A caminho da memória

Imbicto leitor,

Estes dias são complicados… Sei que ainda falta disputar um troféu, mas as coisas estão tão más que uma espécie de descrédito e de anestesia tomaram conta do sentimento portista. Claro que a Taça tem de ser nossa, mas estas palavras ecoam mais com força de vontade do que com a vontade da força.

Entretanto, já arranjaram milhares de pretendentes para para jogadores potenciais a ingressarem para o ano, ou para gente que daqui não quer sair (Herrera, estás perdoado!) e cuja vontade expressa não parece convencer os mais teimosos (um brinde a Casillas!) e desesperados pelo euro da praxe em pecúnia, todas as manhãs, em troca de papel bom para deixar o tacho enrolado e manter a temperatura, numa técnica gastronómica de confecção que já a minha avozinha usava no arroz frito e na carne.

Tal como previa, as coisas continuam na mesma. Os tiros dão-se para o ar, as queixas arbitrais saem quase forçadas em auto-convencimento sepulcral e as reacções da SAD parecem querer saber mais de potenciais opositores e “inimigos” internos do que propriamente da palhaçada que tem sido o gozo constante de que o nosso clube tem sido alvo, nesses me(r)dia. Aliás, apesar de umas críticas certeiras dadas ultimamente, o objecto passivo é sempre o mesmo, salvando-se uma pouco honrosa excepção que fez lembrar os antigos fiscais das finanças, como se fosse esse o papel a desempenhar…

Sigo empolgado nessa conquista dos “pequeninos”, numa segunda liga mais competitiva do que a primeira, onde a raça traz jogos que fazem lembrar a cultura e o brio de outros tempos. Não sei se é da falta de luxos ou do excesso de expectativas. Só sei que o Porto B dá gozo. Um gozo sentido como portista do verdadeiro Porto – aquele onde o dinheiro não aquece nem arrefece e onde se come o verde da relva para chegar, não a um contrato com a Gestifute – como alegadamente terá dito a revelação do Dortmund por cá passada, Pusilic – mas com um contrato de honra e sangue para com o Portismo.

Bom… Duas coisas diferentes, acima. Ou não. A verdade é que recuperar o ido já não vai a tempo e duvido que alguma vez volte a sê-lo. No entanto, mais do que aspirar ao intangível do tempo, que se faça o mesmo com o intangível do espaço – do território. Aquilo que transforma o físico numa abstracção cultural e cheia de significado, sejam os ingressados na B portistas de berço ou adoptados de facto.

Tudo isto para advertir para duas coisas: a época ainda não acabou e, para o ano, apesar de haver mais, não pode, de todo, haver mais do mesmo. Portanto, amigo, tu que salivas de forma pavloviana pela silly season (também ela em aparente pré-época) por reforços sonantes ou por “cracks” latino-americanos que um dia apenas nós descobríamos, olha para a B! Despende duas horas do teu precioso tempo em memória do que fomos, do que aí ainda somos e daquilo que, se a lógica for a correcta, ainda havemos de ser – especialmente por ser contra quem é…

Um silogismo é um silogismo, mas o mesmo só existe por causa da realidade. Portanto, tornêmo-lo, mais do que válido, verdadeiro com a ajuda de quem manda.

Imbicto abraço!

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