Ainda a pensar num título…

Imbicto leitor,

Sim… De facto ainda estou a pensar num título. Há quem o faça antes; há quem o faça depois. Eu, desta vez, nem antes nem depois. Dá-me tu, ´faxabor, essa benesse, já que a ausência do mesmo é coisa reflexiva de solidão comigo mesmo e, por conseguinte, com o meu clube.

É difícil pensar, trabalhar e, pior, recordar, quando, de repente, me sinto como aquela gente que nunca ganha nada e faz de um recuerdo qualquer a razão de viver e de esperar.

Eu que até sou daqueles gajos que é paciente, estou céptico. O bastante, dirão alguns; o demais, direi eu…

Santo, ou não, acreditei mesmo – ingénuo, talvez – que a vitória seria nossa. Sem certezas, mas com fé e com memória que, felizmente, nos últimos jogos, tem-se tornado recente. E não me arrependo de desistir de ti, crença, clube, minha companhia desde que me lembro de pensar e de conseguir escolher. Sim, estou apaixonado, porra. Ainda. Nessa coisa tão violenta que é um amor clubístico que vive mais da sexualidade orgásmica do ontem, do que do companheirismo do hoje e no amparo de amanhã.

E por falar em ontem… Sim, foram claramente superiores. Naturalmente superiores. Amarelo, dourado, sempre ouvi dizer que assentava bem sobre o azul. E assim foi, por dois jogos e por aqueles, únicos, ainda, em que consigo culpar Peseiro, dentro das limitações que o próprio ainda mais agudizou. E eu, que não sei o que por lá se passa… Mas sei que a melhor equipa, dos nossos, não estava naquele recorte de 100X60, pisando, sempre, esse verde-e-branco das linhas e da grama, cujo brasileirismo começa a escassear, por ali, no arrojo de lidar com a cerimónia de jogar no risco.

Pá, nem quero entrar pelo jogo adentro. Faz-me mal. E faz-me mal porque me lembro logo da única imagem que daquilo retive; aliás, erro! Foram duas: o british gamanço, que a “Emissora (para-connosco-pouco-católica) Portuguesa” caracterizou ao intervalo – e cito, no real significado da palavra, através de um comentadeiro seu: “uma actuação irrepreensível do juíz britânico”; e o facto de, por onde quer que a bola andasse, lá estavam quatro gajos à volta, como se, assim do nada, o Songoku tele-transportado existisse, fizesse sentido e fosse tão natural. Sim, estavam em todo o lado e pareciam o dobro. Magníficos tacticamente – até para mim, que disso nada capisco.

Será que devo continuar a escrever este artigo? Francamente nem sei. Estou meio adormecido com o banho de realidade; com o banho de poder e de influência – “vocês sabem do que eu estou a falar” – e com o banho de bullying televisivo do canal que tem representantes que gostam de se sentar em mesas de tascas com cheiro a tinto, em má companhia.

Nada é assim tão mau, ou drástico, a não ser a situação para a qual nos arrastaram e que, certamente, levará bem mais do que um ano, do que uma limpeza de balneário e do que uma limpeza de adeptos para trazer de volta o back to basics.

Ontem e no outro jogo, voltamos a ser, publicamente, um FC Porto honradinho, sem poder, sem influência e claramente outsider à espera de algo, quando até se podia ter sido melhor do que os outros.

Paciência… Aqui te espero, ainda e sempre, Porto. Agora e até que chegues de volta.

Imbicto abraço

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9 thoughts on “Ainda a pensar num título…

  1. ‘Tão pá? Ontem éramos raça, luta e vontade quando vencemos o ficaben, agora somos a travessia no deserto por perder contra gajos que fazem golos em foras de jogo?

    Jogamos na mini liga com gajos de Champions – como nós. Perder 3-0 não é uma ofensa. Que no fundo foram 1-0, um reco e um roubo.

    Ehhh, what tha fuck. Nem vale nem montanha, digo eu.

    Não andes na montanha russa. Ela aleija. Vai ao Google ler o que se escrevia sobre Vítor Pereira em Março de 2013.

    Abraçom

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    1. Imbicto Jorge

      (voltei a não conseguir comentar no PU)
      Pá, estou francamente desiludido. Não vejo reacção. Vejo uma estratégia perdida na ideias.
      Garra, tudo bem, mas para o campeonato. Aí, acredito, assim como acreditava que o Porto não entrasse com aquele onze e cujo fora-de-jogo não pode ser desculpa para a real superioridade deles.
      E depois, tens vários graus do acreditar: o da fé e o da possibilidade realística. Do Dortmundo, sempre foi fé; do campeonato, é realístico. E realisticamente falando, voltamos a ser um Porto à antiga, independentemente das atenuantes.~~

      Imbicto abraço!

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      1. Já te disse, manda-me o teu comentário para o mail que eu publico.

        Abraçom

        (PS – Eu nunca acreditei na LE este ano. Nem com Lopetegui. Sou assim, pronteS. Lembro-me sempre do provérbio chinês “Quem quer abraçar o mundo acaba de braços cruzados”.)

        Abraço.

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    1. Imbicto Marco,

      É uma realidade que o Jorge também aponta. Mas não há realidade que possa escamotear o que fizemos lá e cá, muito por culpa da psique introduzida por Peseiro, nas escolhas. De tudo o resto, não o culpo. Não foi ele que não contratou um médio-ofensivo e que deixou fugir sem reacção e segunda escolha um central para o Mónaco…

      Imbicto abraço!

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      1. É verdade que o discurso do Peseiro não correspondeu à equipa que meteu em campo nos 2 jogos, mas quando vejo que temos de jogar com Angél, Varela e Marega de início está tudo dito.
        Muitos dizem que tínhamos melhores no banco, mas honestamente não o têm mostrado nos útimos jogos (seja por problemas físicos, mentais ou outros que tais).
        Só espero que os jogadores da próxima época sejam bem melhores que a maioria que por lá anda.
        Enfim, como dizes, é preciso títulos senão um gajo desanima 😦

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      2. Imbicto Marco,

        Tudo o que dizes é verdade. Não se sabe, francamente, o que pensar quando uns têm feito pouco mais que nada, nos últimos jogos, ou estão cansados/ lesionados. Mesmo fazendo fé na montra, tudo não passa de especulação. Mas especulação por especulação – salvo algo que mão saibamos e que tenha condicionado as escolhas – é preferível ter aqueles que são reconhecidamente mais prováveis de deixar uma outra garantia em campo.

        Imbicto abraço!

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