Os dois tipos de acto nobre

Imbicto leitor,

Já faltam palavras…

Hoje o dia acordou ainda mais sombrio. Hoje só sobram lembranças em consequência de ontem, que a conjuntura dos rivais levou a nossa circunstância a ser irónica; sarcástica. E, no meio desta confusão estranha de sentimentos, ainda perdido nas palavras que eu próprio disse em defesa de um treinador que já sobra, subsiste o acto nobre: de estar e manter aqueles que não devem ser abandonados no pior momento. Mas o futebol não é a vida nem a gestão pragmática se guia por esses princípios judaico-cristãos.

Há, assim, o acto nobre contrário: o de libertar o Portista do jugo da decadência.

Sim, estou, pela primeira vez, a dizer claramente que o treinador deve sair. E mais do que por culpa sua, reafirmo que Lopetegui não será mais do que o depósito decadente de defeitos aparentes, dos adeptos e da direcção. E quando no mesmo pote está a decadência directiva e a sobeja gloriosa dos passados recentes dos apoiantes pseudo-exigentes, quem sofre é o elo mais fraco: aquele que não é parte de nós e que está só de passagem e que deu a cara e o peito a todos: o treinador.

Sejamos honestos: o FC Porto pós-Villas-Boas tem sido um limbo constante em termos exibicionais. A última grande exibição de que me lembro do nosso clube dentro de portas foi a vitória sobre o Vitória em sua casa, já há três anos. Foi ali o ponto de retorno. Jogo forte, pressão dominante, jogada ao primeiro toque em tabela constante; um Barcelona em potência de aspirações desfeitas, pouco depois, pelo Málaga, nessa mentira ao futebol que nos tirou a glória dos quartos com a ausência de Moutinho e a burrice de Defour (alguém se lembra dele?). Depois disso, a decadência salva pela excepção do minuto Kelvin que, ainda por cima, nem sequer foi o ´92 como todos dizem.

Claro que houve bons jogos, mas nenhum como aquele, cá dentro. Foi ali que se coroou a classe e a competência de Vítor Pereira que hoje faz morder a mão da consciência da filha-da-putice que lhe fizeram.

Sobra assim o segundo acto. Pinto da Costa não vai deixar seguir o treinador, se houver coerência. Mas, de bom grado, que o Porto (não) é vosso coisa alguma, que siga a direcção com Lopetegui, se juntos querem aliar-se na solidariedade que ignora a realidade dos factos – esses mesmos factos que um dia recente me fizeram sem arrependimento defender Lopetegui – já que se vão abstraindo que o sucesso se faz numa equação: um líder, os executantes e o apoio das massas. Uma basta para que nada funcione.

Hoje fico-me por aqui. Certo de que só votará na continuidade quem parvo for, como quem vota num presidente de câmara sem programa pela preguiça que o passado bem sucedido e o risco do desconhecido provocam nas gentes.

E assim, o paradigma quebrou por quem quebrou o paradigma. Ou mudam, ou teremos de ser nós a mudar-vos, lembrando-vos da pior forma de quem é, afinal, o FC Porto.

Imbicto abraço

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6 thoughts on “Os dois tipos de acto nobre

  1. Caro Imbicto antevejo um resto de época penoso, de um clube em queda, com um Presidente que já deveria ter saído há uns bons 4 ou 5 anos para evitar o sair por uma porta que não será tão grande como poderia ter sido, com um treinador teimoso que insiste sempre no mesmo (se calhar não sabe mais) e que todo o crédito que lhe dei, por ter sido o único como disseste e bem a dar o peito às balas em defesa do clube, esvaiu-se nos últimos tempos. Um grupo de jogadores que não correm nem suam a camisola e uma SAD que só pensa em encher os bolsos deles próprios.
    Nunca pensei dizer isto, mas gostava que houvesse uma alternativa válida nas próximas eleições internas. O nosso Porto precisa renascer, de se abrir mais com os adeptos, de deixar de ser um ninho de abutres como é atualmente.
    Ando tão desencantado que estou a pensar seriamente em fazer uma pausa no meu blog. Já ando a escrever “por escrever” porque o tempo tem sido escasso, aliada à desmotivação desportiva, provavelmente irei mesmo fazer essa “pausa”.

    Grande abraço!

    Liked by 1 person

    1. Imbicto Pedro,

      Não és o único mergulhado no desencanto. Infelizmente, eu, o Miguel Lima e outros, começámos a evitar escrever para lá da falta de tempo. Esta fase inviabiliza qualquer tentativa de motivação, pois já se esgotaram todas. Pior, a escrever apenas para fazer reparos coloca-nos numa posição delicada, não só pelo que defendemos de Lopetegui (justificadamente, a meu ver, mas sem entendimento por parte de quem pensa diferente), mas também porque a escrever algo seria mais bota-abaixismo do que coisa outra. E isso é dispensável para lá da crítica construtiva.

      Infelizmente, atingiram-se todos os limites, num clube que fala quando está na “mó de cima”, mas que se fecha (e já nem se sabe fechar como antigamente) mal para o exterior e, acima de tudo, dando as costas aos adeptos e sócios que fazem com que o clube faça sentido.

      É triste, mas não irei para lá disto. Tudo o resto, é a óbvia opção da consciência.

      Imbicto abraço!

      Liked by 2 people

    1. Imbicto Michael,

      Só haverá alternativas a aparecerem se houver espaço e justificação para tal. Agora, parece haver. E esse foi o mal: o do deixa andar sem debate interno.
      Todos temos culpa, neste caso, porque exigimos muito, mas nunca exigimos no momento adequado…

      Imbicto abraço!

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  2. Sejamos ainda mais claros, caro Imbicto.

    O treinador Lopetegui é um zero absoluto. Podem apregoar quantas vezes quiserem que se tivesse Xavi, Iniesta e Messi seria um génio, mas eu insisto que quem tenta ir à caça com gatos é simplesmente burro. E neste momento é também um burro derrotado, desconfortável nos seus cascos.

    Outra coisa é a culpa de quem contrata um zero absoluto e mantém a aposta nele mesmo após uma primeira época degradante.

    A primeira não exclui a segunda e a segunda não exclui a primeira. São inclusivas.

    E cada coisa deverá ser tratada a seu tempo.

    Por último, sou da opinião desde AVB que não temos um bom treinador (e mesmo este, foi-o também porque “eram uma boa dupla”). VP provou ser um bom nº2 na mesma medida que demonstrou não ser treinador para o Porto. E não deveria ser agora reconhecido como tal, apenas porque os sucessores foram ainda piores. Pior do que cometer um erro é insistir nele. E claro, este ponto remete obviamente para o “segundo teorema” acima.

    Abraço portista

    LAeB : Do Porto com Amor

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    1. Imbicto LAeB,

      Discordamos em parte, pois acho que Lopetegui é um bom treinador. E acho que os números o comprovam. Simplesmente foi sugado para uma espiral que fez dele o calhau que entope a ignição.
      Em relação a VP, sempre foi a minha opinião de que é um treinador bastante interessante e de que foi, também ele, injustiçado.
      Quanto às qualidades de jogo, nada a dizer. Uma coisa é qualidade de jogo e outra os resultados; outra ainda é a sorte – como a tivemos há dois anos e meio.
      E sim, concordo contigo quando referes a adaptação da estratégia táctica aos actores curtos para tal.

      Imbicto abraço

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