Jesus, causas e consequências

Imbicto leitor,

Alguns de nós, com mais ou menos surpresa, foram assaltados na atenção por uma súbita “mudança” de par ao intervalo da gala. Ainda que sem grandes confirmações oficiais a esta hora, a unanimidade na imprensa desportiva e generalista não deixa grandes dúvidas de que o “swing” técnico ao qual se junta uma “chicotada” dada no traseiro aparentemente injustiçado de Marco Silva (que muito aprecio como treinador, mas pouco como pessoa, depois de ter festejado como festejou o golo do Estoril contra nós, em raiva, nos tempos de Fonseca), será uma realidade efectiva.

jesus sporting

Capa do Jornal O Jogo, 04.06.2015

Jorge Jesus rumará a Alvalade por três anos (a ver vamos…), enquanto que Rui Vitória regressará à casa que já o viu como treinador das camadas jovens por alturas do FC Porto campeão europeu 2004.

Há uma certa graça nestas coisas… Subitamente, parece existir um método estranho de reposição do adequado naquilo que concerne às opções clubísticas dos treinadores que fizeram prevalecer o seu profissionalismo sobre a emoção de puto (por muito que não parecesse).

Agora, tempo de confissões: estou ansioso para ver recomeçar o campeonato. Ai se estou… E estou por razões óbvias. O #colinho misturado com presumíveis viciações de resultados, conseguiu esconder evidências por demais incontestáveis e que poderão ser lidas neste post directo do Jorge Vassalo, no Porto Universal. Um treinador que conhece mais vezes o sabor do fracasso do que o do sucesso e que se viu montado em suspensão e levado ao #colinho da comunicação social, do peso do benfas sobre a sociedade portuguesa e de árbitros pouco interessados em punir os seus excessos – para dizer com alguma contenção – dentro e fora das quatro linhas e que nada provou fora de portas, a não ser que é tão mais treinador quanto a qualidade insustentável da equipa que o faz brilhar, não é grande espingarda. Mas tem mérito, Jesus. Teve o mérito de dar ao benfas coisas que nem o sucesso desportivo consegue trazer em tempos de crise: valorização de activos através de um aproveitamento maior do que o esperado de determinadas peças. Ainda assim, longe, muito longe de qualquer fama que o precedeu até hoje, momento em que decidiu deixar o clube rubro no momento-chave e pela porta grande (à dimensão nacional, claro… mas isso parece chegar).

Adivinha-se tempo difícil. Para Jesus, para o clube mais maior bom e para o Sporting.

Para Jesus, porque deixará de sentir sobre si um “manto protector” que, de facto, é o dos adeptos. Ou melhor, do peso dos adeptos no processamento das variáveis económicas que determinam o mercado e que fazem com que um jornal seja mais ou menos vendido; que um canal seja mais ou menos visto; que um politicozeco oco tenha mais ou menos votos. Pior, sem equipas mais incomportáveis do que o sonho de regressar aos anos 60 do séc. passado, em que se ganhavam taças europeias com a sorte de um qualquer sorteio e com a falta de competitividade de um mundo a recuperar economicamente do pós-guerra, onde as ditaduras da velha europa faziam das equipas protegidas um estandarte.

Para o mais melhor bom também não será fácil. É incontestável a qualidade de Rui Vitória, até ver. Tem feito pequenos-grandes milagres com uma equipa de estatuto económico e processo de renovação semelhantes aos do seu futuro clube, mas numa dimensão completamente diferente. Mais pressão, maiores ambições e maiores egos. Maiores expectativas e o factor: “ter a perder algo”, coisa que, em Guimarães, não era o mais importante. Agora é tempo de rejuvenescer o plantel depois de uma sangria na formação que rendeu milhões estranhos e mal explicados, em negócios com os clubes de sempre, em relações que me fazem lembrar mais as de amigo do que as de negociador – tão na moda, nos dias de hoje… E aqui, Jesus e Vieira adiaram o inevitável. Os fundos mudaram de estatuto (Sim, porque ninguém é santinho para acreditar nisso, pois não? E se forem, perguntem ao Bruninho como é que fez para trazer Jesus…), os jovens da academia iam sendo relegados para um papel descartável que nem secundário era. Os patrocínios e os financiamentos fugiam à medida que a PT e o Grupo Espírito Santo, numa espécie de saco roto que os mais atentos adivinhavam, definhavam. E pior ainda, o novo patrocinador que parece ter mais peso pelo nome do que propriamente pelas massas que entram, não deixará a mínima margem de manobra para vergonhas europeias na principal competição, a Liga dos Campeões. E todos sabemos como é muito bonito ter coisas giras escritas nas camisolas até um dia: o dia da cobrança

