A sair da Bruma

Imbicto leitor,

Começaria por agradecer a paciência daqueles que me seguem há ano e qualquer coisa, de não estar por cá mais vezes… Mas como qualquer criatura com condição humana, tenho vida para lá do blogue. E ainda bem…

Entrados na pré-época tenho visto muita coisa. E se há coisa a que a pausa ajuda é a reflectir e a olhar bem de longe sem paninhos quentes, ou frios.

Entretanto, o buraco financeiro aumentou e dificulta a tarefa de justificar à FIFA com que raio de receitas prevemos cumprir o Fair-Play financeiro. E se, por mim, ter ficado para lá do terceiro não era drama nenhum – muito pelo contrário – para outros talvez seja preferível continuar a fazer fé em mudanças que, de facto não vão existir como retorno a coisa passada. Tudo isto porque o saudosismo nunca fez bem a ninguém e, muito menos, foi justificação para exigir, não um regresso ao passado, mas um regresso à exigência e à superior prioridade do clube no plano desportivo que, por sua vez, justificaria o plano financeiro com natural retorno; porém, parece que o inverso foi a regra apostada: “perdeu” – como dizem os brasileiros. Neste momento, o problema é voltar a entrar nos carris – isto porque, com muita pena minha, creio que o esforço necessário para fazer voltar o FC Porto às conquistas desportivas (internas), necessita de muito mais do que boas compras e muito mais do que esfinges…

Voltando àquilo que é mais visível, com toda a certeza de que saídas ainda as haverá e entradas, ainda mais… Acredito que cheguemos a minorar o prejuízo, alguma vez atingir os tais 30 milhões e pico de euros necessários para dormir descansado. E isto, neste momento, por muito que se possa acusar a SAD, não é só seu ónus, mas antes do mercado e da forma pouco inflacionada com que os nossos jogadores são vistos por loucos como os do Manchester United que estão dispostos a mandar mais um bocadinho de ar para dentro da bolha Keynesiana.

No plano desportivo, vejo com satisfação três coisas: o regresso de Quintero e o grande esforço que tem feito para continuar, mesmo que o último jogo tenha ainda deixado a entender uma criatura muito “frágil” no plano psicológico – e todos sabem o quanto eu gosto de Quintero… Ainda a felicidade imensa para grande desilusão dos pipoqueiros pseudo-portistas que criticam a SAD pelos gastos e pelas comissões e que ao mesmo tempo, dizem que “não é com Licás e Josués” que vamos lá (de facto, com o Josué não vamos, de certeza…). Pois, meus amigos, o João Teixeira já começa a lavar-vos essa boquinha suja, com mente a condizer. Ele é o exemplo daquilo que fez com que o FC Porto se distinguisse dos demais – sem comprar mexicanos por vinte e tais milhões sem que ninguém dê conta de nada -, num processo (o do Teixeira, pois claro) que me faz lembrar o do Quaresma depois de ter ido parar e voltar ao e do Barça. Por último, a certeza de que Felipe vai mandar muita coisa: vai mandar na defesa, vai mandar calar mais uns cépticos que não querem gastar dinheiro mas querem nomes e vai mandar, pelo menos, dois embora da equipa A, tal é a competência do homem.

E depois, a desilusão. Quase tanto quanto Quintero, Ruíz era um daqueles que tinha como um cuja pinta e potencial não enganava. E creio que não engana. Creio que muitos vão ficar aziados (eu). Mas creio, igualmente, que clubes que não têm palavra, segundo se presume daquilo que se vai ouvindo pelos corredores, e que fazem um preço diferente do acordado, não merecem mais do que um “até logo”. Se a criatura quer ir, que vá, com a minha imensa pena, mas sem o brilho nos olhos que alguém – seja o Ruíz, ou quem dele é detentor de passe – retirou de mim. Temos pena… E mais pena ainda dessa presumível promessa que possa ter sido feita de cumprir com valores X, ou Y pelo novo clube que paga com pasta do Monopólio – do jogo, claro. Resumindo: estão bem uns para os outros.

Sim, entretanto, a Selecção foi campeã europeia. Parabéns ao portugueses que, de mim, incrédulo que ainda estou, mas quase indiferente – não pela Selecção, mas por tudo o que a envolve, nomeadamente os jornaleiros merdosos que levam santinhos ao colo – rejubilaram em loucura com o ópio do povo. E, assim, se regressou um bocadinho ao passado de lá de trás com as parolices e das medalhinhas de chocolate pacóvias de lembranças do que não tem nada que ver, em nome do esquecimento da real situação de merda e abismal em que o país volta a estar, com notícias gravíssimas daquilo que verdadeiramente interessa e traz impacto às nossas vidas, em dias de jogo.

A minha selecção é e sempre será o FC Porto, um clube cujos sucessos vêm sempre em complemento, para lá das 14h15 dos jornais da tarde, ou nos “agora é para fechar, tens um minuto”. E é também por isso que tenho uma palavra para o Rui Jorge: é a vida…

Até logo, que hoje há jogo!

Imbicto abraço!

 

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4 thoughts on “A sair da Bruma

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