Onde está o fundo?

Imbicto leitor,

Por estes dias de ausência, ontem dei por mim a questionar o seguinte: onde está o fundo?

Não sei se esse fundo será o do poço, ou o âmago das questões existenciais de um clube que mudou, efectivamente.

A época resumiu-se, ontem, em todo o jogo – do seu antes, no seu entretanto e no seu pós.

No antes, a (des)atenção dos me(r)dia a uma prova que parecia não existir e cujo “pré-match” foi “português-mente” preenchido por mais uma sessão de tortura cultural popular de encher chouriço – denotativa e conotativamente falando. No pós, a recuperação dessa festa, que é a da Taça e a do seu glorioso vencedor: o benfas do norte cujo suporte aplaude as vitórias do benfas do sul em tom de filial, estando, na falta de melhor, a levar tareia do zbórdem, resguardando-se, como sempre, para nós, e para o crónico jogo defensivo militante sem mácula expositiva – ao contrário de outros. Braguenses, sois melhores que isso se, de facto, quiserdes ultrapassar o Vitória, cuja posição de tabela não assume a verdade da dimensão real identitária.

No durante, uma merda. Uma cagada das antigas. Uma época culminada em que parece ter começado o jogo mal existe a altíssima probabilidade de morrer para o resultado. Um, dois, três guerreiros sem “V” do nosso lado. E do outro, um gVerreiro que costumava não ter V, mas que o readquiriu, na sua vertente Tozé 2.0 – é para isto que somos “bons rapazes”? Empalados pelos “nossos” na permissão de “jogue-faz-favor-para-não-sermos-acusados-de-nada”.

Uma primeira parte lopeteguiana, mas sem Lope. Afinal, os meninos estão melindrados e traumatizados, coitadinhos; e a culpa é sempre do cabrão do “basco” – ainda. Um treinador que tem o mesmo discurso do anterior, mas que o piora, ao dizer que não há sorte e que rematámos ziliões de vezes a mais. Mas para onde? Foda-se, ó Peseiro, podes não ter culpa de cá estar, mas tens culpa do que dizes, enquanto cá estás. Equipa perdida, quase salva por um verdadeiro dos nossos. Quase. Quase… Mais gozo. Venha a graçola do gajo da TVI. Venha o choro do Tozé; as desculpas. Os assobios; o Pinto da Costa que não cumprimenta mais Peseiro e o Villas Boas que está livre, como muitos, mas ninguém sabe o que se passa ou se aquela estória da saída dele está, realmente, bem contada. E por fim, até deu para receber a taça do talismã verdadeiramente braguista, segundo diz, em mais um episódio de campanha e de festa tuga.

Pá, vão para o…alho! Estou farto disto tudo. Dessa mudança que ia haver. Dessa meta que o nosso presidente resolveu cortar em atalho em favor dos jogadores traumatizados. Estou intratável. E por aqui me fico… Por aqui e pelos cinquenta gajos que foram receber os nossos heróis ao Dragão, em cantos e louvores, por terem jogado 45 minutos em 120. Está tudo trocado. Assobia-se sem dó nem piedade um mau passe enquanto se ganha por X-0, mas louva-se a derrota, numa inversão costumeira de atitude com os de baixo, enquanto deles recebemos a vitória moral e a ele passamos o discurso apropriado do conceptual intangível. O Maicon é que tem razão…

Ontem, epílogo, ou não, foi mais uma etapa. Uma etapa de realismo em tom de banho, com todos os tiques, desportivos, exibicionais e administrativos que têm semeado o descontentamento, a incredulidade e a impaciência por entre portistas mais ou menos conscientes e pacientes. Não esperem que volte a bater, publicamente, no ceguinho chamado SAD, ou no “cão” que guia o ceguinho, chamado Peseiro. Hoje, mais do que ontem, sobra anestesia. Ontem, mais do que hoje, sobrava raiva, desespero, saudade, melancolia e crítica, entre um e outro SMS de verdade que deixei a um ou outro amigo.

A partir de hoje, voltarei a tentar ser interventivo como havia feito antes. A partir de hoje, interessa ao clube, ao adepto e ao crítico que se aperte a atenção em nome da forma intratável com que se sente o espírito do portista mais inconsolável – seja mais, ou menos zelota; mais, ou menos pipoqueiro.

O fundo não o vejo. Se o virem, vão-me dizendo… Dir-vos-ei que ainda não é aí. E quando chegar, lembrem-se: o caminho que levou a cair é o mesmo caminho que leva a levantar – e desta vez, sem a ajuda da gravidade – dos factos e da física.

Imbicto abraço!

 

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