Rescaldo | FC Porto 1 vs 1 AS Roma

Imbicto leitor,

Confesso que estava à espera de pior. Falo, pois, do resultado; não da exibição. E até podemos ir mais longe… Foi bem bom depois de voltarmos a desaproveitar recursos que temos pendurados entre a B e a tendência “ostracizadora” de NES. Receio bem que Nuno possa vir a perder o balneário ainda antes de estarmos em piloto-automático, a manter-se a constatação destes sinais extremamente preocupantes. Espero que não. E nada disto tem que ver com Rúben Neves (já lá vamos)…

Começaria por aqui mesmo: por NES. Ontem, numa troca de palavras com o Jorge Vassalo, do Porto Universal, chegámos à conclusão de que “por muito menos assobiaram outros”. E com outros, entenda-se, referimo-nos a Lopetegui – fieis defensores de uma constante e injusta culpabilização do “basco”. Com NES, tudo é diferente. Parece que basta um vínculo de sangue para desculpar tudo – como aqueles pais merdosos que defendem o incompetente do filho, perpetuando essa mesma incompetência até que tudo se perca na inevitabilidade circunstancial..

Não acho que NES seja incompetente. Acho, sim, que é limitadamente competente para uma competição como a nossa, onde, aí sim, poderá fazer flores com as parcas espécies que tem – se não os colocar a todos na B…

Esta é uma reflexão que faço depois de um início de jogo inexplicável, de um banco e de convocados não menos inexplicáveis, com substituições inexplicáveis e num optimismo bacoco “abenfiquizado” inexplicável dos adeptos – de quem ainda não percebeu que a AS Roma estava a jogar com menos um durante metade da partida.

Enquanto o jogo esteve 11 vs 11, colocando a cegueira que nos faz amar o Porto de lado, fomos completamente comidos. Aos 20´ não estávamos a levar três porque tivemos a sorte que Felipe não teve, numa mistura de tosquice típica de quem acabou de chegar, mas que não define o jogador. O pseudo 4-4-2, ou 4-4-1-1, ou sei lá o que era aquilo, onde Danilo andava a deambular por todo o lado, menos onde devia estar, deixou-me perplexo, sem que a crítica recaia sobre Adrián López, obviamente, utilizado para o estranho efeito, mas perfeitamente correspondido. Experimentar uma táctica nova em competição (esqueçam os treinos) contra uma equipa como a AS Roma é suicida. Quase o foi…

Não é justo avaliar o FC Porto pelo jogo de ontem, assim como não será justo avaliar a AS Roma. No entanto, obviedades saltaram à vista, nomeadamente na tremenda qualidade e entrosamento dos sectores médio e ofensivo e numa gritante falta de correspondência no seu sector defensivo. Esta equipa italiana tem falhas graves e claras na sua defesa, entendendo o contexto da igualdade numérica; não do autocarro que, naturalmente, teriam de colocar à frente da sua baliza.

Fiquei com a ideia de que o verdadeiro FC Porto teve vinte minutos de jogo, entre o golo romano e a expulsão. Aí, houve equilíbrio, de facto. Sempre em busca do resultado; nunca por iniciativa própria, antes disso.

A desconcentração e o nervosismo toldaram os primeiros vinte minutos. Agravando isso, aquela miscelânea táctica, onde Danilo e Herrera se destacaram pela negativa. O mexicano parece jogar a 10 à hora. Muita lentidão de processos e muito risco no passe, sem fôlego para acompanhar marcações, ou progredir de forma distintiva no terreno. Já Danilo transfigurou-se, não sem antes andar completamente perdido, em locais onde jamais o imaginaria ver, como nas alas, ou a subir perigosamente no terreno enquanto o lento Herrera “compensava”.

André André parece estar estranho nesta equipa. Não jogou mal, mas também não deslumbrou. Certo é que, após a sua saída, tudo piorou.

