A insustentável capacidade de acreditar no impossível

Imbicto leitor,

Têm sido dias complicados, estes. Não apenas por causa da derrota inconciliável com os nossos espíritos, mas com a “vitória” de muitos, a quem deste razão e “contra” quem tenho a sensação de termos feito mais do que tu – pelo menos numa certa intransigência da mensagem.

Não! Não passaste a ser uma besta. Repudio todas as declarações que fazem de ti um imerecedor de relevância e distinção. Mais um. Mais um que bateu não sei quantos recordes; mais um que trouxe uma disciplina um pouco exagerada, em algumas ocasiões, mas trouxe; mais um a apostar na prata da casa; mais um a apostar no colectivo e na posse; mais um a devolver a mística.

Também é verdade que tiveste tudo. Fizeste por ter, convenceste os espíritos estrelares da bola mais cépticos, mas não tens aproveitado o que tens nas mão. Não acho que favoreças assim tão declaradamente alguns jogadores, assim como não acho que sejas assim tão mau tacticamente. Mas querem fazer de ti mais um, Julen – e estás a dar-lhes razão, metendo-nos a nós, bloggers e direcção do FC Porto, numa bela sarilhada de antipatia, de mensagens privadas anónimas de teor duvidoso e de atestados de anti-portismo, só porque “não queremos ver a realidade”. E a realidade é uma: o mesmo gajo que bate recordes, é o gajo que falha na pior altura. E não serve para aqui o molde feito em tons avermelhados, do ano passado, porque em Belém, na Madeira, ou na mediocridade de Munique, foi o que foi. Perder faz parte, mas perder assim, não! Muito menos é parte nossa do fazer.

Sabes o que é que me dá cabo do juízo, Julen? é o facto de, tal como outros abnegados, ter acreditado que era possível, mesmo depois dos descontos. Lembras-te de Lviv, pá? Foi contigo, não foi? E depois daquela mediocridade toda, durante praticamente 90 minutos, ainda critiquei para mim mesmo os tristes que abandonavam o barco muito antes de findar o jogo, quando muitos de nós dariam tudo para ver o nosso Porto in loco, nem que fosse numa altura dessas.

Obviamente que não será isso a definir quem é mais portista do que outrem, mas ajuda a mostrar que não estás num sítio qualquer. Que há cabeças pensantes contra e a favor; talvez todas com a sua razão, mas todos, sem excepção, com alguma razão.

Não sei se vais continuar para lá de Janeiro (o mais provável é que te seguram, como sempre). Tudo depende dos “azeites”, da porcaria que fizeres noutro momento crucial e das esperas que te farão quando virem que isto é mau de mais para ser verdade, mesmo ganhando tanto e tão consecutivamente; mas perdendo ou empatando desesperadamente quando é realmente decisivo, ou desmistificador (como na Madeira).

Tal como na Política, não me passa pela cabeça, seja qual for o ente, que as respectivas decisões aconteçam deliberadamente em acto de prejuízo. São convicções, mas também há avisos. E por muito que tenhamos de gramar contigo, seja por gostarmos de ti, ou porque pode não ser acertado mandar-te embora a meio da época, o caminho das pedras não muda. É mais certo que destino e está aí. Cabe-te a ti e aos que te rodeiam saber onde estão. E se não sabem, prefiro honestidade à hipocrisia de arrastar pernas só alerta para lá fora.

Julen, junto-me ao Miguel Lima, ou ao Jorge Vassalo. Sem palavras, mas com sentimento. Se voltas a falhar, estás quilhado, mas não será por isso que o FC Porto deixará de ser maior do que a factualidade e a fatalidade. Lembra-te de que só tu tens a perder, pois o clube continua e, com ele, nós, sempre, a levá-lo em ombros, ainda mais unidos, depois de termos discutido a pertinência da tua passagem por cá.

 

Imbicto abraço!

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4 thoughts on “A insustentável capacidade de acreditar no impossível

  1. Apesar de azuis não temos que ser todos amarelos, por isso permite-me 🙂

    Só gostei do lotepegui, durante dois ou três meses. Quase acertei no nome do mesmo modo como ele quase acerta em tudo. Mas acabai por falhar no nome, do mesmo modo como ele falha em tudo.

    Dois anos com dinheiro para gastar como NINGUÉM teve, e digam-me UMA coisa que tenha ganho.

    Sabes porque não vamos ganhar a Londres? Porque temos um treinador medroso que não inspira.

    Lembram-se do mourinho em 2003 depois de perder 1-0 em casa com panatinaikos?
    Chega ao flash interview e diz este jogo está no intervalo e foi lá dar duas batatas.

    O Villas Boas depois de perder para a taça 2-0 com o benfica. Vamos lá ganhar.
    E foi lá para ganhar e ganhamos 3-1.

    O lopetegui quando precisa de ganhar tem medo. Nunca me hei-de esquecer do jogo miserável na luz o ano passado.
    Digam-me um jogo destes dois últimos anos que fique na memória e nos deixe um sorriso nos lábios, pelo futebol bonito, pelo que ganhamos.

    Alguns dirão o Bayern. Mas a verdade é que ganhamos mais pela sorte do que pelo futebol. Um defesa perder a bola e deixar o avançado acontece quantas vezes? E é mais demérito do defesa do que mérito. Só naõ seria sorte se a táctica para aquele jogo fosse: vamos roubar a bola aos defesa para marcar golos…

    Um abraço,

    (gostava de vir aqui dizer enganei-me, depois do porto ir a londres dar um banho de bola e ganhar)

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    1. Imbicto Luís,

      É, de facto, muito complicado conciliar gostos.
      Não creio que tenha havido assim tanta miséria, assim como não houve espectacularidade não é esse o modelo do treinador.
      Houve, sim, jogos em que a equipa e o timoneiro estiveram mal; francamente insuficientes e resignados com uma condição que não era, sequer, inevitável.
      A ver vamos, meu caro…

      Imbicto abraço e obrigado pelo comentário!

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