Duas faces; a mesma moeda: Casillas, Maximiliano, Layún, Tello, Brahimi e Herrera

Imbicto leitor,

O FC Porto é um clube cada vez mais global. O prestígio inevitável da Champions resultante das boas prestações nesta competição, bem como o número de vezes que, no último quartel de século, demonstrámos ser, indubitavelmente, a melhor equipa portuguesa – o que, para muitos, é mau, uma vez que quantidade é sempre melhor do que qualidade – afirmou a nossa natureza de clube de topo internacional.

Ora, é desta forma que as equipas se constroem, com base em expectativas: da direcção, do sócio/ adepto, do jogador, do patrocinador e, claro, do respectivo retorno – seja ele desportivo, ou financeiro, não deixando de ser o segundo uma consequência do primeiro.

E assim surgem as equipas de topo: locais onde todos querem jogar, por referência, colagem ao estatuto, remuneração, oportunidade de jogar em grandes palcos, com os maiores, sem que os campeonatos nacionais convertam um qualquer clube português num Basileia, num BATE, num Apoel, ou num Rosemborg (imbatíveis e consecutivamente invictos dentro de portas e indiferentes fora delas). No FC Porto exige-se ganhar sempre! Independentemente do palco, ou da competição. Assim se forma um clube vencedor, respeitado – até mais lá fora do que cá dentro. E isto, meus amigos… Isto mexe com qualquer jogador.

Esta espécie de introito surge a propósito da entrevista de Maximiliano Páez à Dragões, amplamente destacada pel´O Jogo de hoje. Não entrarei em pormenores. Está tudo lá.

Capa O Jogo - 30 de Outubro

É desta forma que temos duas dimensões de jogador – sinteticamente falando: o jogador maior do que o clube e o jogador como parte do clube.

Neste tipo de temática surge, inevitavelmente, Quaresma, uma espécie de híbrido, como parte voluntariamente integrante e defensora do FC Porto e da sua mística, mas, ao mesmo tempo, refém da inultrapassável sedimentação bajulatória ao seu talento que ficou amplamente por cumprir de forma justa – por culpa própria.

Quaresma já não está e este curto exercício não pretende ser um ataque a qualquer jogador, mas antes a exemplificação do binómio ego/ espírito de equipa, mesmo que, não raras vezes – e perdoe-me o clube -, a estrutura não tenha tratado da melhor forma alguns jogadores que deram muito à equipa.

Começando por Herrera, é óbvia a constatação de alguém que veio quase tarde de mais para rectificar as declarações que teve, ainda antes de chegar, tendo o FCP como mera ponte de passagem para o Manchester. O destino e a falta de talento dos “reis em terra de cegos” encarregou-se de o fazer trazer à realidade e de o colocar, infelizmente, numa situação difícil, curiosamente, naquilo que pretendia que o Porto fosse, mas não mais quis que assim acontecesse. O imbróglio representativo de que se dizia envolver o próprio filho do antigo PM britânico, Blair, não fica por aqui e, neste momento, é mais a vontade de ter lucro do que, propriamente, tornar Herrera numa referência, ou num símbolo, nessa banalidade da atribuição da braçadeira que hoje se verifica…

Mais recente é o exemplo de Brahimi. A treta subiu-lhe à cabeça e teve mais pernas que o próprio. Não faltou muito até se ver num Bayern, o lugar à altura do seu verdadeiro “merecimento”. Deu a mão à palmatória, mas ficaram as memórias. Infelizmente, para Brahimi, por muito bem que jogue e por muita entrega que tenha até se lesionar “à Robben”, as Imbictas gentes do FCP não têm memória curta… Eu e o Imbicto Pedro, pelo menos, não a temos…

E depois há o outro lado…

Layún começou tímido. Inacreditavelmente, passou ao lado de uma carreira francamente aquém das suas capacidades exímias que vai mostrando no palco do Dragão. Esta espécie de Defour – tirando a mania, a fisionomia e o caminho profissional inverso – começa, aos poucos, a render-se ao FC Porto. Discreto, segundo dizem, o sósia do Adam Levine tem uma personalidade tranquila e traz ainda consigo o poder da notoriedade como exemplo de um daqueles que teria boas razões para achar ser o maior, nem que fosse pelo “Social-Media-bite” superior ao do clube e pelo facto de ser, há muito, considerado como ídolo no seu país, o México. E segundo dizem, quer ficar…

Por último os dois casos mais paradoxais: Tello e Maximiliano Páez.

Tello tinha todas as razões do mundo para ser um profissional mimado. Vindo daquele que, para mim, é o melhor clube do mundo a seguir ao FC Porto, o Barcelona, afirmou-se como promessa efectiva em vários jogos da La Liga e da Copa do Rey, tendo actuado como titular em vários, junto de Messi, Iniesta, Xavi, ou outros. Um grande jogador que não se afirmou devido à concorrência e também, diga-se, a uma certa indefinição na forma de jogar.

Carimbado de estrela promissora, chega, humilda-se, sente e representa. Difundiu a famosa #VamosPortoCaralho e incorporou, como poucos, o espírito de sempre do Dragão.

tello caralho

Facto: haverá quem diga que a vontade férrea do jogador em ficar é uma tentativa de escapatória aos palcos secundários, fora do topo competitivo, devido à falta de oportunidades, mas a verdade é que o jogador já percebeu que não é por aí e que, com calma e cabeça chega a momentos como este. O empresário, pelo menos para já, ajuda…

Já quanto a Maximiliano Páez, a história é outra…

O uruguaio quis cumprir a tradição e não acabar a carreira em Portugal sem passar pelo melhor clube do país. Tendo como exemplo Fucile, ou o Cebola – como o próprio afirma – resolve mudar para ares mais puros e, aos poucos, torna-se num ser irreconhecível – ainda que fisionomicamente semelhante ao anterior. A boca dispara coisas diferentes – de jeito e com nexo – e a entrega aos jogos começou a fazer sentido, numa filosofia de clube, como o FC Porto. Hoje, quer ser parte integrante da manutenção do espírito de clube, desobstruindo a prisão verbal e mental que, durante oito anus (como diziam os Romanos) o privou…

Não deixarei de ficar pouco convencido com a atribuição do número que carrega em peso nas costas, mas se Obama e a Comissão Europeia ganharam o Nobel à espera que confirmassem fazer algo que, na verdade, nunca justificaram, por que raio é que o dois não ficaria bem a Maxi? Porém, mantenho tudo, mas tudo o que disse até hoje, até que este novo Maximiliano Páez cumpra aquilo que lhe foi designado, corrigindo, aos poucos, as declarações de representatividade e simbolismo medíocre que prestou.

Não conseguiria deixar de relembrar Casillas. Já aqui falei sobre o seu processo de integração. Mas vale sempre a pena lembrar de onde vem e o que tem feito, ou dito, em prol do clube.

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “Duas faces; a mesma moeda: Casillas, Maximiliano, Layún, Tello, Brahimi e Herrera

  1. o 2 como que assim um nobél 🙂 esse parágrafo é im-bí-que-to!!

    e tudo dito sobre o Layun, é dar-lhe a pasta da comunicacao, a conta do twitter e um parágrafo no DD 🙂

    um abraco
    (nao comentarás sobre o victorio paez, nao comentarás sobre o victorio paez, …)

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