Indi não pode sair

Imbicto leitor,

Ontem foi um dia curioso…

O FC Porto teve mais um jogo de preparação para o qual havia um docinho: um troféu. E assim será com o próximo, no sábado, numa competição para a qual até os golos marcados contam como pontos. Já se está a ver o filme, p´tanto, mas isso não interessa nada; pelo menos agora.

Curiosamente, ontem foi também o dia em que Lopetegui foi anunciado como o próximo treinado da “Roja”. Como poderão imaginar, estou contente por esse “basco” que bate recordes, mas que não vale nada e que é e foi a culpa de todos os males do FC Porto para o presidente (pelo menos de boca) e para mais alguns iluminados que continuam sem entender que ali está um treinador acima da média obrigado a sair pelo desgaste. Mas foi cunha, segundo dirão alguns. Enfim… Desejo-lhe o melhor, até pela elegância com que falou do FC Porto e do seu presidente, para se valorizar, mesmo depois de tudo o que se passou.

Quase em memória do antigo treinador do FC Porto, ontem, contra o PSV, o FC Porto jogou um pouco à imagem daquele supra referido e menos à imagem de NES. Circulação constante, posicionamento alto no terreno, posse – muita posse -, tentativa de construção a partir de linhas próximas para evitar descompensação no contra-ataque. E, pois claro, a finalização – ou a falta dela.

Houve, no entanto, pedaços largos do jogo que não corresponderam, de forma alguma ao resultado – independentemente do vazio do seu sentido, por esta altura. E quando se fala em “Alarme“, n´O Jogo, confesso que não entendo. E digo isto porque há entrosamentos a desenvolver, reforços a chegar, gente a partir e uma ideia que me parece mais consolidada e evoluída em relação ao último jogo, contra o Osnabruck – duas divisões abaixo do adversário de ontem, mesmo que num país diferente. E, pois claro, há ainda um sistema a testar, nomeadamente quando Bueno estiver a 100%: o 4-4-2. Estas diferenças estiveram, essencialmente, na proximidade de linhas. Linhas muito juntas, muito subidas, tanto em zona defensiva quanto ofensiva. O FC Porto não deixava jogar, ora por pressão intensa à frente, ora porque as linhas se posicionavam muito bem relativamente ao adversário, condicionando espaços de distribuição e obrigando ao passe longo e ao erro – até porque estávamos perante outra equipa habituada a ter a posse do esférico. A recuperação de bola era quase imediata em muitos lances de preparação do ataque holandês. E antes que se fale do tal avançado, continuo convicto de que o problema não está tanto aí, embora seja um “mal” necessário, mas em fazer a bola chegar em condições ao mesmo. Embora houvesse variadas incursões pelo centro – nomeadamente dos laterais, de fora para dentro (Maximilliano e Layún estarão nas suas sete quintas…), quem lá estava pouco fazia jogar a partir dali, a não ser tabelar e pressionar alto. E chegou-se, inclusivamente, a assistir a lances quase surreais em que numa posição de contra-ataque em superioridadee  igualdade numérica, o médio com a bola parava a incursão para esperar que a equipa subisse junta.

A equipa está, de forma óbvia, a ser construída de trás para a frente – tal como deve ser. No entanto, aqui chagamos ao maior problema: a lateral-esquerda.

Alex Telles é craque. Mas ser craque, numa posição daquelas, só se vai notar contra os Paços, os Tondelas e os Boavistas. Uma vez mais, tal como Layún e até Alex Sandro que aprendeu a defender no último ano que cá esteve, voltamos a ter um problema sério com as competências dos laterais-esquerdos na defesa. E é por isso que Indi não pode sair.

Martins Indi fez, já e de forma competente, jogos importantes, tanto no FC Porto quanto na Selecção Holandesa, a lateral. A sua propensão defensiva é inversamente proporcional à ofensiva dos actuais elementos que temos no plantel para o cargo. E se Indi não serve para central, então que se reserve, em jogos mais a sério, para aquela posição do terreno. Se equipa começa a sofrer golos e perigo como os de ontem, sempre pelo mesmo lado e da mesma forma, então algo há a fazer, porque não vamos estar a gastar dinheiro com mais incertezas. E por muito bom que Telles seja craque, a sua vinda para o lugar de Layún é uma incógnita se, de facto, o mexicano continuar no plantel, ou, continuando, ficar na mesma posição. Não encontro qualquer lógica desportiva na vinda do brasileiro, se assim for.

Esta é uma preocupação minha. Erros na defesa, por esta altura, como os do auto-golo de Felipe, são normais para esta fase. Erros persistentes na lateral é que não, quando se percebe, a montante, quais as características do que temos e do que vem.

