Rescaldo | Chelsea 2 vs. 0 FC Porto

Imbicto leitor,

E pronto.

Numa ligeira suspeita da asneirice tão comum nos últimos jogos – nomeadamente a doer -, Lopetegui lá deu razão às minhas convicções em mudança opinativa sobre o mesmo e à multidão que, neste momento, cai sobre ele.

Renovo o que disse: a Champions perdeu-se com o Dynamo em casa e um desfecho como o de ontem só poderá ser a desculpa perfeita para quem quer, de facto, dar pau no treinador (com a razão devida, mas no momento errado), a reboque do bota-abaixismo constante e de uma imprensa nacional que está a fazer-lhe a cama de forma fofinha, ao contrário dos personagens parolos de nome biblico, divinizados na mediocridade serviçal, que elevaram, durante anos, a mediocridade saloia tão típica deste país medíocre.

Quanto ao jogo, não há muito a dizer, porque tudo foi bastante esclarecedor. Um onze inicial que colocou o café onde estava, algures entre a FEP e a FEUP, num estado de transe semelhante a uma sessão espírita. Avançado (para que te quero?) ausente em busca, ora da genialidade, ora do desastre. E o que ocorreu à grande maioria foi, de facto, o jogo em Munique e a teoria levada à prática do “inven-tanso”. Ora, nada de significativo a dizer em alturas em que as palavras faltam em defesa de um homem completamente perdido.

Porém, a revolta necessária chegará sempre no momento em que os jogadores dão tudo, mas cujo limite da amarra táctica inviabiliza e desperdiça o suor. Brahimi, ou Danilo foram o rosto de um consolo que tentou, contra tudo e contra todos, dar à equipa o que faltava. Mas nada. De nada valeu a “ombrada” de Danilo Pereira ao sabujo moderno duplamente naturalizado que o colocou a voar, enquanto Marcano descia vertiginosamente no meu grau apreciativo.

Foi pouca sorte, dirão muitos, aquele golo no início. Pá, foi, é facto, mas se alguém não prevê que o imprevisível é constante da vida, então não anda lá a fazer nada – nem que seja pelo fatalismo histórico. Sempre que vamos a Inglaterra, acontece invariavelmente uma de duas coisas: ou somos corridos à cabazada, ou alguém se lembra de cometer um erro na defesa e dar o ouro ao bandido como mote para a derrota (quase sempre copiosa). Hélton a frangalhar, Fucile a vegetar aos dezoito segundos, ou Bruno Alves a fazer das suas é parte da história inglesa; é quase obrigação. E também quase tão certo quanto as restantes variáveis é a posse; é o jogar melhor do que o resultado diz. Mas isso é nada. Não se escreve para lá da memória – e da memória apenas do adepto portista.

Deixou-me triste achar que noutras circunstâncias e com outras decisões menos “acagaçadas” teríamos levado de vencida uma equipa que, claramente, a estarmos mais bem orientados, estava ao nosso alcance – fora dos nomes que fazem do Chelsea uma das melhores formações mundiais. O momento seria perfeito, mas voltámos a falhar. E no final, resignação: não pelo resultado, mas porque era mais que certo – e isso não se trata de mudança de paradigma, mas de inevitabilidade feita barreira mental.

Estou triste. Ainda mais triste com os discursos medíocres dos perdedores que dizem – só no fim – que agora é que é; que agora é bola para a frente e que agora é que se vão concentrar. Foda-se. Agora o caralho! Ou fazem, ou não fazem. E o agora é tarde de mais – por muito que tivessem feito e esforçado.

No final, uma tristeza grande porque Lopetegui poderia ter dado o murro na mesa e dito qualquer coisa do género no seu sotaque misto: “Mis disculpas por o passado, maix ahora só paramos en final de Copa Europa. Lo prometo: ganaremos, sin maix!”. Mas nada… Apenas um “temos condixões pára”. Não pode, Lope!

Mas pronto. Agora teremos mesmo de levar a cruz até ao final. Receio que os jogadores já tenham feito a bagagem mental. Daqui para a frente, será difícil vir a ver o Porto jogar à Porto, mas já que assumimos o risco e a confiança no treinador e nos jogadores que não sairão em Janeiro, que se assuma também a responsabilidade enquanto não cair o objectivo chamado Campeonato, Taça e Liga Europa. O resto, não me interessa. Joguem e façam jogar. Limpem a porcaria que fizeram por culpa própria. Não é um pedido; é uma obrigação!

No final, fica uma lição entre dois treinadores em situações semelhantes, mas com resultados completamente opostos no momento da decisão e da aflição.

Imbicto abraço

 

 

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