelo protestozinho nacional?
  • Que atitude esperam dos vossos profissionais do futebol quando, jogo após jogo acontece o mesmo?
  • O que pensará um adepto como eu, que paga para ver um jogo; que paga para comprar merchandising, que paga quotas, que gasta massas em combustível, que paga assinatura de TV para ver o seu clube e que abdica, num processo de decisão pouco racional de duas horas da sua vida para ver, uma vez mais, o seu clube ser deliberadamente prejudicado sem que nada se procure fazer para lá do tradicional sacudir das moscas?
  • Onde pensa a instituição FC Porto estar daqui a três anos, a manter-se o establishment?
  • O que vale mais: um clube, o futebol, ou um homem e aqueles que o “pau-mandadeiam”?

Estou cansado. Farto. Fodido. Desolado. Incompreendido. Isto é nada e o nada paga-se caro. Destrói-se um projecto, uma linha de reformulação. Destrói-se a crença de que as gentes do Norte são diferentes; de que há portismo, mística – chavão intangível, perene, imortal. E no entretanto, estamos felizes enquanto nos comem. A frio, sem dó, em frente a todos nesse Circo Máximo a bola donde alguém do alto resolveu virar o polegar na direcção do abismo. Tudo como nos tempos da “nova-velha senhora”: a democracia – essa puta começada por minúscula. Essa puta que me fez perder mais duas horas de vida, mais uns euros, mais uma esperança de que a Justiça e a Igualdade é condição natural do homem de Rousseau. Ehehe Parvos!

E com isto me vou, ainda no alento que voltou a esconder que Nuno fez merda outra vez e de que quando faz merda é quando a democracia resolve meter férias grandes… Nesse exagero que de tão exagerado das 19 perde credulidade – assim como pouco crédulo será a estatística das 5 inventadas pelos ratos desportivamente verdadeiros.

É este o estado de coisas; é este o Velho Estado Novo à espera que alguém caia da cadeira e que quem o segue caia podre com o regime; uma vez mais, triunfal sobre o carneirismo que do Norte, nunca pensei que fosse igual ao nacional. Depois de tudo isto, começa a deixar de me apetecer consumir… Mas nunca deixarei de acreditar e de apoiar. Afinal de contas, só se perderão umas massas, certo…?

Imbicto abraço

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3 thoughts on “Velho Estado Novo

  1. O FC Porto vai lutar todos os dias e os dias todos que forem preciso para acabar com estas situações.

    Pergunto eu: desde que altura se começou a lutar? De que forma se está a lutar? Por que meios se pretende continuar a luta?

    Parabéns pelo post.

    Abraço

    Gostar

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