Afinal, que jogo é que vocês viram?

Imbicto leitor,

Que sensação tremenda… Ontem, no meio dos meus dons de adivinho, lá mandei uma sms a um “indefectível” portista, aos cinco minutos de jogo, a dizer o seguinte: “Hoje, até dá gosto ouvir assobios…”. E deu mesmo. Na falta de resposta imediata, adivinhei apreensão e uma atenção redobrada que estes jogos obrigam a ter. Daqueles momentos em que o coração e a cabeça têm de unir-se, no adepto, ou, acima de tudo, no nosso jogador. E nem um golo de vantagem chegou, para uma equipa à Porto de antigamente (carago, Layún e Danilo!).

Já sabem, não vou entrar por análises. Deixei-me disso porque não sou expert da táctica; sou mais da “chicla” – ao contrário de outros e vice-versa… Hoje prefiro fazer duas observações: a da estratégia de gestão da equipa e, acima de tudo, a da percepção de jogo.

Ontem, tenho a impressão de ter visto um jogo que, na realidade, não existiu. Já li em tudo quanto era lugar – salvo honrosas e “indefectíveis” excepções – e até na nossa guarda vejo individualizações de méritos que vi noutros para lá de Casillas. Não entendo, francamente, como posso ler algures que o FC Porto não foi superior, tornando a máxima do sr. comentador da btv: “o benfica goleia em oportunidades” em verdade absoluta de desejo tornado realidade em cabeças um tanto ou quanto pouco sãs. Eu vi o contrário disso, como fruto de uma equipa em (re)construção e em higienização de balneário; houve erros somados à forma conhecida de Peseiro jogar, balanceado no ataque e com gravíssimos problemas de recuperação – quantos contra-ataques não vi em que havia, num primeiro momento, superioridade numérica e num segundo momento, buracos? Urge corrigir isto, é sabido, porém não vi, em termos de domínio de jogo, essa superioridade que fez, inclusivamente, com que os srs da RR estivessem a espumar e a velar, no pós-match, a dizerem incessantemente que a equipa do (tosse) era claramente superior à nossa. Ok, viu-se, pois para esta e outra gente, a superioridade mede-se de forma relativa, nomeadamente com adversários a jogar com pé leve, a defenderem o oponente depois de terem sido alvo de agressões – tão declaradas, ontem, sem maldade, mas com a leveza de asa que o Renato-mais-melhor-bom-Messi-com-cabelo-à-Davids-que-é-sempre-um-bom-princípio-de-estilo-para-putativo-craque já nos habituou.

Uma vez mais, vi um (tosse) “coisinho”, com medo, a errar passes ridículos, nomeadamente na saída de bola a partir da defesa. Vi o FCP dominar, não o jogo todo, mas partes significativas do mesmo (mas mais importantes), quando foi necessário ir à procura do prejuízo e, até mais, na fase final, em que poderíamos perfeitamente ter metido mais dois lá dentro, nessa “goleada de oportunidades desperdiçadas”, mormente (ou hipoteticamente, segundo Inácio) por intermédio de Àbombakar e de lento-a-pensar-o-cruzamento-Marega.

Casillas merece, de facto, destaque pelo que não possibilitou, calando os críticos na melhor altura para ele e para o grupo. Mas todo o resto da equipa tem o outro destaque pelo que possibilitou. Portanto, este é o ponto que mais me deixa orgulhoso: são onze para onze e onde houve, se facto, uma equipa com onze gajos que viram o meu clip, horas antes.

Por último, a tal gestão da equipa. E aqui cabem: a SAD, Peseiro e, pois claro, Chidozie.

Começando pela SAD, um episódios bem sucedido como o de ontem, uma vez mais por fortuna aliada a qualidade, não pode, de forma alguma, branquear a situação delicada em que nos meteu, principalmente ao mandar embora um tal de Lichnovsky – promessa declarada e efectiva -, para fazer girar dinheiro e montra, quando temos dois no estaleiro: um puto e um bipolar (de forma figurativa, claro, porque há sempre damas ofendidas). É, portanto, indesculpável que se obrigue a queimar, uma vez mais, Peseiro (um treinador), depois da forma inacreditável com que se lidou com o mercado de inverno, quase dando ideias de atirar a toalha ao chão.

Em segundo lugar, a excelência de Peseiro na aposta, no tomatal que ostenta e na forma vertical com que assumiu, desde a conferência de imprensa, as suas responsabilidades, com uma transparência e frontalidade invejáveis. Mister, obrigado e, francamente, parabéns!

Por último, o maior destaque para aquele que só quem nunca se deu ao trabalho de ver jogos da B, ou de saber o que por lá se passa, mas quer ver aqueles jogadores na A sem saber se têm, ou não, potencial e depois disparam a desconfiar quando um chega ao ponto (compreensivelmente, em parte, devido ao jogo, mas incompreensivelmente, devido às circunstâncias): Chidozie. O puto tem uma classe tremenda. Faz-me lembrar aquilo que se queria – com mais vontade  do que possibilidade – que Abdoulaye fosse em estado concretizado de potencial. Porém, calma! Sem alarido, pois é isto que destrói uma carreira de um jogador tremendo que se dá, paulatinamente e com todo o mérito, a conhecer e reconhecer. Parabéns, Chidozie!

Rematando, saúdo Herrera (isso é que é ser capitão) e ao sr. Maximiliano Páez. E como uma imagem vale mais do que mil palavras, calculando eu que grande parte de vós viu o jogo e os episódios motivadores da minha sms transcrita no início deste post, ei-la, com a cortesia do JN, e onde nem sempre o óbvio é o mais importante, como nos quadros do Renascimento aos quais a verruga, ontem, assentaria bem:

 

Benfica vs FC Porto
FC Porto`s maxi Pereira (C/L) celebbrates celebrates the victory against Benfica at the endo of their Portuguese First League soccer match at Luz Stadium, in Lisbon, Portugal, 12th February 2016. MARIO CRUZ/LUSA

E por aqui me fico, confesso, um pouco parvo com o que leio… E com as notícias, também -já são 13H15 e nada… É que está a chover muito.

Imbicto abraço!

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3 thoughts on “Afinal, que jogo é que vocês viram?

  1. É claro que o Casillas teve uma atuação de grande nível. Se calhar o melhor jogo que fez no FC Porto. Mas ler na imprensa e ouvir as declarações do Rui Vitória , a reduzirem a vitória do Porto à exibição do Casillas, são coisas que apenas me leva à constatação de duas coisas. Primeiro que a imprensa protege o clube e o treinador do SLB. Segundo, justificar a derrota com as defesas do guarda redes adversário é de treinador de meio da tabela para baixo. Rui Vitória tornou-se no treinador com mais derrotas em clássicos numa só época (já vai na 5ª). Não é possível que a desculpa sejam os guarda redes das equipas adversárias.
    Uma grande salva de palmas ao miúdo que teve que se estrear logo num jogo contra um grande e ainda por cima com a importância que tinha.

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  2. O Clube não tem nada, mas a SAD ainda tem alguns jogadores de valor na A e na equipa B tem alguns jeitosos que não envergonham nem a SAD nem o Clube.
    Não são de Campanhã, do Cerco do Porto ou de Nevogilde como alguns arautos da mística preconizam para alfinetarem a SAD, mas são jeitosinhos. Este, tal como alguns outros é da estranja e já custaram algum. Podem pensar que aterraram cá por acaso, mas possivelmente estão enganados.

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