FC Porto: um fim de ciclo em que até a roubalheira é indiferente

Imbicto leitor,

Como nestes momentos não sou a pessoa mais bem referenciada para falar direito, sobra-me fazer breves considerandos.

A equipa está morta. Há muito valor individual; há muito pouco entrosamento e equipa. Continua, naturalmente, o típico trás-lado-trás. Continua a falta de alegria. Continua a despachar-se a responsabilidade para os extremos. Continuamos com uns a amarem e a darem corpo e lágimas; continuamos com outros a fazerem favores.

Ontem, continuou o espectáculo deprimente em torno se Sérgio Conceição. Continuou o silêncio (das poucas vezes justificado, nos últimos tempos, em defesa do grupo). Continua, hoje, a nossa angústia.

O campeonato acabou, para nós. Chegou o momento de assumir responsabilidades e de ver aparecer alternativas credíveis à presidência do FC Porto, independentemente de virmos a recompor-nos, ou não. Este é o momento para assumir um projecto que se prepare para o próximo ano, sem merdas e recomeçando a devolver o clube aos adeptos e aproveitando mais uma aparente mini-sangria em Janeiro. É essencial sobreviver financeiramente, mas nada justifica o modelo adoptado de entreposto comercial. Só assim terei esperança, quando vir que o resto da época é para levar a sério, mesmo que o campeonato esteja, teoricamente, perdido.

Terminando, ontem houve mais uma sessão de roubalheira – tema já tão natural que nem traz reacções da nossa parte. Um segundo amarelo surreal e uma grande-penalidade clara a favor do FC Porto por um braço que intercepta o desvio de Martins Indi em direcção à baliza. Mas tudo isto já é normal, depois de tudo o que se tem visto e depois do respeito ao qual nunca mais nos demos, independentemente dos telhados de vidro (ilibados, ou não – mas da fama ninguém se livra).

Tudo isto é injustificável. É humilhante.

Não sei se já andaram à porrada… Lembram-se, os que tiveram uma infância normal, da sensação que é terem levado uma sova e, no final, já mais para o adormecido do que para o consciente, levarem com qualquer coisa que já nem se sabe muito bem o que é; se dói, se não dói, ou se estão mesmo dentro daquele filme. Pois, mas é assim que me sinto. Sinto que me roubaram o orgulho por algo que nem fui eu que fiz. Sinto-me a precisar de um banho de chuveiro quente, aninhado em posição fetal no recanto do duche.

 

E no final, sobra-me dizer o seguinte: obrigado, Rui Barros! Foste o melhor amigo que esteve sempre ali enquanto estava a ser pontapeado e a tentar defender-me com as palavras, já que não podias fazer mais nada. E é por pessoas como tu que aí estão dentro que vale a pena levantarmo-nos no dia seguinte. Todos fodidos, mas vivos e plenos de memória.

Amanha não é outro dia; tem de ser O dia.

Imbicto abraço!

 

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One thought on “FC Porto: um fim de ciclo em que até a roubalheira é indiferente

  1. É mais ou menos assim como referes. O FC Porto está a passar a ser um clube de tenros: a começar pelos seus dirigentes resignados e adormecidos até à equipa e ao treinador Rui Barros um personagem muito honesto sem dúvida, mas com um carácter muito soft incapaz de chamar os bois pelos nomes…!
    Também eu concordo que é preciso um novo projecto e um novo presidente mais actuante, contundente e pro-activo.

    Um abraço,
    Armando Monteiro
    http://www.dragaoatentoiii.wordpress.com

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