Game Over

Imbicto leitor,

O calvário do FC Porto faz lembrar o momento em que estás a jogar num simulador, ou numa PlayStation qualquer com vinte anos e, de repente, cais num daqueles precipícios em que não há fim. Cais, continuas a cair; a velocidade aumenta ainda mais a caminho do fundo que esperas que apareça, mas nada. De repente, parece que o planeta Terra perde a gravidade e és atraído por outros corpos celestes, aqui e acolá, no infindável universo. O fundo não é fundo. É um continuum……………

Até começámos bem. Pelo menos, é isso que tenho lido… Começar bem é o quê, afinal? É começar sem sofrer golos, ou sem levar com caudal ofensivo adversário enquanto as equipas se conhecem tacticamente  nos primeiros vinte minutos? Pá, não vi nada de especial, a não ser o auto-convencimento de coisa nenhuma. E foi nesse momento, em que “começámos bem”, que enviei um SMS a um “bluegosférico” vosso conhecido a dizer o que pensava da táctica – se é que houve…

Continuarei a ser genérico na apreciação, elevando algumas honrosas excepções de um colectivo onde a soma das partes continua abaixo de zero. Vindo do final para o início, Casillas esteve infeliz no terceiro golo. Sim, esteve, mas o treinador que alguns iluminados descobriram lembrou-se, na jogada imediatamente anterior ao golo, de tirar um defesa onde a confusão já era sofrível. Pior, o único defesa que estava a fazer uma exibição fabulosa, depois de só ter feito asneiras nesse tal começo superior que não vi. Chidozie é, sem dúvida, a garantia futura – talvez não presente – daquilo que deve ser a filosofia de desenvolvimento de jogadores a nível de formação: não tem de ser português; tem, sim, de saber o peso que carrega e o compromisso que tem, neste clube. Danilo não necessita de palavras. É, sem dúvida, o capitão a promover, que não distingue craques, ou outros quaisquer. Ontem, vi-o por mais do que uma vez, dar sermão e missa cantada a Brahimi e a outros tantos que não estão à altura do FC Porto. José Ángel será a minha última ressalva, a par de Maximiliano Páez. O espanhol tem feito de tudo para permanecer e nada poderia fazer quando foi comido de cebolada por João Mário – o miúdo que um dia foi da nossa formação e cujas curvas da vida familiar obrigaram a ir para lá para baixo. Maximiliano, enfim… Não faz mais porque deixou um pulmão algures, há mês e meio atrás…

Retomando o discurso crítico e pegando nesse primeiro golo, chega a ser enervante ver Indi a defender os lances e os adversários com os olhos. Indi, és um gajo impecável, mas não é por teres olhos esbugalhados que vais dissuadir o Slimani de finalizar com classe… O Varela, enfim. O Brahimi, nem comento; os outros, só consigo defender André André pela conjuntura e Herrera… De resto, uma desgraça completa.

Finalmente, a arbitragem e o tardio comentário à arbitragem… Onde estava Pinto da Costa dessas vezes todas em que fomos gamados, como diz? Onde estava a acusação e o lembrete? Falar da arbitragem de ontem só pode ser uma piada de mau gosto, não pelo que sucedeu, mas pelo contexto. Explico: Soares Dias falhou estrondosamente nos lances de Coates sobre Àboubakar e, com muito esforço, num outro lance com Corona. No entanto, foi o mesmo árbitro que viu um penálti “à benfica”sobre Brahimi e uma falta “à benfica”, sobre Herrera, que quase dava golo de Sérgio Oliveira, num livre superiormente executado em direcção à trave. Vamos mesmo falar da arbitragem? E vamos usá-la para dizer que o Sporting é um “justo campeão”, sr. presidente? Não acredito (sem ironias) que tenha sido daqueles que preferia ver o Porto perder pontos para adiar o tri dos rubros. E como não acredito, só posso presumir que não pensou nas asneiras que estava a dizer, contextualizando e o tema arbitral na justiça quanto aquele que merece, ou não, ser o campeão. Se ganha o clube de ontem, ou o benfas, isso é lá com eles. E se um é mais prejudicado do que outro, talvez tivesse sido mais oportuno tê-lo  dito no ano passado, em que nós fomos – aí sim – claramente empalados pelo sistema de forma abjecta e descarada. Mas aí, só houve silêncio…

Não consigo dizer mais nada. Hoje quase não dormi. É demasiadamente vergonhoso ter de assumir-me como portista, não pelo clube que amo, mas pela gente que me representa, eleita e sufragada em maioria legitimada que me obriga a aguentar esta situação. Assim sendo, é ter fé(zada) e esperar em milagres…

Quanto à Taça, é vê-la pelo canudo que os de lá levarão do Bom Jesus, certamente…

Imbicto abraço

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2 thoughts on “Game Over

  1. Imbicto, o presidente falou antes do final da taça… como é óbvio este campeonato já não interessa, mas, se tem visto como o Braga tem sido ajudado – e, como o foi na sexta-feira – é bom que o presidente vá avisando!

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    1. Ainda assim, com toda a verdade naquilo que diz, continuo a achar que este tipo de reacção deve, sempre, ser precedida de defesas de honra semelhantes. A última reacção enérgica de PdC de que me lembro remete, precisamente, a Braga, há ano e meio, aquando da exibição incrível de Hélton, no seu regresso pós-lesão. Entretanto, muito motivo houve para falar, antecedendo esses tais jogos importantes, mas nada…

      Espero o mesmo: campo inclinado. E não temos a facilidade de jogar contra equipas em poupanças, com toda a certeza…

      Imbicto abraço!

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