A selecção, as acusações justas e o overreacting

Imbicto leitor,

Sendo breve, a seguir apresentarei algumas razões para concordar e discordar das posições da direcção do FC Porto e dos portistas, em relação às relações estabelecidas, nos últimos tempos, entre a selecção e o nosso clube:

  • Não há nada que me faça acreditar que Fernando Santos é um “pau-mandado”, como outros – sejam eles antecessores, ou militantes noutros escalões. Lembre-se que um certo senhor bastante endeusado, por estes dias, devido à estrondosa equipa que tem, mas sem as mãozinhas que lhe atribuem, teimou, durante bastante tempo, em não incluir Rúben Neves nos sub-21, ou sequer aproveitá-lo a titular. Aí, nesse escalão, sim, o alegado favorecimento é escandaloso – tal como se viu numa fase final acontecida há poucos meses e perdida estrondosamente por manifesta incompetência, onde o nome de Sérgio Oliveira veio à tona pelo que se sabe, a propósito de uma certa substituição. Resumindo, Santos renovou a selecção e esvaziou-lhe o estatuto de “clube-dos-amigos-do-Ronaldo-que-dizem-que-é-o-melhor-do-mundo-sempre-que-estão-em-frente-a-um-micro”, deixando esse papel apenas para a SIC…
  • Rúben Neves foi, de facto, discriminado, ao ter sido incluído dois jogadores rubros completamente sobrevalorizados, que não provaram metade daquilo que Rúben provou no FC Porto, nem tiveram metade das responsabilidades que Rúben teve, no último ano e meio. Aqui, não vale o argumento das posições em campo, uma vez que outras escolhas permitem não entender o critério de Fernando Santos – nomeadamente na escolha do “Neymar Guedes” (que ninguém entende bem com que estatuto chega tão longe, só porque pertence a um clube manifestamente popular e divinizado – tal como o Brasil, que tem de ter sempre o melhor do mundo só porque é brasileiro).
  • O meio-campo de ontem, contra o Luxemburgo, era composto pelos elementos habitualmente titulares no FC Porto, o que levou a uma revolta pela parte da SAD, ao não ter poupado e gerido esses elementos – não devidamente, mas comparativamente. E este é o problema. Não concordo com a SAD. Em primeiro lugar, devido ao facto de muito dificilmente virem a jogar no próximo fim-de-semana; em segundo lugar, devido ao facto de estarem tapados por outros jogadores que, habitualmente, têm outro entendimento no jogo da selecção; em terceiro lugar, porque lhes foi dada uma oportunidade para justificarem as respectivas chamadas; em quarto lugar, porque seria escandaloso perder com o Luxemburgo – tal como foi perder com Cabo Verde, por falta de ligação entre os elementos do meio-campo. Lembre-se ainda que os elementos a quem se compara a utilização e que são dos clubes adversários, são habituais titulares e, diga-se, a maioria deles, de forma justificada (à excepção de Eliseu, que ainda ninguém percebeu muito bem se está a jogar à bola, ou a fazer corredores para perder peso).
  • O batatal luxemburguês poderia ter dado outros resultados… E aqui, sim, poderia ter residido o argumento da direcção do FC Porto. Altíssimo risco de lesão, saturação precoce, um adversário com clara falta de timing de entrada à bola devido à falta de atributo técnico. Esta factualidade merece críticas.

Não irei muito além disto por falta de tempo e, acima de tudo, porque ajuda a formular uma discussão que deve ser feita em relação às selecções. O uso de jogadores para fazer dinheiro, levando-os para os confins do cú-de-Judas, ou o favorecimento de uns clubes em relação a outros, deve colocar a nossa direcção em sentido. Porém, não vejo razão para tanta revolta devido aos argumentos aparentemente apresentados, sempre de forma comparativa, ora queixando-se de não existir chamada de jogadores do FC Porto à selecção, ora por serem utilizados de mais. Há que haver uma certa coerência e não aproveitar estes momentos para criar ainda mais anticorpos, só porque Fernando Gomes anda por lá – e já agora, independentemente do relacionamento entre o senhor e o FC Porto, uma palavra de atenção ao seu estado de saúde não ficaria nada mal, tendo em conta a gravidade da situação…

Já sei que serei criticado, mas é o meu entendimento. Há, factualmente, discriminação em relação a Rúben Neves tendo em conta outras chamadas. Não concordo, ainda assim, com a natureza dos argumentos apresentados. Acrescento ainda que apesar de Rúben Neves ser indiscutivelmente um talento ímpar, está numa das posições onde existe maior qualidade e mais oferta – seja a 8, ou a 6. De novo, entra em cena o argumento comparativo – não com os actores principais da selecção, mas com os adversários directos. Isto, nada tem que ver com a crítica merecidíssima em relação a casos como o de Quaresma, no tempo da outra senhora de penteado duvidoso com dicção híbrida.

Imbicto abraço!

 

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3 thoughts on “A selecção, as acusações justas e o overreacting

  1. Caro amigo Imbicto. Não retiro uma vírgula ao que disseste. Penso que neste momento a nossa SAD critica por criticar. Critica porque declarou guerra ao Presidente da FPF e tudo serve como arma de arremesso.
    Também não vejo em Fernando Santos um “pau mandado”. Vejo é um ódio visceral a alguém que já foi membro da nossa SAD (Fernando Gomes) e que por algum motivo (que desconheço por completo) levou a que exista este clima de guerrilha para com ele.

    Grande abraço

    Pedro Sousa

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