Amadorismo Remunerado

Imbicto leitor,

Há uma música gira que começa assim:

Pinheirinho, pinheirinho
De ramos verdinhos
P’ra enfeitar, p’ra enfeitar
Bolas, bonequinhos. 

E como Natal é quando um homem quiser, nada mais belo do que arranjar um pinheirinho para enfeitar essa ocasião que, alguns dirigentes, julgam existir todos os dias. Um pinheiro chamado Depoitre e que veio enfeitar uma equipa que, aparentemente, não precisa nem parece ensaiar precisar das suas características para coisa alguma.

Hoje, a DD remeteu-se ao ridículo das exposições a que nos tem habituado em alturas de aperto, ou em momentos em que a dúvida paira no ar. Fecham-se em copas, ou pensam bem durante dois ou três dias sobre o que dizer para, depois, abrirem a boca com um estrondo completamente desfasado – quase como quem vê uma explosão ao longe e escuta o som uma eternidade após a mesma.

Seria, portanto, de esperar que a DD, aparente órgão oficial do FC Porto que PdC não lê, sobre um jogador que não conhece, dissesse algo sobre um reforço recém-adquirido por pedido expresso de Nuno Espírito Santo e que cabe que nem ginjas nas experiências (não) feitas nesta pré-época, ou então sobre a problemática da mala – do “jogo da mala” que não o da Renascença – a que o Jorge Vassalo, no seu Porto Universal, faz reparo. Não. Nada disso. Efectivamente, o “pinheiro” foi tema para dizer o seguinte:

“Sabia que Laurent Depoitre, o mais recente reforço do FC Porto, só há três anos se tornou futebolista profissional?”

Uau! “Boa, Mike! Fantástico, Melga!” E esta, ein?

Mas, esperem lá… Ia jurar que tinha lido isto, n´O Jogo:

Experiências

“Experiência e golos a caminho do Dragão”??? Efectivamente, cheira-me a experiência, mas não no sentido conotativo… Cheira-me a experiência com um jogador que nem o presidente conhece, mas por quem dá, segundo se diz, entre 6 e 12 milhões de euros (dependendo da fionte nacional, ou belga, por desmentir) e com o teste à paciência dos adeptos e associados do FC Porto depois de mais uma para mais tarde recordar.

Escasseiam já, as palavras, para descrever o estado de coisas. O desnorte é de tal ordem que, desta vez, resolveram precaver-se com a inscrição de um  ponta-de-lança na Champions – o tal 9 que estava guardado para o concorrente de André Silva que, eventualmente, se estiver lesionado para os jogos com a Roma, ou se alguém bater a cláusula de rescisão anedótica de 25 milhões, passa a ter Depoitre como segunda via “inviável”, já que Àboubakar quer ir para França, na onda de regresso dos emigrantes, não merecendo Gonçalo Paciência a mínima consideração para, sequer, ter uma oportunidade. Depois ainda de, aparentemente e com toda a pertinência, recusar-se pagar os olhos da cara por avançados – passe, ou remuneração exigida – de renome.

A verdade é só uma: acabámos de gastar (ou assumir o encargo) num indivíduo que até pode ser uma jóia de moço, mas que nem eu, nem o presidente, nem ninguém conhece de lado algum – a não ser o empresário que percebe da poda e que nos dá há anos garantias de qualidade como é o caso de Defour, por exemplo…

Dias de comédia, estes. Este aparente amadorismo remunerado ultrapassa tudo aquilo que seria imaginável num clube como o FC Porto e, ainda por cima, mantendo alguns dos rostos em quem se depositou a esperança de (re)fazer aquilo que se julgara, por filosofia, natural e não esquecido e que constitui a antítese dos actos hoje em dia de impossível crença.

Amigo Depoitre, perdoa-me! És quem menos culpa tem no meio disto tudo, mas, cá por baixo, andamos fartinhos desta gente toda que recebe milhões de euros ao final de cada ano para não trazer gajos como tu  que não podem jogar e substituir quem e quando é necessário e ainda para saber o que se passa à sua volta, liderando. E, até lá, a única coisa que farão será voltarem à carga sobre quem os critica e não sobre quem anda a gozar com o clube, impunemente, por entre jogos de bastidores, jogos da mala, almoços e jantares “grátis”, vouchers, camisolas do “rei”, infiltrados em hotéis, motoristas do pó e escutas misteriosamente desaparecidas.

Resta-me perguntar: Qual será a última gota? E para quando? Parafraseando um indivíduo das simpatias políticas do nosso presidente: “O povo é sereno, não tem perigo!” – também aqui, a imagem não bate certo com o estrondo que se faz sentir e ouvir ao fundo…

Imbicto abraço!

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7 thoughts on “Amadorismo Remunerado

  1. É um bocado complicado agradar a massa adepta também. Por um lado ouve-se vozes a reclamar a oportunidade para André Silva ser o grande ponta de lança do clube. Porque é português, portista e formado no clube. Por outro lado os adeptos queriam um ponta de lança que fosse garantia de golos marcados, tipo um Falcão. Sol na eira e chuva no nabal é que era.
    De fato, a situação com o Depoitre podia ter sido prevista antecipadamente. É uma regra que não faz sentido nenhum. O Depoitre jogou para o playoff da liga europa, e o porto joga para a liga dos campeões… Isto é algo que penso que devia ser revisto pela UEFA. Não estou à espera que este jogador seja um Jackson Martinez, mas nunca o vi jogar nem nunca tinha ouvido falar dele. Tal como nunca tinha ouvido falar do Hulk.

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    1. Imbicto Tiago,

      Há duas discussões paralelas: a da bipolaridade parva dos adeptos e a da contratação efectiva deste jogador em específico.
      Sim, André ou Gonçalo merecem a confiança sob forma de aposta. Não, não é suficiente, ou justo, sequer, que sobre duas criaturas sem experiência recaia o peso da cruz de um clube como o FC Porto – especialmente quando nos tempos que correm, a direcção nem “sabe de nada”, nem defende ninguém que não seja o seu eu.

      Resumindo, Depoitre até pode vir a dar grande jogador, mas ninguém esquecerá a forma inqualificável com que alguém é contratado, à última da hora e, supostamente, para ser alternativa imediata num sistema de jogo que desconheço.
      O jogador é, para não variar, quem menos culpa tem.

      Imbicto abraço!

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  2. Caríssimo Imbicto

    Por causa das dúvidas, Pinto da Costa já foi sacudindo a água do capote ao afirmar que Depoitre
    foi um pedido de NES. Quanto ao resto, até pode ser que venha a ser útil, dada a capacidade física dele e possa criar ressaltos que os jogadores mais artistas possam aproveitar. Aliás o homem já foi dizendo que dá muita luta (cansa os) aos defesas contrários. Tenho esperança que Depoitre possa ser de certa maneira uma espécie do irlandês Walsh, o qual no seu tempo foi bastante útil pelo seu poder físico e não só.
    Como dizia o saudoso Artur Baeta: o futebol é 90% transpiração e 10% de inspiração.
    O melhor é aguardarmos pois brevemente vamos ter possibilidades de avaliarmos.

    Abraço
    Armando Monteiro
    https://dragaoatentoiii.wordpress.com/

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