O “Nino” – como se diz na Caxina

Imbicto leitor,

O último fim-de-semana foi rico em episódios curiosos… Por entre um regresso do Dragão que se espera de permanência, houve outro regresso forte de convicções abstractas: daqueles que propagandeiam, à moda e com o apoio de sempre, os mesmos episódios desculpáveis das derrotas e das inflações de optimismo/ valor.

O título pode não corresponder completamente às vossas imbictas expectativas… Provavelmente, estáveis à espera de algo mais relacionado com a lota de peixe em que se transformou o nosso clube. Porém, já abordei esse assunto e, em tempo mais pertinente, talvez lhe volte a tocar – até depois da verificável vergonha que tem sido o papel da SAD neste mercado de Inverno, com as consequências que estão à vista no eixo da defesa e cuja desculpa não pode ser encontrada em exibições extraordinárias dependentes de momentos e de fortuna.

A apoteose está aí. É a apoteose da capital, do centralismo e do acto de branquear e sobrepor dois emblemas à tentativa de escamotear realidades e abafar o poderio futebolístico dos últimos trinta anos – tal como disse e bem, Conduto, no último (tosse) vs. FC Porto, ainda antes da azia que não imaginaria vir a sentir, por interpostas pessoas de apoio comentadeiro que deveriam fazer mais jus ao seu nome.

No meio de toda esta “pessegada” – como diria um amigo meu, político autárquico – o pepino em cima do esparregado: a tal apoteose em que foram recebidos os mais recentes campeões do prognóstico, à chegada a um edifício  forrado a cerâmicos de WC. Esta é, aliás, uma boa desculpa para recorrer à Sociologia e ao comportamento do Homem, nomeadamente na sua vertente Antropo-psicológica. A Madeira provoca convulsões, espasmos, de desejos que Freud facilmente caracterizaria como falta de sexo, mas cuja motivação vai para lá dessa fome que, por vezes, em instinto básico, faz recorrer o necessitado a serviços de venda humana, colocando em causa a seriedade do humano vendido.

Aqui há anos (ou anus – como preferirem, porque os há e porque são mais dados do que o curso do tempo), um outro clube tomado como representação das aspirações e instintos primários da fome por ganhar algo – fosse o que fosse, nem que fosse a Taça Latina agora relativizada pelos próprios – festejou fervorosamente a conquista do campeonato nacional 2012-2013, em pleno relvado do “Marétmo”, em explosão irremediável e em local outrora “amigo” e guardador de frustrações alheias, servindo, não raras vezes, de “guardanapo”, segundo palavras  do supra-sumo da instituição. Mas correu mal porque o Estoril resolveu ultrapassar a fasquia do profissionalismo e adicionar a componente abstracta do amor próprio, ainda com jogadores com matriz Porto que, não por acaso, viriam a integrá-lo, semanas depois. Chegado o momento do verdadeiro FCP, a estocada final apareceu, naturalmente, mas com dificuldade, no minuto Kelvin no qual ainda ninguém acertou, de facto e que fez esquecer um pouco a sorte que coroou a perseverança de cinco pontos estoicamente recuperados nas últimas semanas de competição.

Serve isto para dizer o seguinte, como descreve a imagem retirada mas devidamente classificada como sendo da página “Porto Desaparecido“, algures pelo ano simbólico de 1952, altura em que ainda não se viajava pela TAP, domesticamente:

centralíssimo

A lógica do coisinho, do coitadinho e do “comesinho” absorvido pelo “mais-melhor-bom” ajuda a compreender este país de gente falhada, alicerçado no sucesso alheio de antepassados algures nos idos dos Descobrimentos, cuja razão motivacional de “exploração” externa pode não ter sido bem aquela de que se fala, para quem realmente lê livros de História sem se deter no plano nacional de ensino. E depois, o outro lado, da inveja tuga, daquele que sucede virtuosamente e meritoriamente, desafiando o paspalho acima que o foi comendo de forma ascendente e que não aceita ser ultrapassado pelos “laboriosos e parolos lá de cima”.

Hoje, tudo na mesma. Este jogador com pinta é hoje o símbolo de coisa alguma, tal como Neymar é, mas de forma um pouco mais justificada:

davids

Porra, enganei-me!

drenthe

Ai, pá! Quase que acertava… Mas este também joga(va) com os braços e era “crack” parecido pelo tempo que dura um foguete de um bolo de aniversário qualquer.

renatinho

Finalmente!

Este rapaz – ou “menino”; ou ainda “nino”, como se diz na Caxina, berço de reais talentos -, de valia descomunal tipo “mais-melhor-bom-Guedes-que-ninguém-sabe-onde-pára” e que gosta de jogar com todas as partes do corpo, é a mais recente revelação do universo todo poderoso de carnide. Apesar de, de facto, o puto jogar muito bem, a “obrigação” leva a que pedestais se ergam no local do campo onde se move com a leveza de quem está pronto a entrar numa loja de porcelanas.

Sem injustiças, este fenómeno jornalístico repentino ainda hoje motivador de risos desproporcionados em local público ao ler certas capas, corrói. É sintoma de doença nacional e de artificialismo meritório injusto em comparação a outros tais como: Rúben Neves, Danilo Pereira e até mesmo Rafa, ou João Mário, que têm de fazer trinta vezes mais, não para serem reconhecidos cá, mas para serem dados como certos lá fora.

renatão

Re(n)atando, tudo isto é escrita para lembrar algo: este papel sempre foi combustível para nós, para a nossa formação e para os nossos objectivos.

Ainda estou a redescobrir o meu Porto mas uma coisa é certa: tudo o resto é igual. Portanto, trabalhem sobre isso porque desculpas para fazer mais e melhor haverá, sempre, num país profundamente doente e, pior, parvo, saloio da parte dos anti-saloios, umbilical e pequenino; muito pequenino

Imbicto abraço e até logo!

 


 

P.S.: As fontas das imagens estão acessíveis através do “click” nas mesmas.

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