José Peseiro: como gotas na seca

Imbicto leitor,

´Tás a ver aqueles dias de Verão em que os trinta vão altos e a humidade relativa pesa no corpo e nos pulmões? É quase isso… Água precisa-se – seja ela fresca ou choca, se nada à mão houver.

Bom, José Peseiro é o novo treinador do FC Porto e disse algo que me ficou entranhado na memória: “não queremos que os adversários sejam os próprios portistas”. Foi assim, a seco, mas com um ar simpático e de compromisso que o professor nos brindou com presença. Não me alongarei, até porque o Miguel Lima (Tomo III) disse o que deve ser dito e partilhado.

Houve coisas diferentes em relação às últimas “cerimónias”. Este treinador não foi apresentado numa sala de imprensa qualquer, ou num estúdio. Este treinador foi apresentado sem grandes peneirices no mesmo local onde Villas-Boas deu a cara pela primeira vez, do alto do Dragão, com mais dignidade (na minha modesta opinião), mas com menos simplicidade, sem ter sido ostensivo. Mais ainda, o presidente não esteve a gastar o latim em rodriguinhos e foi direito ao assunto, dando o palco a quem realmente merece o momento, depois de uma primeira pergunta jeitosa da TVI por parte de um profissional que nem sabia os pontos que separavam o FC Porto dos outros…

As declarações foram convictas e pertinentes. Houve um nervosismo natural de quem está fora dos palcos desta dimensão e com esta notoriedade há muito, mas sem perder o foco.

Peseiro vincou a vontade em fazer a quebra com o passado, utilizando palavras de comunhão com o universo azul-e-branco, posicionando-se já na antítese do establishment ao deixar a bicada: “há muitos que não querem que o Porto ganhe”.

A novidade esteve mais nas informações relativas à sua chegada, com contactos logo após o jogo com o Rio Ave e a sua “convicção de que viria para o FC Porto”. Contactos não são escolhas e a própria declaração oficial por parte do clube, de que não estaria a desenvolver negociações com alguém, ainda pode valer uma puniçãozinha por se vir a verificar a inverdade das mesmas. O processo foi, portanto, confuso e pouco credível sob o ponto de vista informativo – nem querendo, por esta altura, questionar escolhas, sejam elas primeiras, segundas, convenientes ou sondadas.

Hoje é dia de jogo e o apoio é todo nosso. Com a certeza de que o momento é turbulento e levará tempo a voltar ao normal. E só os seres racionais poderão esperar um ou outro erro, numa nova etapa que se espera, francamente, ser de competição, suor e dignidade, com as armas que temos – quer ganhemos ou não.

Não quero bater em teclas desafinadas ou dizer que Peseiro é uma gota de água choca no meio de um espaço e tempo de seca desesperante, depois de perder o Norte. Mas a verdade é que é água. E nestes momentos, já nem o esclarecimento é suficiente para distinguir, ou exigir o que quer que seja. Queres é água e que cada gota não te deixe desfalecer até que alguém te encontre, magro e esquecido de ti mesmo e do que te circunda.

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “José Peseiro: como gotas na seca

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