Aceitemos a circunstância

Imbicto leitor,

Estamos numa fase essencial da época. A definição do plantel, o doseamento de expectativas e o equilíbrio das contas estará todo num mesmo bolo com diversas fatias. E é precisamente por aqui que devemos começar…

Nós, como adeptos do FC Porto, habituámo-nos a fazer de indivíduos relativamente desconhecidos grandes jogadores preparados para qualquer desafio em qualquer clube ou competição. Habituámo-nos ainda a formar peças fundamentais, nomeadamente na defesa, vindos da formação, de modo a injectar o espírito de grupo e de liderança com os nossos valores. Uma certa deriva que importa secundarizar, neste momento, levou-nos por caminhos desvirtuado – ora por pressão de um mercado que nós próprios forjámos em especulação, ora por negócios de sentido inexistente, para muitas das nossas cabeças. O resultado está aí e convém que se aperte o olho àquilo que se vai fazendo, de nada valendo se, no momento apropriado, continuarem a criticar com voto na mesma lista.

Hoje, o FC Porto terá, necessariamente de resignar-se a uma condição na qual cresceu para o mundo do sucesso futebolístico: fazendo muito com pouco, mesmo tendo em conta a maior competitividade e a diferente relação: mercado-jogador. E enquanto os nossos rivais vão comprando, ou lançando nomes de primeira água como se fossem lebres para as capas e abafando os milhões que dão pelos seus suplentes, agravando a folha salarial de maneira irremediável e de gravíssima consequência daqui a um/ dois anos, outros gerem os seus activos como se ainda estivéssemos na Revolução Industrial, cativando jogadores de forma coerciva, sem saberem gerir expectativas dos próprios que, com todo o direito, sonham mais alto se assim lhe for permitido por seu mérito.

O FC Porto não é mais posição de força, quer em termos desportivos, quer em termos negociais. Isso tem sido visto no mercado interno e externo. Perdermos potenciais reforços para o nosso maior rival fará o mesmo sentido de quando fazíamos o contrário em relação a eles. São eles o pólo, neste momento. E se não tivermos a humildade de efectivar estratégias de reestruturação para lá daquela que Sporting e Benfica aparentemente fizeram, teremos a garantia de um amanhã de sucesso, ainda que com caminho de pedras como se fosse uma estrada romana. Porém, os escalões jovens nacionais provam já isso. Portanto, é aproveitar e não tornarmos a nossa cabeça pesada por vir o nome A ou B. O que importa, hoje, é equilibrar sob pena de, se não o fizermos, entrarmos numa espiral irreversível.

Rafas, milhões, glórias passadas com salários bíblicos… Esqueçam isso. Nem eles o valem, nem a nossa memória futura no-lo perdoaria. E se for para assobiar, então que o façam: nas urnas, em casa, ou no café. Pois o Dragão não é o vosso poiso.

Imbicto abraço!

 

P.S.: Deixarei os meus considerandos sobre os reforços para o próximo artigo, relacionada que está, esta questão, com o mercado.

Advertisements

3 thoughts on “Aceitemos a circunstância

  1. Dou como pertinentes as suas observações… do Caro Imbicto
    No meu entender e resumindo os dirigentes do FC Porto começaram a andar mal, a facilitar, ou seja, a tomar decisões erradas, a partir do momento em que começaram a contratar treinadores de qualidade duvidosa, e passo a citar: Paulo Fonseca, Lopetegui e Peseiro. É verdade que existia em muitos sectores a crença, na minha opinião erradíssima, de que qualquer técnico servia, porque o importante era a estrutura e Pinto da Costa. Só que se esqueceram do seguinte:
    a) Pinto da Costa está em declínio ou a perder influencia no mundo ligado ao futebol.
    b) A Imprensa alfacinha (Lisboa) sempre foi, mas actualmente é muito poderosa e cada vez mais decisiva a influenciar, para beneficiar os dois clubes grandes da segunda circular.
    c) Os rivais evoluíram, Sporting (treinador), mas principalmente o Benfica reforçaram-se relativamente a jogadores e aumentaram a sua influencia nas estruturas do poder do futebol: FPF, Conselho de Disciplina e Presidência do Conselho de Arbitragem.
    Assim sendo, com armas tão desiguais, tornou-se muito difícil para o FC Porto competir/lutar na situação actual com os seus rivais da Capital.
    E como acima menciono, ainda por cima, os responsáveis do FC Porto têm falhado rotundamente nas decisões que têm tomado…
    Como a conquista de títulos é fundamental para a evolução do Clube Azule e Branco, não os conquistando o FC Porto perde: relevância, importância, notabilidade; factores que acabam por se reflectir até nas contas do Clube (aquisições e vendas de jogadores).

    Abraço
    Armando Monteiro
    https://dragaoatentoiii.wordpress.com/

    Gostar

  2. O Monteiro já disse tudo.
    Acresce que os perdões, empréstimos bancários a fundo perdido, com a bênção dos politicos, só mesmo na capital e o fisco funciona como o controle anti doping, só para alguns.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s