“Decisionismo”

Imbicto leitor,

Tenho-me deparado com uma crescente onda de “decisionismo”. Dos simpatizantes, passando pelos sócios, notáveis e terminando no presidente Pinto da Costa, há uma espécie de “síndrome” adquirido que é activado pela urgência – e até por um certo desespero – de mudança. Há, portanto, que discernir, sob pena de embarcarmos na mesma roda de núcleo estático que nos tem na extremidade.

Parece-me óbvio que existem três realidades distintas: a do adepto, a do gestor e a do mercado. A partir daqui, a confluência das três resulta, no seu ponto óptimo, num ponto de equilíbrio de expectativas que, depois de entrarem em contacto com o lado competitivo e com as suas forças mais ou menos viciadas, demonstram ser mais ou menos acertadas. Neste caldinho há sempre o factor sorte e o factor influência. E depois, o acaso.

Saindo desta dimensão quase filosófica das componentes sócio-financeiras, percebemos que, factualmente,  começamos a ficar desesperados. Pior, sem fé. Tudo isto tem as razões que se sabe, porém, é necessário olhar a frio a montante, evitando recorrer à mesma resolução, a jusante. Afinal, o que está mal?

É muito porreiro dizer que falta Portismo e bases, mas qual seria a reacção dos adeptos se mais de metade da fantástica equipa B passasse para a A? Os treinadores adversários são assim tão bons? Peseiro é assim tão mau? E o que seria deste campeonato sem Vítor Pereira? O que seria deste campeonato sem os guarda-redes que só jogam pela vida contra nós, ou do cansaço e erros militantes de certas equipas quando jogam contra certos clubes?

Todos estamos a fervilhar, no entanto, tudo me parece mais ou menos simples. Enquanto o intangível Portismo não se recupera do nada, a exigência e o mimo de alguns pipoqueiros também não desaparecerá se, no início da próxima época, começar a haver maus passes e poucos remates à baliza nos primeiros jogos. Há que moderar expectativas e entender que existe um certo ponto de maturação na recuperação que nunca é instantâneo – daí acreditar que o fundo possa não ter sido o jogo com o slbraga.

Portanto, qual a solução?

Ninguém a terá, no entanto, adianto a minha moeda para o peditório, respondendo às questões anteriores. Vejamos…

Peseiro, de facto, não é assim tão mau – sem ser um grande treinador -, porém, a espiral em que pega na equipa seria, invariavelmente, a de um uso de “carne para canhão”. Portanto, embora Peseiro seja um treinador melhor (bem) do que aparenta, já está esturricado – como esteve Lopetegui, por razões diferentes, mesmo tendo apresentado resultados incomparavelmente superiores. Novo treinador é a resposta, preferencialmente sem a componente risco e sem a ilusão de que o homem é um macaco a tratar da linha de produção estandardizada do FC Porto. Um nome inequívoco exige-se, sem que tenha de ser sonante, com personalidade (desde que PdC tenha estômago para roubos de protagonismo) mas que tenha dado provas efectivas – seja português ou estrangeiro – necessitando a SAD de fazer um esforço para contratar alguém com este perfil. Por favor, apontem as vossas escolhas abaixo. As minhas já todos as sabem, se acompanham este espaço, pois a minha cabeça não muda assim tão facilmente de norte.

Em relação ao espaço em que nos inserimos, polvilhemos a competição nacional com um misto de jogo de influências e competência “comezinha” – como tão bem diria o Miguel Lima, do Tomo. Os treinadores que por cá andam não são génios. São, sim, entendedores de uma realidade própria, com uma forma de jogar segura e realista. Repare-se em Vítor Oliveira, o “papa-segundas-ligas”… Não será por acaso ou por falta de oportunidades que o homem não sobe de escalão. Simplesmente, domina o campo em que se insere e cultiva essa experiência de forma a ser a referência, tal como Jesus (tosse) é desta competição pouco mais que medíocre que é o nosso primeiro escalão. Não é preciso ser-se um treinador genial – basta compreender a conjuntura. Mas há um preço a pagar: a dificuldade em mudar o chip lá fora… Portanto, definamos prioridades, ou adaptêmo-nos, de início, àquilo que, realisticamente, é o objectivo em causa, sem ilusões de futebol bonito – porque “bonito, bonito (…)”. Já soubemos adaptar o nosso futebol à mediocridade, com fato-de-macaco, assim como já o fizemos lá fora, com fato de gala; readapte-se o conceito! Afinal de contas, os gestores são os mesmos e sabem, se quiserem, como fazê-lo…

Estamos em Portugal, meus caros. Esse “networking” traduzido facilmente por “cunha” é a base de um país pequenino – mais de mentalidade e de amiguismo, do que propriamente da velha historieta do tamanho (vejam mais planisférios europeus, ´faxabor!). Houve alturas em que o aparelho era aparentemente “controlado” pelo FC Porto, não na perspectiva da influência, mas antes da prevenção de que não sucedesse a “filha-da-putice” militante que já todos conhecem, descarada e sem mácula investigativa, onde o “jaquinzinho” dá a espinha pelo polvo, independentemente dos telhados de vidro que se possa ter e da dificuldade em encontrar mais uns do que de outros. Urge denunciar suspeitas e colocá-las na evidência, aproveitando o impulso e visibilidade que o clube tem lá fora, não a tendo cá, nos me(r)dia. Estar caladinho, ou deixar os treinadores a assar é que não. E se “rabos-presos” houvesse e nada se faça por “receio”, então esse pode não ser o lugar certo para servir os interesses do clube…

Finalmente, a equipa. E na equipa cabem várias dimensões, nomeadamente a influência que o empresário A ou B tem nas escolhas. Aliás, tenho lido nos me(r)dia que a influência dos empresários até determina as escolhas do treinador, vejam lá…! E tudo graças ao Espírito Santo como começo de todas as coisas – ámen!

