Nem 8 nem 80!

Imbicto leitor,

Ainda um pouco combalido do jogo de ontem, escrevo estas palavras com novo atropelo sobre a minha personalidade portista, nomeadamente depois de ter lido, hoje, as críticas ao árbitro, hoje, Ferreira, no jogo de anteontem, hoje, no Dragões Diário de hoje.

Ora, antes de mandar dar uma volta jeitosa ao bilhar no qual nos especializamos em ser campeões, quedo-me aqui de estupefacção, quando a julgara perdida… Pior, a reacção surge logo após um lance de duvidosa análise e de duplo critério sempre aceitável, onde, apesar de não ter havido simulação nem a devida punição suspensiva dos Jonas desta liga, os berros tornam-se bem mais ensurdecedores e incómodos pelo exagero do seu decibel e pala tentativa contínua de escamotear a palhaçada em que este campeonato se está a (re)tornar. Ora, a partir daqui, esta minha observação prévia torna-se grave, pois só vejo explicação, não na hibernação típica destas alturas do ano por animais em acumulação de calor e fome, mas antes como um desligar da máquina permanente, ao qual urge, não fazer um backup, ou um reset, mas antes mudá-la de vez, antes que se confirme a minha suspeição de tornar o FC Porto naquilo que era, quando o meritório e inesquecível presidente Pinto da Costa ainda cá não estava em exercício de hoje no qual não lhe reconheço a sua mão e pensamento.

E agora, depois da raiva expelida, a minha análise típica de quem não entende nada do assunto, mas que ama profundamente o seu clube…

Antes de mais, as minhas palavras para o Moreirense. Pá, que belo jogo que fizeram, ontem, especialmente na primeira parte, quando os jogadores do FCP estavam ainda a encaixar o cartão de memória nos dentes do aparelho. Uma equipa atrevida, extremamente bem organizada e com um treinador que já elogiei aqui, por mais do que uma vez. O 0-2 aconteceu, assim, com uma certa naturalidade, como aquele antídoto de um químico qualquer que sabe o que faz para matar a coisa à nascença, aproveitando o rebento com raízes frágeis chamado Chidozie, a quem a culpa não pode ser atribuída dessa forma tão gira de queimar a malta. Tivesse o jeitoso treinador da equipa de Cónegos essa vontadinha contra outras equipas que vestem de cores garridas e talvez a coisa fosse diferente. É que, contra nós, estas equipas não se importam de ter dois AVC´s por partida, por cada jogador.

Agora, o nosso elogio.

Estivemos mal. Muito mal, na primeira parte. Meia-equipa a dormir, desconcentrada e trémula. Sem ideias, mas com esforço – o que me deixa, francamente, receoso para quinta. Aliás, esta equipa tem um problema de antípodas em relação à mesma formação, mas quando Lopetegui estava à frente: mais coração do que cabeça. E assim, chega o exagero do antes de do depois, numa espécie de pré-época que ainda aí está e na qual Peseiro merece todo o destaque, ao ser um Macgyver da bola – tal como outros o foram, com mais ou menos consideração, dependendo do humor do portista.

Ontem houve comunhão e querer. Houve adeptos de entre os quais o acéfalo ia sendo abafadinho pelo apoio das nossas gentes e dos anti-Herreras desta vida que são, possivelmente, mais Herreras do que o próprio é.

Ontem, houve coração. A mais, talvez. Não sei. Só sei que deu para dar a volta. E deu, porque, apesar de tudo e pela primeira vez em muito tempo, agora acho que, nem que o jogo esteja 5-0, é possível. E esse regresso convicto e Imbicto não tem preço, por muito má que seja, na prática, a qualidade de jogo apresentada na transição defensiva e nas primeiras meias-horas de jogo.