Já o Sporting está num outro pote. A meio de um processo de recuperação financeira e depois dos escândalos motivados por dinheiros depositados em contas de árbitros e vigilâncias desmedidas (quanto não vale ter a imprensa a querer descolar o exercício das funções do sujeito…) precisa de mais títulos como de pão para a boca. E exemplo disso é a forma orgásmica com que se celebrou a meritória (perdoem-me o desabafo, mas o meu desamor com o Conceição e o desapego dos jogadores do Braga no jogo obriga a dizer estas coisas…) conquista da Taça de Portugal, segunda competição nacional, por muito que os “pravdas” deste país (créditos ao Miguel Lima) prefiram beber cerveja e inebriar-se com a ilusão da superficialidade das conquistas secundárias que querem fazer valer como de primeira água – perdáo, cerveja!

A não esquecer ainda a forma travestida com que o narcisista Bruno de Carvalho encara o recurso a dinheiros vindos de paragens africanas, depois do amor passado pelas paragens russas. Veremos como servirá a desculpa conveniente na possibilidade de não ser ultrapassada a pré-eliminatória da Champions e a sorte de estar na super competitiva e sevilhana Liga Europa.

É aqui que chegam as expectativas de Jesus. Na hipotética e fracassada presença na “pré”-Champions, a Liga Europa volta a ser o objectivo de um clube que terá hipóteses reais de ir longe – a manter o actual plantel, com algumas melhorias. Há uma certa estabilidade que poderá ser dada pela actual situação financeira estagnada e apoiada nos “fundos” africanos, pelo menos até o processo da Doyen desenvolver as consequências do negócio Rojo. As desculpas são convenientes e o super e catedrático da táctica terá aqui o mote para prender as expectativas à sua competência, em resoluções de contrato que derivarão em chorudas indemnizações, ou na falta de competitividade da equipa. Falta apenas saber como serão os primeiros seis meses de r(a)lação entre Bruno e Jorge, em episódios que só o Herman José dos bons velhos tempos poderia imaginar num ´sketch´.

E o futuro de Jesus?

Depois de cumprir a promessa feita ao pai (sempre um acto nobre, independentemente de tudo o resto), acredito que a cabeça do homem que só estava à altura de um “Real” ou de um “Cite” estará com um único e permanente objectivo: treinar o FC Porto. E assim se manterá na sua margem de conforto, num Portugal pouco competitivo, onde na cabeça do próprio talvez apenas isso chegue para manter o estatuto de apenas ir à LdC sem lá fazer seja o que for.

Preparem-se os mais inesperados e não “estranhassem” aqueles que, numa pior época de Lopetegui, viriam a ver Jesus no FC Porto. O Sporting pode ser uma espécie de filtro de passagem para um real objectivo de duas partes num futuro a curto prazo, assim tudo corra mal a Lopetegui (noc noc noc) e até ao próprio Jesus. Portanto, acredito que toda esta confusão e aparente incoerência tem apenas uma meta: o FC Porto.

Termino, relevando o sempre pertinente “serviço de referência“, bem como o despeito dos arcanjos da vida real relativos a clubes que são o espelho da “saciedade” portuguesa…

Imbicto abraço!


Imagem de Capa: http://www.seleccaonacional.net/wp-content/uploads/2014/06/jorge-jesus.jpg

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4 thoughts on “Jesus, causas e consequências

  1. Boa tarde….

    Nunca comentei neste blog mas varias vezes o li….

    Em primeiro lugar parabéns pelo post….

    Em segundo mas não menos importo quero pedir desculpas pelo seguinte:

    Antes de ler o seu post escrevi um comentário no portista universal, que tem bastantes semelhanças com o seu post…Quero pedir desculpa se parecer que as opiniões foram “roubadas”…Mas não… simplesmente por acaso neste aspecto temos a mesma opinião…

    Mas mesmo tendo em conta estes dados as minhas desculpas…

    Cumprimentos e continuação de um bom dia

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    1. Imbicto André,

      Antes de mais, o meu obrigado pelas leituras que por cá faz e pelo comentário!
      Não há desculpas a pedir! É bom sinal que haja opiniões semelhantes. Mostra que existe sintonia em relação a alguns assuntos, coisa que já aconteceu por várias vezes por entre os bloggers da Bluegosfera. Para além disso, mais do que qualquer outra pessoa, sei o que sente de cada vez que escreve algo que se assemelha a conteúdos publicados por outros – daí ter mudado bastante a forma de comunicar deste espaço, deixando os poemas para uma escrita menos frequente, tudo devido a um possível mal-entendido que pudesse vir a ocorrer por desconhecer o trabalho poético do Joker, um outro blogger portista, no momento em que criei o Imbicto Poema.

      Imbicto abraço!

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