Previsibilidade

Imbicto leitor,

Previsibilidade: é o que mais se escreve, por estes dias.

A verdade é que nem parece que ganhávamos há vinte jogos seguidos, em casa. Empatámos; não perdemos e fizémo-lo contra a lógica da “matemática do pontinho”. Não porque o Braga assim jogue, mas porque é necessário jogar assim para tornar o FC Porto nessa tal equipa previsível a quem se arranca facilmente nervosismo e derrapagem – muito motivado com um factor que os nossos adversários começam a perceber: a ansiedade dos nossos adeptos. Foi assim com o Braga, foi assim na Madeira, mas não foi assim em Munique…

Neste momento, há uma clara massa de pressão que tenta arrastar Lopetegui para a saída. A verdade é que o treinador do FC Porto gosta de esquecer-se do local onde está. Aliás, o seu grande defeito tem sido precisamente tratar todos como iguais, respeitando em demasia as equipas que defronta, dando como sinal eventual de cautela extra uma alteração táctica na Champions.

No último domingo, Lopetegui jogou com os indicadores que os jogadores foram dando. Tello estava em crescimento, Layún era escolha óbvia para substituir o castigado Maximiliano e Cissokho jogou na obrigatoriedade do seu vínculo contratual e propositado para a posição, na falta de um Indi a fazer as vezes de outro lesionado, Maicon. Sim, Rúben é acusação a fazer, mas seria resumir todo o FC porto à sua presença, até porque o seu substituto fez um óptimo jogo.

Houve erros de análise, obviamente. Mas tudo é bonito quando acaba bem.

Tello não esteve à altura, Brahimi é um menino de cristal ao estilo Robben e vem sempre desfeito dos jogos nacionais. Corona está ainda muito preocupado em ser Quaresma e a demonstrar valor porque ainda não entendeu bem o que dele se pede – nem teve tempo para fazê-lo. Àbombakar não tem tido espaços – afinal de contas, deixaram-no à vontade nesse menosprezo característico de quem o comparava insistentemente ao insubstituível Jackson. Deu no que deu, enquanto durou…

Lopetegui provou já conseguir tornar projectos de jogadores em factos consumados. Foi assim com Óliver, na sua fase antes e pós-FC Porto-de-Lopetegui; foi assim com Casemiro, nessa sua indefinição de transformar potencial caceteiro em sumo; foi assim com Rúben – e está a ser; foi assim com Alex Sandro e com Danilo, que, finalmente, mas de forma mais discreta, afirmaram o seu futebol superior sem tretas e períodos de seca; e até foi assim com Quaresma!

Os portistas, tal como qualquer adepto de grandes clubes europeus, têm um problema grave: deixam suplantar o imediatismo e necessidade da superioridade evidente à memória e à construção cultural de clube. É isso que faz muitos assobiarem, numa interpretação precipitada e pouco preocupada com factos, mas mais com necessidades imediatas de resultado. Foi assim com Vítor Pereira, sem a mesma afirmação de Lopetegui, pessoa de quem todos passaram a ter saudades e a referenciar como extraordinário e marcante logo após o momento da partida, ou da eventual mudança para um rival.

Quanto ao título – porque isto anda tudo ligado…

Simples. O FC Porto é previsível. O FC Porto, o Barcelona, o Bayern, o Bilbao, o PSG… Todos estes clubes têm uma ideia enraizada de jogo.Todos estes clubes tornaram-se referências por serem iguais a si mesmos, em estilos de jogo de posso praticamente incomparáveis e inimitáveis. Só é possível jogar deste modo como construção de uma identidade, de anos e anos a fio de cultura futebolística de referência desde as bases. É jogo de posse, de controlo, só contraditável no inevitável recurso à defesa e ao tempo morto. Só assim é possível vencer estas equipas, ou então, quando jogam entre si, num equilíbrio táctico suplantado pela arte dos seus intérpretes.

Sim, o FC Porto é previsível. E nessa previsibilidade há apenas uma coisa a mudar: os “cojones“. É com eles que jogas contra o BATE. É com eles que arriscas e fazes com que um jogo deixe de ser aborrecido no para o lado e para trás e passe a ser aventureiro. Esses cojones provaram ser a resposta, num respeito que se subtraiu ao adversário que só nos quer empatar. Esse adversário não merece ser respeitado. Pede para ser esmagado em remate como o puto manhoso virado contra a parede do pavilhão a levar boladas. E tudo isto só é possível se, sem prescindir da identidade, se apostar em quem tanto tem estado no banco para provar que rodar, quando é bem feito, é resultado certo.

Somos previsíveis e ainda bem. Sem isso, não seríamos o Imbicto FC Porto.

Imbicto abraço!

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7 thoughts on “Previsibilidade

  1. Olá amigo Imbicto. Não deixando de te dar alguma razão no que escreves, não posso deixar também de dizer que essa previsibilidade que falas não é sempre boa. Falta-nos velocidade de execução no último terço do terreno. Os clubes sabem que nós gostamos de trocar a bola, mas também sabem que na hora de rematar, raramente o tentamos. Só o fazemos com certezas, Nunca arriscamos. Lembraste do golo do Kelvin? Com JL nunca aconteceria porque do sítio que ele recebeu a bola não se iria atrever a rematar. Já para não falar das bolas paradas que somos pouco mais que um zero nesse capítulo. E esse previsibilidade é a que mais me preocupa.

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  2. eu nem acho que faltem cojones, e acho que o hombre ve bem as subsituicoes quaise sempre (por vezes é como comprar meloes, mas ele acerta 95%), só me custa é que nao se vejam nos primeiros 20 minutos de jogo… ele nao foi treinado por sir robson tb?

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