Para quem queria o Back to Basics, ora ei-lo! Formação em aposta, querer, raça, convicção e, no geral, qualidade abaixo daquilo que tem sido hábito, mas eficácia e gosto na hora da decisão. Esta é ainda a prova de que os hiper-conservadores precisam para se calar por cada vez que pensarem, sequer, que o portismo num jogador só se dá com gente daqui, cá nascida e formada desde que começou a dizer papá (ou papa…) – ou titi – e que gosta de ver o Juca – agora a cores. O Chidozie, meus amigos, começa a dar-vos lições de portismo. O Chidozie, o Danilo, o Layún e os estrangeiros que populam a B e que, a cada fim-de-semana clamam por destaque enquanto os tais “verdadeiros” andam a ser emprestados e desgraçados a “clubes amigos” e fofos, onde a nostalgia paga imposto. Esses verdadeiros portistas subvalorizados como Josué e como Otávio que ontem, a haver indefectíveis, teriam sabido do que fizeram de espectacular no derby do Minho. Sim, esses que (ainda) são nossos.

O meu destaque tem de ir, forçosamente, para Layún, Danilo, Maximiliamo Páez, Herrera e Casillas. Uns defendem, outros reabilitam-se, como Varela, que encontrou em Herrera o gajo que lhe sacode a pressão. Não sei se repararam, mas Danilo e Layún, sempre que festejam um golo, parece que vão morrer devido a um colapso de uma veia qualquer na testa, ou no pescoço. É dar muito, pá! Já são dos nossos e ainda agora chegaram. Mais! Já são dos nossos porque, simplesmente, dão tudo, sabem a História do clube e, agravando, não vão abaixo, e dedicam-se quando tudo parecia ir com a corrente em que a SAD nos ajudou a meter. Isso é incomum, pois o acto de ajudar só se dá por gente estranha quando genuíno é.

Pá, o Herrera… Aquele passe depois dos assobios ridículos da parte de umas bestas quadradas foi um must! Eu estava no café a ver o jogo e gritei como da última vez, contra o benfas, nessa inevitabilidade da raiva acumulada e da forma artística com que se não marcam uns penaltis certos para marcar outros incertos, mas cuja repetição confirma ser justo, pois o pézinho que toca a bola não é o mesmo que, ao mesmo tempo, toca por trás o Maximiliano. Esse “foi primeiro à bola” é duvidoso e complicado de entender por parte de gente pouco honesta, ou vesga.

Terminando e porque estou a espalhar-me demais, vai o meu abraço a todos os que, como eu, acreditam e que esperam, como se numa cela estivessem, pelo momento certo da explosão, contra os outros e até contra alguns dos nossos.

Até podemos voltar a ser vergonhosamente arredados, uma vez mais, do título. Mas, Peseiro, professor, obrigado por calares esta gente toda e por começares a perceber que o teu eventual benfiquismo é questionável ao ver tudo isto, de 8 para 80, de regresso à paixão de sempre, da qual me lembro em jogos apenas épicos e dos idos dos entas.

Imbicto e orgulhoso abraço!

 

 

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8 thoughts on “Nem 8 nem 80!

  1. As partidas do Porto começam a ser impróprias para cardíacos 🙂 não sei se é bom ou mau, mas desta vez deu para ganhar…. mas chega de dar vantagens aos adversários, que tal começar a ganhar primeiro que os outros?!

    Abraços,
    Marco

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  2. @ imBicto

    desculpa não ter respondido, ontem, em devido tempo, mas fui ao Estádio (convidado à última da hora, e em cima da dita), e ia tendo uma síncope. a sério! aquele terceiro golo foi cá uma catarse que nem te conto… só sei que libertei toda a adrenalina acumulada era já Segunda-feira e a madrugada ganhava forma de um novo amanhecer…

    abr@ço forte
    Miguel | Tomo III

    Liked by 1 person

    1. eheheh

      Se não houver escandaleira como no ano passado (nas mesmas proporções, pelo menos…) ainda acredito.

      Olha lá, estou farto de tentar comentar no teu espaço, mas dá sempre erro… Já não és o primeiro. Há outras plataformas Blogger com esse problema…

      Imbicto abraço!

      Gostar

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