No final, fica na memória o desespero e a desilusão de Rúben Neves. Não entendo que raio de caso querem encontrar, aqui. De um lado, temos NES, um treinador que, bem, ou mal, tem o poder de decidir. Numa súbita mudança táctica e substituição da Roma, decidiu voltar atrás com o seu plano, fazendo entrar Evandro. Tudo normal. O que não é normal, é ver lágrimas de desespero e de raiva pela camisola, pelo FC Porto. O que não é normal é um jogador menino já capitão reagir assim. Mas é menino. E, por alguma razão, a lágrima deixa entender bem o que dele faz capitão…

Termino desiludido. Por entre um árbitro com um estilo enjoado e a incompetência dos verbos de encher que estão nas linhas de fundo, sobra um sentimento de injustiça. Fizemos por merecer a vitória. Contra 10, mas fizémo-lo.

Agora, SAD e NES, continuem com a vossa cegueira e intransigência. Pois se tu, Nuno, podes não ter culpa daquilo que te dão, és culpado daquilo que com o que tens fazes. Quanto à SAD, faltam já palavras para caracterizar tanta falta de aparente competência, comprometendo uma eliminatória que, francamente e a avaliar pelos vinte minutos “do meio”, deixariam ambicionar com toda a pertinência por algo mais. E assim, se perpetua o estado de coisas.

É fazer fé nos que cá estão. E os que estão, podem garantir, num conjunto jeitoso de circunstâncias, a passagem à Champions.

Imbicto abraço!

 

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6 thoughts on “Rescaldo | FC Porto 1 vs 1 AS Roma

    1. Imbicto Jorge,

      Pinheiro é o outro, cuja competência de cima não permitiu inscrever como alternativa a coisa alguma… O AL é jogador. Dos bons. Mas com tanto cheiro a queimado, não sei se vai aguentar. E foi ele, ontem, uma das principais figuras do FC Porto.

      Imbicto abraço!

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  1. Caríssimo Imbicto!
    Antes de mais quero frisar que gostei muito do teu post… Com algumas poucas ressalvas a citar:
    a) NES tem como referes as suas limitações…
    b) André André não sabe jogar mal mas está sem velocidade para actua na Champions League. teve perdas de bola a meio campo muito comprometedoras.
    c) O Adrián López é pouco produtivo, falta-lhe, por exemplo, grande parte da agressividade do puto André Silva. Este sim, mesmo com ainda alguma falta de experiência, tem fibra, raça para dar e vender. Suspeito que NES ao colocar a jogar o AL pretenda salvar a face do amigo Jorge Mendes, que vendeu o jogador como sendo um FERRARI, o tal que ficou na garagem segundo PC.
    d) Não concordo e estou irritado com a dispensa do Aboubakar. Nas primeiras épocas que jogou na equipa chegou a ser apontado como o Abombakar. Na minha opinião NES não soube ou não quis motivar o jogador. Aboubakar com outro técnico vai fazer furor…
    e) Outro caso a dispensa de Josue …! E mais haveria para qustionar…
    f) NES vai ter de provar muita coisa para eu passar a acreditar nele…

    Abraço
    Armando Monteiro
    https://dragaoatentoiii.wordpress.com/

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  2. Caro Imbicto!
    Off the topic
    Como é que o meu bom amigo vê o caso do Rafa Silva, com o Luís Filipe Vieira a passar a perna a Pinto da Costa…?!
    Longe vão os tempos em que Pinto da Costa se antecipava a Vieira como no caso Falcao…!
    Dado que o FC Porto está a disputar o play-off da Liga dos Campeões e precisa dos milhões da Champions para equilibrar as contas do Clube, não seria mais conveniente fazer um esforço financeiro e contratar o talentoso Rafa Silva, um jogador rápido, felino e bom de bola…? Mas mais, impediria o Benfica de se reforçar. Actualmente, com bastante pena minha, vejo muita falta de agressividade/acutilância/objectividade nos dirigentes do FC Porto.

    Abraço,
    Armando Monteiro
    https://dragaoatentoiii.wordpress.com/

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