Saídos de um fim-de-semana esquizofrénico

Imbicto leitor,

Pois é… Tenho faltado à minha obrigação para contigo, sem que isso implique desligar-me do meu clube. Uma coisa é certa: consigo ser mais lesto numa reacção a algo que não é minha obrigação directa do que a direcção do FCP. E por falar nisso…

Cosme Machado decidiu dar uma de homem sério. Daqueles sérios, ´tás a ver? “Que isto não tem nada a ver com a pessoa, mas com o profissional, atenção!”.

Feitas minhas as palavras do Malvado anti-talibã, renovo-as no contexto e faço delas novo uso para agravar a acusação: “Cosme Machado, nunca mais”. Mas “nunca, nunca, nunca mais”, como também diria o Carlos do Carmo, nas Canoas do Tejo (curioso nome).

Não sei se já repararam, mas estou a ser um pouco palerma na escrita. Pá, é que isto é o resumo feito prosa de um fim-se-semana esquizofrénico e sintomático daquilo que é o estado de coisas do futebolzeco tuga – esse mesmo, dos p(h)oderzinhos típicos do portuguezinho dono da aldeia. E isso semeia-se. Semeia-se, dá fruto e espinhos, numa planta que provoca dano à mais saudável das culturas, com raízes a tomar o alimento da planta sã.

O Malvado tem razão; duplamente. Foi gamado. Mas também vi os jogadores da sua equipa a intentarem o descrédito junto das decisões dos “juízes” pouco ajuizados, com ensaios de prancha lá do alto que dariam belas pontuações para as “olimpíadais”. Muito teatro e o teatro paga-se caro – assim como deveria pagar-se o calimerismo militante. Mas pronto. É isto que temos. Em Portugal a máxima ainda é a do puto: “chora que a mãe dá”.

Eles cogitam, o árbitro intimida-se e a obra nasce. Simples, como Pessoa – ele próprio um pouco queque como as zebras verdes, mas mais racional no devaneio. Porém, desta vez até tinham razão e, digo mais: Malvado, só estiveste mal numa coisa, filho, é que te esqueceste de dizer que esse indivíduo “acolinado” (curiosa palavra de duplo sensu) tem antecedentes. E como quem tem antecedentes, deve pagá-las mais caras do que o que de caro já é em erro cometido. Não sei se viste a palhaçada em Braga, no ano passado, mas garanto-te, perdeste uma bela oportunidade para falar e revoltar. Os teus amigos daí de baixo não se esqueceram, mas só mesmo para acusarem o Antero (Smartphone) Henrique, o Lope e PdC; ainda tiveste sorte, ´tás a ver?

É reincidente, mas insiste-se em dar a oportunidade de continuar a “ser profissa” – profissional, como dizem os brasileiros -, retomando a sua tendência para o p(h)oder (obrigado, Miguel Lima) contra o FC Porto, nomeadamente na memória fresca da Feira, em que percebemos que os penális, os contactos e os critérios são curiosamente subjectivos, a avaliar pela gp não assinalada em Alvalade, ainda na primeira parte. Deste modo, o castigo máximo contra nós, na Feira, foi mal “ajuizado”. E segue.

O que mais me indigna, já não é o Malvado a gritar ferozmente, ou o Cosme a aplicar critérios profissionais de dupla interpretação culpando os auxiliares (que coragem do caralho). O que me deixa lixado é ter medo de entrar na zona VIP do Dragão e encontrar, um dia destes, um túmulo aos Combatentes da Grande Guerra Futebolística. Silêncios que se pediriam em tal ocasião, entendendo, aí, o sentido de todo este eco no vazio. Nada se faz. Nada se reivindica. Ninguém se respeita a si mesmo, ou a quem representa. Tudo isto é triste (e o resto já sabem, uma vez mais, da música da Amália e do rodriguinho).

E, no meio desta insanidade, o FC Porto jogou. Vi, curiosamente, a ausência de prosa dedicada com a celeridade habitual na desgraça, da parte de alguns dos nossos. Calculo apenas que, tal como eu, haja bluegosféricos atolados de trabalho – nem que seja o trabalho de não ter medo de arriscar um elogio a Peseiro por temerem pela sua coerência bota-abaixista. Logo eu a dizer isto, que tanto critiquei a sua escolha, não pelo homem, mas pela opção de quem a fez.

E jogámos bem. Uma defesa com os problemas de sempre adicionados ao “ai, Jesus” das transições em período de mudança. Sistemas novos e uma certeza: mais ataque; menos carrossel. E, francamente, não me acredito que a posse seja assim tão desprezada. Tratou-se apenas de um momento, como haverá outros, em que a experiência supera a filosofia do: “tem de ser assim”.

Ontem fechou o mercado. O coitadinho do Imbula já começou a fazer-se de vítima. Pá, estás à vontadinha, desde que te ponhas a 300/h no (car)alho, meu caro Ferrari. Sempre acreditei no teu potencial, mas o nome, esse, para mim é nada sem proveito. E de ti, não se aproveitou nadinha a não ser quatro milhões e mais uns trocos a fazer fé nos 15%. Mas olha, como dizem que não demos “nada” por ti e não fiz festa por isso, também não a farei pelo lucro suposto do “nada” que receberemos. Mas aí, outros escreverão com mais propriedade do que eu.

E pronto. Tá feita a minha obrigação.

Amanhã há jogo e, finalmente, vou matar saudades do Fiúza. É que sem figuras típicas, esta porcaria de futebol nacional não teria interesse nenhum.

Imbicto abraço!

Anúncios

3 thoughts on “Saídos de um fim-de-semana esquizofrénico

  1. “…ausência de prosa dedicada com a celeridade habitual na desgraça, … – nem que seja o trabalho de não ter medo de arriscar um elogio a Peseiro por temerem pela sua coerência bota-abaixista.” – pois, ainda bem que mais alguém repara nisso 🙂
    Não fui um defensor do Peseiro, nem acredito que tenha sido a melhor escolha, talvez a possível e isso entende-se. Mas uma coisa é certa, no pouco tempo de trabalho já me calou e está a provar que tem noção do que tem de fazer e isso é muito bom. Que continue assim pois o desafio é enorme!
    Abraço Portista.

    Liked by 1 person

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s