De resto, Felipe voltou a estar bem, apesar do erro. Continuo a estranhar a falta de aposta em Reyes a trinco e continuo a achar que o Teixeira tem tudo para limpar as memórias de Óliver, de tão parecido que é em tantos movimentos de controlo e distribuição de bola. Corona esforçou-se e esteve muito bem em alguns lances e Varela começa a soar a piada naquele sítio, depois de até ter parecido a sério e de haver coisas a correrem bem. Quanto ao Quintero, não o vi e não sei o que se passa, depois da capa de ontem d´O Jogo.

Esta, sim, é a minha preocupação: a defesa. Pois se estamos a começar por fazer a equipa a partir daí, então o tempo urge, porque nem Telles nem Layún são garantia de nada quando for para jogar a doer. Indi tem mesmo de ficar.

Imbicto abraço!

 

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12 thoughts on “Indi não pode sair

    1. Imbicto Madureira,

      Não consigo classificar os adeptos como bons, ou maus. A distinção vai mais no sentido de saber se alguns são adeptos, ou simples simpatizantes nas vitórias, ou no conforto da História do clube; ou se simplesmente são parvos.
      Assim sendo, toda a consideração será subjectiva. Tudo o resto é facto. E o facto demonstra que o problema não são as saídas, ou entradas deste ou daquele, mas quais as reais soluções para problemas efectivos.
      Infelizmente, há quatro anos que andamos com bancos curtos e com substitutos que não estão à altura, em contrapartida com outras posições com excesso de oferta e ainda com a insistência num 4-3-3 que não resulta sempre nem se adequa aos jogadores que temos. Se é para ter 4-3-3, que se tenha gente à altura, mas com cabecinha, claro. Não me parece que esse jogo do palpite seja bom para o clube, para os emprestados e para os Ádrians…

      Imbicto abraço!

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      1. Infelizmente, há quatro anos que andamos com bancos curtos e com substitutos que não estão à altura…..

        2014/2015 – Fabiano/ Helton/Andrés Fernandez; Danilo/Ricardo Pereira; Maicon, Marcano, Indi, Reys; Alex Sandro/José Angel – excedentes Opare, Victor Garcia, Lichnovsky, Abdoulaye

        Casemiro, Ruben Neves, Evandro, Brahimi, Oliver, Quintero, Campaña, Graça, Defour, Josué, Carlos Eduardo

        Quaresma, Jackson Martinez, Tello, Aboubakar, Adrian Lopez, Gonçalo Paciência, Ivo Rodrigues, Kelvin, Kayembé, Sami

        Poderá não concordar, mas quer parecer que havia gente e substitutos à altura.

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      2. Imbicto Madureira,

        Sim, de facto, os nomes de vários indiciariam isso mesmo. Mas, quando foram chamados, corresponderam?
        Na esmagadora maioria, não me parece. E quando poderiam corresponder, não lhes foi dada a oportunidade – fosse pelo sistema de jogo, ou por embirração do treinador.

        Imbicto abraço!

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  1. Por acaso achei piada ao Varela na lateral, mas não foi “dessa” piada. Precisamente a pensar nos Tondelas e Aroucas de má memória. Muito do nosso “perigo” da segunda parte passou por ali. E algum do disparate também, pois então. Quanto ao Indi, não me parece. Se é para jogar com centrais a fechar o flanco, joguem com 3…
    Abraço.

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  2. Caro Imbicto,

    Depois de ler os seis comentários do pessoal, os quais revelam bastante conhecimento do futebol, estranho no entanto, o pessoal referir-se a erros individuais deste ou daquele, quando os erros devem ser atribuídos à equipa no seu conjunto.
    E porquê? Porque quem viu o jogo com atenção, constatou que quando se tratava de defender o PSV recuava em bloco e viu-se muitas vezes os avançados e médios holandeses a tentarem desarmar os portistas, ajudando a sua defesa. É a isto que se chama funcionar em harmónio. Quando não tinham a posse da bola os holandeses recuavam todos para o se meio campo. E daí as dificuldades dos médios e avançados portistas em furar a muralha defensiva contrária. Até porque como os automatismos da equipa portista ainda não existem, a progressão no terreno é para já muito lenta e denunciada.

    Abraço
    Armando Monteiro
    https://dragaoatentoiii.wordpress.com/

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    1. Imbicto Armando,

      Sem dúvida!
      Embora haja erros individuais, houve uma natural confusão na organização do FC Porto – nomeadamente nos momentos em que sofremos os golos. O exemplo de Felipe a pedir a Telles para compensar, deixando um buraco imenso e até mesmo o lance do terceiro golo, foram sintomáticos.

      Imbicto abraço!

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