Carvalho e Cristóvão: sofisma vs. silogismo

Imbicto leitor,

Ontem foi um dia engraçado… Imaginem que um dirigente futebolístico português, ainda revestido formalmente das suas funções, resolve “fazer asneiras”, ao armar-se em Copperfiel e “adivinhar” a situação fiscal de 196 árbitros a troco de montantes na ordem de meio a um salário mínimo nacional a pessoas da mesma laia que presumivelmente aceitam entrar na brincadeira… tudo isto, através de um pedido a um funcionário do seu clube e do computador com um programa de dados que usava à confiança do clube.

Clube: palavra-chave. Tudo envolve um indivíduo acusado a quadro anos e meio de pseudo-prisão com exercício de funções num clube, fazendo uso de material, funcionários e até do conhecimento delegado de funções através do presidente Godinho – que se assumiu “naif” em relação a esta matéria.

Duas perguntas ecoam na minha cabeça. Uma, seguirá no final. A outra segue já, já a seguir: O que é que Carvalho diria de Cristóvão?

Muito bem… Resolvi armar-me em inteligência artificial e ver o que é que o actual presidente do Sporting pensa sobre três conceitos: “regulamentos” e “lei“. Ah… e já agora, “verdade desportiva“.

Se clicaram nos três conceitos, verificaram que as pesquisas permitem recorrer à Filosofia, ao introduzirmos a formulação hipotética conclusiva lógica (silogismo), ou errónea (sofismo).

Assim sendo, este deveria ser o silogismo de Bruno de Carvalho:

Todo o acto acusatório provado acerca de Cristóvão em exercício de funções é punível sobre o clube, em nome da verdade desportiva/ Cristóvão é sujeito de acto acusatório provado em exercício de funções no clube/ Logo, o clube é sujeito passivo de punição, em nome da verdade desportiva

E este, alegadamente, é o sofisma de Bruno de Carvalho:

Todo o acto acusatório provado acerca de Cristóvão em exercício de funções é punível sobre o clube, em nome da verdade desportiva/ Cristóvão é sujeito de acto acusatório provado em exercício de funções no clube/ Logo, o clube não é sujeito passivo de punição, em nome da verdade desportiva, porque Cristóvão já não está em exercício de funções

OK, a coisa está enviesada e existem erros formais na elaboração do sofisma e do silogismo. Mas o exemplo serve. E serve pois a desculpa que aplico ao meu enviesamento é a mesma desculpa que se aplica à isenção do Sporting neste processo: a “exorbitância de funções”:

“O tribunal conclui também pela inexistência de responsabilidade do Sporting neste caso, pelo que o clube não terá de pagar qualquer indeminização a Cardinal, já que o juiz considerou que Pereira Cristóvão agiu como vice-presidente do clube mas na exorbitância de funções.” in Público

O negrito é da minha responsabilidade – apesar da palavra “indeminização” ser da responsabilidade do autor do artigo, no Público – e serve para demonstrar o estado a que isto chegou, numa aparente “exorbitância” de leitura casuística por parte do juíz que, apesar de reconhecer a existência de exercício de funções (logo um vice…), acha que o homem deve ter tido uma espécie de ataquezinho, ou de experiência paranormal de ausência do seu corpo, que o fez extravasar as suas competências – mesmo tendo-as.

E como isto está a ficar demasiadamente “exorbitante” para as minhas “funções” cerebrais, o melhor mesmo é seguir a máxima de Bruno de Carvalho em relação à lei/ regulamento: respeitá-la em nome da verdade desportiva, mesmo que não convenha a ninguém, em termos competitivos, que um clube com a grandeza e o historial do Sporting Clube de Portugal tenha de pagar pela merda que fazem em nome dele.

Se a lei está mal, mude-se. Se a lei está bem, cumpra-se! E termino com a tal questão em aberto: e se isto tivesse sido com o FCP?

 

Imbicto abraço!

 

 

 

 

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One thought on “Carvalho e Cristóvão: sofisma vs. silogismo

  1. Se fosse com o FC Porto estavamos na 2ª Liga e a equipa B no CNS. Não tenhas nenhuma dúvida, talvez ainda fosse mais grave a sanção.
    Não tenho nada contra o Sporting, mais que um adversário mas se sair impune deste caso, é o descrédito total nas instituições disciplinares desportivas. Obviamente que um vice-presidente que comete uma ilegalidade não está a exercer as suas funções de dirigente de um clube, senão seria uma organização criminosa, mas isso não iliba o clube de assumir que o seu dirigente actuou de forma a condicionar um árbitro, a lei é clara, se condiciona o árbitro (impedindo de poder exercer a sua função num encontro onde o Sporting está envolvido), então o clube deve descer de divisão.
    Devo recordar também que a agressão que foi vitima um árbitro auxiliar num estádio em pleno jogo deveria ter sido considerada como uma coacção e não o foi, ficou tudo em águas de bacalhau e o clube continuou impune, o agressor já é visto de novo pelo estádio e seguramente orgulhoso do seu acto, gostava de saber se o clube tivesse descido de divisão se continuava a assistir aos jogos entre outros adeptos do clube em causa.
    Um abraço

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