Progredindo, que equipa, ou que bases, interessam ao FCP? Independentemente de ser por falta de recursos, a aposta na formação deve prevalecer. Incorporar entre três e cinco jogadores nos trabalhos e no onze deverá ser uma exigência, nomeadamente aqueles cuja raiz de ligação ao clube vem desde sempre. Se é chinês, coreano, ou brasileiro, isso pouco importa, assim como de nada vale insultar Casillas – esse que vibra connosco – por ser espanhol, nesse complexo constante de inferioridade, de uma cultura – a nortenha – que nem devia associar-se à medíocre forma de pensar centralista – vejam o exemplo dos Galegos. Assim sendo, urge acabar com a dúvida dos porquês de não reforçar a defesa em época de mercado, quando ainda existiam hipóteses de obter algo. Urge não perpassar aos jogadores e equipa técnica a mentalidade de que acabou, antes de ter acabado – como se isso fosse, sequer, nossa matriz, pois para nós, nem quando acaba está acabado. Nomes firmes devem ser opções para reforçar o FC Porto, sempre tendo em conta as dificuldades financeiras e o interesse do clube, nomeadamente no esvaziamento do poder dos empresários que alegadamente controlam escolhas de equipas inteiras, ou de selecções. Portanto, misture-se experiência com prova dada, numa pitada de arrojo em aposta de promessa e de base firme da casa. Rúben, André2, André Silva, Sério O., Rafa e outros estão aí. Aproveite-se, sem obrigação de titularidade por decreto e criando a ilusão da oportunidade de forma factual.

Estas são as minhas propostas. Uma extensão de texto um pouco anormal, mas que me parece exigível. Desculpas por isso e por te tomar a paciência em defender algo diferente do que pensas, se for o caso…!

Urge decidir. Com mais cabeça e com menos “decisionismo”, porque sim… Por que não?

Imbicto abraço!

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11 thoughts on ““Decisionismo”

    1. Imbicto Jorge,
      Toda a gente sabe que acho piada a um certo argentino que não o RWD-Simeone…
      Já estou farto de apostas em tugas que nunca provaram mudar nada para além de terem um futebol esteticamente interessante. Urge mudar muito mais do que a estética. Urge a existência de pedagogia.

      Imbicto abraço!

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  1. Imbicto Poema,

    Tal como referes a prosa é demasiado longa a apelar portanto à pachorra dos leitores… Para quê complicar quando afinal o problema é relativamente simples de resolver:
    1 – Continuar a apostar na política que o FC Porto adoptou nos últimos anos em que teve sucesso, ou seja, procurar descobrir jovens jogadores promissores (olheiros) em Portugal e no estrangeiro, valorizá-los e vendê-los, retirando daí as mais valias de modo a equilibrar as contas do Clube.
    2 – Contratar equipas técnicas de preferência jovens mas com: competência, talento, ambição e personalidade. Com um discurso agressivo, incisivo e assertivo, capaz de pôr em sentido toda a imprensa alfacinha anti-FC Porto. Técnicos que sejam capazes de conquistarem o campeonato português.
    a) Leonardo Jardim embora seja um bom treinador, não me consta que tenha ganho grandes títulos. Em contra partida há dois treinadores de quem sou fã e que deram nas vistas:
    b) Marco Silva está a fazer uma carreira fulgurante, espectacular, na Grécia, e não me digam que é por ser no campeonato grego. Já cá em Portugal demonstrou ter grande personalidade e vai ser de certeza um técnico de TOP.
    c) Rui Faria, um preparador físico com pulso, que eu quando um dia tive oportunidade de ver trabalhar, fiquei espantado com a sua personalidade, competência e profissionalismo; sim, esse mesmo, o adjunto responsável por 50% do êxito do Special One, de quem o próprio Mourinho já teceu vastos elogios, preconizando-lhe uma carreira recheada de êxitos quando ele Rui Faria se dispuser a abraçar um projecto seu.
    d) André Villas-Boas, carta fora do baralho, porque já afirmou que pretende descansar até ao fim deste ano. Mas mais, não acredito que ele aceite treinar o FC Porto sem lhe darem garantias de ter um plantel de grande qualidade. Aliás, ele em determinada altura referiu que teve êxito no FC Porto porque dispunha na equipa de grandes jogadores como Falcao, Hulk …etc…estes os mais sonantes.

    Abraço,
    Armando Monteiro
    http://www.dragaoatentoiii.wordpress.com

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    1. Imbicto Armando,

      Li o seu longo comentário com a mesma pachorra com que leu o meu artigo 😉 Espero, portanto, que continue a tê-la, não só para vir até cá ler até ao fim, bem como para escrever em alongada resposta.
      Não estando completamente de acordo, reconheço que existe pertinência em defesa, ou “rejeição” dos nomes que aponta.

      Imbicto abraço!

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      1. Imbicto Poema,
        Temos de concordar que o meu comentário embora longo, devido à tentativa de justificar as minhas teorias/opções, nem será um décimo do seu artigo.
        Se bem que o facto dum texto ser longo não é óbice, o que é preciso é que seja objectivo e conciso…!
        Um texto pode ser longo e despertar grande interesse ao leitor, que no fim de contas é isso que se pretende…
        Abraço de dragão

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