Separar as águas

Imbicto leitor,

Já mais calmo após o anúncio do novo treinador, importa vincar bem a minha posição relativamente às partes.

Em primeiro lugar, Peseiro é, para mim, um técnico interessante. Reafirmo que outros também o eram antes de provar fosse o que fosse, porém, variáveis como: a qualidade das equipas, o apoio da estrutura  (quando ainda o parecia ser), uma espécie de inevitabilidade da vitória – a tal cultura de vitória – e a sorte, foram tapando as fragilidades de alguns técnicos do FC Porto, levando-os a patamares de reconhecimento pouco coerentes em relação à sua real valia e competência.

É sabido da forma como Peseiro joga. É um futebol atractivo, empolgante e de tracção à frente. Mas atrás está o problema. Agora importa estar atento mais ao jogo do que a tudo aquilo que foi já debatido e repisado, ontem, e que tem que ver com dimensões estratégicas de gestão do clube.

Assim, separar as águas é processo urgente, minimizando, deste modo, o impacto que a descrença no nome escolhido pelos responsáveis possa ter no desempenho de Peseiro. É ele o nosso treinador e merecerá o nosso apoio até ao limite do razoável – tal como aconteceu, da minha parte, relativamente a Lopetegui. Não será, ou deverá ser, por isso, motivo para que ao mínimo percalço, haja gente a reforçar o stock de lenços de papel, de lençóis, ou de papel higiénico branco acenado em momentos de profundo pesar com um sorriso no rosto. Peseiro é o último culpado de tudo isto, quer gostemos dele, ou não, à frente da nossa equipa.

Nesta teorização, o que pretendo perceber é se o FC Porto passará a depender dos esquemas tácticos de um treinador bom que nunca foi para lá da teoria e da extrema ambição táctica das suas equipas. Se saiu por isto, ou por aquilo; se esteve “x” tempo aqui, ou acolá, é passado. Agora, devemos procurar perceber como se integrará a sua mentalidade no FC Porto e como motivará uma equipa na qual, teoricamente, poderia ter um anti-corpo com Casillas, depois daquilo que disse sobre o homem, no ano passado.

Em todas as equipas em que esteve – inclusivamente nos dois Sportingues – José Peseiro demonstrou grande ambição e até uma certa eficácia (se nos abstivermos de olhar para objectivos finais). A qualidade de jogo existiu de forma clara e, não raras vezes, espectacular. E, para além disso, a sua relação com os média sempre foi a antítese daquilo que vimos, recentemente – o que obrigará os “tímidos” a saírem da toca.

Há, em toda esta observação, prós e contras.

Os prós, têm que ver, essencialmente, com uma eventual recuperação ofensiva do jogo, sem mastigar a bola ou sem a lateralizar, ou recuar. Mais ainda, Peseiro tem um discurso positivo e ambição táctica aliados a uma equipa com alto potencial de crescimento.

Os contras têm, em grande medida, que ver com a ultrapassagem de maus hábitos adquiridos e a motivação – o que requer tempo – e com a forma utilizada pelas equipas do nosso futebolzeco em bloquearem o nosso jogo atacante.

Predominantemente, tendo em consideração que Peseiro já orientou equipas grandes, não me parece razoável ter expectativas na mesma medida relativamente aos golos sofridos. O FC Porto passará a jogar aos repelões, aumentando, assim, a probabilidade de sofrer golos em contra-ataque (o modelo que prevalece da parte de quem contra nós joga – inclusivamente quando enfrentamos os grandes). E esta probabilidade aumentará na falta de uma defesa esclarecida e pouco trapalhona – em especial do lado esquerdo.

Concluindo, vamos precisar de tempo e de sorte se a equipa se mantiver como está, de Danilo para trás. Veremos se, finalmente, com um colectivo mais interessante do ponto de vista do potencial de crescimento, Peseiro confirma as teorias que sempre quis colocar em prática, mas nunca conseguiu. E por isso terá o meu apoio com o devido desconto da adaptação a eventuais deslizes.

Sim, logo há jogo. Não sei como é convosco, mas a preocupação com o estado do meu clube é de tal ordem que dou mais atenção à resolução dos problemas a partir da base do que em conseguir ganhar ao Famalicão – que merece todo o nosso respeito.

Imbicto abraço

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3 thoughts on “Separar as águas

  1. Correcto, primeiro os problemas de base. A minha questão é mesmo lidar com isso, apesar de ser contrato por 1.5 anos não me parece que o Peseiro venha para tanto tempo (tinha de correr muito bem neste resto de época), e a ser assim acho que não vamos corrigir tudo. Se tornar o futebol mais atractivo já seria uma vitória.

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