Sessão Espírita e Jornalixo

Imbicto leitor,

Uma parte significativa dos povos latinos cresceu no meio de mitos, lendas e experiências paranormais. Sendo Portugal um país conservador e ignorante, ainda, escondido sob os números estatísticos para “europeu ver”, fomos inundados durante a nossa juventude e até mesmo vida adulta, com relatos de gajas que falam com Jesus, de gajos que levam percentagens do ordenado para fazer parte de seitas que falam de Jesus, de gajos que dizem ser Jesus e do próprio Jesus que aparece, aqui e ali, a um “bidente” qualquer, com os da frente bem separados…

É assim, não está em causa aquilo em que cada um queira acreditar. Isso é sagrado. O que está em causa é o aproveitamento dessa crença para fazer asneiras e ganhar algum.

A minha introdução não pretende insultar a fé de muitos, mas antes a inteligência de outros tantos – já nem sei se poucos, ou muitos – isto a propósito de uma conversa gira e confidencial que o presidente Pinto da Costa teria tido com o seu amigo de longa data, José Manuel de Mello, um conhecido portista e magnata. Entretanto, os jornalixeiros lá se aperceberam que, afinal, não tinha sido sessão espírita nenhuma, porque o dito e respeitável senhor já cá não está desde 2009, infelizmente. E por cá, entenda-se, refiro-me ao mundo dos vivos – não vão permanecer as dúvidas ao mesmo tempo em que permanece a notícia manhosa e de credulidade impossível, de tais contornos que teve.

Mas o problema nem é este. Eu quero é fazer uma ponte com isto. Independentemente do que se tenha passado na Assembleia Geral, lá ficará; quer lá tenhamos estado, fora, ou dentro, ou nem lá tenhamos posto os pés. E mais ainda, não entendo por que raio o FC Porto se dá ao trabalho de responder a acusações feitas a presumíveis adeptos do FC Porto, até porque ainda não vi prova disso e porque o que é do clube é do clube; o que é do indivíduo, fica com o indivíduo. Esta é, digo, ainda mais, a razão pela qual estive contra o processo volvido a um deputado reputado que não diz nem nunca disse coisa de jeito, no alto do seu ego-brilhantismo populista. Se aquele sr. acusou genericamente e sem provas os elementos que rodeiam o presidente, tal acusação vai de encontro às pessoas e nunca ao FC Porto que, diga-se de passagem, é a preocupação aparente do deputado em causa. O processo é, portanto, um vazio formal e não tem pertinência, ou sentido, a não ser que confundamos a pessoa com a instituição – ponto ao qual não acredito que tenhamos chagado.

Atenção! Não entendam isto como um ataque à direcção. Voltando às alegadas agressões, isto é apenas uma visão da minha pessoa relativamente à fulanização deste tipo de episódio. Entendo que o FC Porto esteja a reagir para proteger e defender o nome do clube devido à automática associação e ocasião, assim como entendo que seja uma desculpa para embalar os adeptos contestatários de um estilo que se foi tornando de silêncio sepulcral, dando-lhes o alento e a esperança de uma mudança de praxis. Não é, portanto, estranho, e até saúdo a iniciativa, mesmo não concordando com as razões, nessa vitimização jornalística tão medíocre de quem tanto nos tem ignorado e secundarizado.

E agora, o tal elo de ligação… Nem de propósito, depois do FC Porto ter acabado de ser apanhado numa guerra entre espanhóis-madrilistas e entre Casillas-que-quer-ir-ao-Euro, ao ser usado como arma de arremesso e depois de lido o que se pode ainda ler naquele folhetim que mais parece alguns programas da manhã, ainda não soube de comunicado algum por parte do clube, mas espero-o, em breve. Isto, sim, é importante!

O nosso nome está arrastado para o lume como desculpa para atingir Casillas e os ses apoiantes, independentemente do que Pinto da Costa dele pense e nem que o que ele pense seja aquilo mesmo. Não é admissível ver o nome de um clube como o FC Porto ser envolvido em lutas de gente despeitada cuja repercussão, curiosamente, já é global, inclusivamente citando o nome do falecido cuja qualidade, mediocridade e desleixo jornalíxtico não permitiu apurar a respectiva condição.

Tocando numa segunda e ainda mais pertinente esfera, está isso mesmo: a do jornalixo. Esta notícia espanholada não é mais do que um episódio demonstrativo daquilo que, não raras vezes, se passa por cá, sem que tenha, felizmente, contornos tão absurdos. Eu, se fosse o Sindicato dos Jornalistas, preocupar-me-ía antes em perceber a razão pela qual há tantos enganos dos profissionais que tanto defendem, quando confundem, constantemente, o nome do nosso clube com um suíno; gostaria de saber qual é a sua preocupação relativamente à forma efusiva com que os comentadores de serviço festejam golos contra o FC Porto e fazem de um golo nosso uma incidência normal de jogo, como quem faz um cruzamento; gostaria de saber o que pensam dos almoços, ou jantares, em que dirigentes desportivos comem à mesma mesa com dirigentes de publicações jornalísticas; gostaria de saber que preocupações têm, nomeadamente em relação às capas de jornais que vêm a público, dia após dia, elevando determinados clubes à condição de supra-sumo; gostaria ainda mais de saber o que acham dos tradicionais dez minutos da praxe, em programas desportivos conduzidos por jornalistas, deixados para o final e a correr, sem tempo, para falarem sobre o FC Porto; gostaria de saber se, para os senhores, esses programas, esses jornais, ou essas formas de estar configuram jornalismo, ou entretenimento; anteontem, alegadamente, foi agredido um jornalista, ou um entertainer, seguindo a lógica última da minha linha de pensamento e da vossa eventual resposta implícita? E se o vosso problema não é o FC Porto, preocupem-se com a forma vergonhosa com que alguns dos vossos alegados associados (calculo), fazem declaradamente propaganda por determinados jogadores, ou até mesmo partidos políticos, onde o implícito apenas existe pela falta de nomes concretos.

