Rúben Neves: a importância do enquadramento e dos paizinhos dos jogadores

Imbicto leitor,

Francamente, não sei bem como começar esta reflexão…

Estive para escrever sobre o tema, ontem. Porém, acabei por não fazer nada pois poderia estar a interpretar mal a coisa e atribuir uma certa injustiça a um episódio que passou relativamente despercebido aos portistas. Falo, pois, das palavras do pai de Rúben Neves, aquando da distinção como Jovem Promessa do Ano.

Não sei dizer bem por quê, mas não me soou bem… Houve ali uma pontinha de estranheza no meu entendimento das declarações, sem que tenha descortinado qualquer maldade, obviamente!

Bom, em primeiro lugar, pode escutar-se aqui o teor. O pai de Rúben Neves, justificadamente orgulhoso, disse que que Rúben “pode chegar muito longe”; “ao topo, mesmo”. Nada de mais. O homem tem ambição e os projectos que todos os pais fazem para os filhos – confundindo a sua vida com a deles, sem qualquer tipo de maldade (nas cabeças mais sãs), querendo, sempre, o melhor para o rebento -, são o lado natural das nossas vidas. Mas percebi ali qualquer emancipação voluntariosa… Uma certa ansiedade reprimida num discurso ainda robotizado e pouco fluido de quem não tem calo nestas coisas. Reparei, mais do que na forma, no conteúdo e na maneira como se referiu quase de forma despegada ao FCP, numa frase do género: “no clube onde se encontra – neste caso o FC Porto”…

Outra questão bastante interessante é a do mérito. Facto 1: Rúben é um fora-de-série; facto 2: Lopetegui apostou nele e gere o seu talento de forma ímpar.

Sem retirar mérito a Rúben, nada disto teria sido possível sem o precioso contributo e olho clínico de Lopetegui, depois de na pré-temporada passada Mikel ter-se lesionado gravemente e ter cedido o seu lugar à escolha do treinador por Rúben, ainda a meio dos seus dezassete anos. Num momento desses, sei de poucos, muito poucos que tivessem dado a hipótese que hoje se revela frutífera e extraordinária. Isso é mérito de Rúben, de Lopetegui, da estrutura e das gentes que apoiam, ou não, as escolhas.

Rúben é o símbolo que pode ter salvo o FC Porto de uma tendência que o treinador e a direcção quiseram reverter e, por muito mérito que tenha, numa qualidade futebolística e numa inteligência de jogo e maturidade incomuns, duvido que noutro clube “de topo”, “de topo, mesmo”, alguém com as suas características pudesse ter vingado. Há poucos casos – e quantos não soubemos?

Por último há um facto terrivelmente revelador: a leviandade com que se atribui a braçadeira. Apesar de ser um símbolo, demonstrações de leveza de espírito levaram o pedaço de pano com velco cheio de mística e responsabilidade a braços pouco convenientes, nos últimos tempos. Não que nos braços do jovem seja inconveniente, mas será o momento?

Por isso, calma. E que a coisa não suba demasiadamente à cabeça de quem o rodeia, para que a ambição nunca se torne desmesurada e devastadora por culpa de todos.

Espero, sinceramente, que, ao contrário de outros exemplos, o pai de Rúben Neves continue a ser Pai e não venha a ser paizinho, fazendo dele a referência que merece, no devido tempo e com a devida estabilização.

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “Rúben Neves: a importância do enquadramento e dos paizinhos dos jogadores

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