Sem mudanças de humor

Imbicto leitor,

Ontem, o Sporting não ganhou dois pontos a mais que poderia.ter ganho. Era mais que esperado – pelo menos da minha parte. Mas nada disso se reflectiu na minha maneira de estar nem no meu humor. Enquanto dantes seria certo vermos aproveitar estes deslizes, desta vez já não sei, num novo normal. Pior, é que vamos ter o Braga pela frente, já sabendo o desfecho do outro jogo grande, com a incógnita de rever uma forma de jogar que nunca lhes vi este ano, a não ser connosco, como se fossem muito pequeninos

Para quem viu o jogo de ontem, do Vitória, percebeu que se tivesse havido lances em que se a equipa vestisse de azul-e-branco, teriam sido punidos com expulsões, com amarelos para aqui e para ali, em correria frenética, com jogadores de pé a jogar com a mão ao alto e de sola levantada – tal como se faz no Lago dos Cisnes. Mas já se sabe o que a casa gasta. Já no outro jogo, um União cujo treinador teve um discurso de pedinte, muito humildezinho e coitadinho contra uma força da natureza toda-poderosa. Gudiño e Amilton foram insuficientes para evitar a derrota com lances também eles giros, pelo meio – talvez intimidados pelo “ambiente” que, aparentemente, deixou Norton de Matos um pouco combalido.

Já nós, fizemos o que devíamos. Ganhámos, mantivemos as distâncias para que pudesse haver surpresas e pressão. Não jogámos nadinha e, francamente, ainda bem que não escrevi o artigo que estive para teclar ontem. Estava furioso demais. Tudo porque não entendi de quem era a culpa de tal exibição ridícula – em especial na segunda parte: se dos jogadores “toscos”; se dos jogadores cansados; se do treinador que até fez bem as substituições, mas que mexeu levemente na táctica; se da direcção que não dá alternativas de qualidade; se dos preparadores físicos; se da falta de vontade de alguns (muitos), que parecem estar a fazer tempo para algo… Se… Se ganharmos o campeonato vai ser uma sortinha daquelas porque, em termos de bola, nadinha. Zero. E isso, a mim, ao contrário de outros que regozijam com o “a todo o custo”, diz-me nada.

Eu tinha aqui um conjunto de jogadores-base para a próxima época. Mas, francamente, ainda não sei se a culpa daqueles com quem queria correr é mesmo deles. Já os vi a fazer muito, este ano. E depois: o treinador é novo, o sistema é novo, o calendário é apertado, os treinos são poucos e a pré-época do pós-época está aí.

Enfim, estou francamente confuso, intrigado e incrédulo com tudo o que se está a passar pela culpa própria de quem se deixou levar pela inércia, mormente lá em cima e cujos negócios de milhões que nos dão prejuízo devem ter dado cabo da cabeça dos mesmos, ao vê-los passar, supostamente, sem terem nada que ver com isso. Um modelo cada vez menos vocacionado para o lado desportivo dá, invariavelmente, nisto, remetendo as aspirações dos pseudo-craques a exibições medíocres nos pós-Champions, numa mistura explosiva de cansaço com falta de vontade.

E mais não digo. O meu estado começa a ser de revolta interior, contraditoriamente, logo quando passamos a ter possibilidades cada vez mais reais de disputar o campeonato – assim o permitam. O problema é que o homem do circo já atravessa a corda a medo, sem rede cá em baixo, há muito, muito tempo, tendo trocado o treinador que, cá em baixo, mandava bitaites com segurança a mais por outro, cujo lema é atravessar a correr. E mesmo estando quase no final da mesma, o cansaço e a falta de discernimento deixam adivinhar que não vai conseguir, porque recomeçou a treinar as glórias de sempre há relativamente pouco tempo, sem princípios e com bases tradicionais perdidas.

Imbicto abraço!

 

 

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4 thoughts on “Sem mudanças de humor

  1. Eita, gajo mais má onda, credo!

    Os prejuízos não têm em conta as vendas dos jogadores e o resto, epá, quando foi a última vez que te apanhaste a ganhar 2-0 aos 20 minutos? Mais, cansaço, viagens e o corre-corre é diferente!

    Então agora que tendes a melhorar é que abres a barragem? Tem um bocado de fé, txópo.

    Ainda para mais a asa branca deu cabo da onda verde…

    Ála arriba, nino!

    Abraçom

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  2. Caríssimo Imbicto,

    Também eu, neste momento, estou com tendência para a descrença, mas ao ler o comentário do Jorge Vassalo sorri e pensei: oxalá que o Jorge tenha razão…!
    Mas por aquilo que vejo, mesmo que o José Peseiro seja um tipo porreiro e um técnico relativamente competente, acho que só com muita sorte seremos campeões.
    Por aquilo que tenho lido, o técnico que neste momento está no TOP e que é capaz de fazer obra no FC Porto é o Marco Silva. Já suspeitava que este era um técnico especial, mas aquilo que ele conseguiu realizar no Olympiakos veio provar que o homem é realmente um expert na matéria…!
    Quanto ao resto, aguardemos para ver se o Peseiro agora com menos jogos e com mais tempo para treinar é capaz de motivar e mobilizar o plantel de modo a atingirmos os objectivos, que é ganharmos títulos…

    Abr@ço,

    Armando Monteiro

    http://www.dragaoatentoiii.wordpress.com

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