O que me indigna não é esta palhaçada de virgens ofendidas. O que me indigna é, ao contrário dos países realmente desenvolvidos onde o jornalismo se assume politica e desportivamente, aqui fazer-se uso da “isenção” e da “democracia” para subentender preferências. Assumam-se de uma vez, porra! Isso não tem mal nenhum, em abono da verdade. Ou tem? Isso compromete a difusão informativa?

Lamento profundamente que a falta de consciência se abata nos espíritos mais sensíveis. O FC Porto respondeu aos sindicalistas, talvez com o argumento ou pertinência menos acertada, mas respondeu. E isso é de louvar, especialmente se, agora com mais pertinência e seguindo essa lógica, responder àquilo que o El Confidencial retrata, desmentindo categoricamente tudo o que foi escrito, em nome do grupo.

Cá estaremos à espera, confiando, ainda, em vós.

Imbicto abraço!

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4 thoughts on “Sessão Espírita e Jornalixo

  1. Caro Imbicto Poema,

    A má vontade de certos jornalistas para com o FC Porto; escamotear e deturpar os factos procurando atingir o azul e branco, é por demais conhecida, antiga, e não há volta a dar enquanto existir o centralismo financeiro e informativo exacerbado, situado na capital.
    No entanto o que se há-de fazer quando é o próprio clube que é dono dum canal de televisão que não aproveita esse fantástico meio de informação para desmontar as aldrabices que proliferam por aí…?! Se calhar para não nos chatearmos, o melhor é fazermos de conta que não é connosco,
    Relativamente à Assembleia extraordinária d’ontem, à qual não fui porque está muito frio à noite e porque pensei que a minha presença seria inócua, visto não ter capacidade de influenciar para alterar o que quer que seja.
    Isto não quer dizer que presentemente não tenha objecções/críticas a fazer ao modo como o Clube está a ser gerido. Sou daqueles que, tal como o Pedro Marques Lopes, entendo que Pinto da Costa é responsável por 30 anos de vitórias, mas também pelas três últimas épocas em que desportivamente o Clube não ganhou nada e que portanto corre o risco de não ficar qualificado para disputar a Champions, e os milhões que dali adviriam, vão de certeza fazer muita falta para equilibrar as contas…!
    Perante a actual situação desportiva do FC Porto é natural que comecem a aparecer vozes discordantes relativamente ao modo como a SAD é gerida com repercussões no futebol.
    Perante o esboço de críticas protagonizadas por alguns sócios, e publicitadas, Pinto da Costa contra argumentou com a ausência de quaisquer candidatos de oposição à gestão em curso. Facto verdadeiro, lógico, muito importante e fundamental, se a intenção for tentar alterar/melhorar qualquer situação.

    Abraço,
    http://www.dragaoatentoiii.wordpress.com

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    1. De acordo, Imbicto Armando!

      Confesso que ainda não entendi qual é, afinal, a estratégia preparada para o Porto Canal. Neste momento, parece uma espécie de alegoria dos bons rapazes… A ver vamos se os episódios dos últimos dias mudam alguma coisa…

      Em relação às alternativas, estamos também de acordo. Porém, qualquer alternativa não poderá partir de mim, do Armando, ou de qualquer outro associado. É necessário haver um nome creditado e, ainda mais, capaz de juntar as assinaturas desejáveis (uma coisa depende da outra).
      Contudo, acho curioso que, uma vez mais, tenham surgido notícias a “lembrar” os problemas financeiros de Baía no dia seguinte ao da Assembleia…

      Voltando ao início, do jornalismo nacional nada me merece em consideração. Tudo mudaria com essa mesma capacidade impossível de assumir o que se é. Isso não se trata de violar qualquer princípio de isenção, mas antes de salvaguardar a transparência – algo que não existe, definitivamente, em Portugal, talvez com tiques permanentes da ditadura ou do PREC, onde a dissimulação imperava e onde o despedimento era à la carte…

      Imbicto abraço

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      1. Imbicto,

        Portanto estamos de acordo. É preciso que apareça alguém credível capaz de mobilizar uma certa percentagem de associados para ser possível começar-se qualquer coisa. Na minha opinião o movimento até pode começar com um administrador de blogue a encabeçar uma lista, porque como dizia o outro: o Baía nem sequer a sua fortuna soube gerir quanto mais o FC Porto. Outro possível candidato, o António Oliveira, que na minha opinião a única coisa que tem a favor é ser detentor duma percentagem importante de acções da SAD, pois não acho que tenha suficiente bagagem intelectual, um discurso competente, sagaz, astuto, arguto e acima de tudo coerente, como convém a um presidente do FC Porto.
        Para ser franco, não acredito na grande maioria das personalidades que costumam frequentar as assembleias do Clube. Acreditaria mais facilmente num dos administradores de blogue que passam a vida a pugnar pelo azul e branco.
        Aproveito para fazer uma sugestão:
        Porque não pedirmos por exemplo ao Bernardino Barros para encabeçar uma lista na blogosfera e ver quantos associados administradores de blogues e não só, estariam dispostos a bater-se por uma gestão mais eficaz do FC Porto.

        Abraço,

        http://www.dragaoatentoiii.wordpress.com

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