Um jornal de referência(s)

Imbicto leitor,

Habituei-me a ouvir em rebanho certas coisas. Muitas coisas. Coisas boas. Coisas más. Coisas insignificantes. Coisas importantes. Nada. Igual a nada. Não mais que ecos em ricochete. E assim se compõe o ramalhete.

Uma dessas coisas é que o Expresso é “um jornal de referência”. Uma referência que escreve um texto à pressa para dizer (aproveitem enquanto não corrigem, porque agora está na moda lançar notícias de referência com erros de referência) coisas de forma referencial.

Não somos nós que o dizemos: é que o jornal britânico “The Telegraph” decidiu, num ranking em que avalia esteticamente os equipamentos dos clubes que este ano disputam a Liga dos Campeões, coroar o FC Porto como detentor do equipamento mais bonito.

Obviamente que a referência referencia opiniões. Assim é que se faz, como se deve. Para além do mais, alguém, algum dia, imaginaria o Expresso a dizer tal coisa? Blasfémia da isenção!

O equipamento do Benfica não se encontra no pódio para acompanhar os dragões, mas, do seu 12º lugar, é classificado como “majestoso”

Deliciando implicitamente a referenciada expressão: “vitória moral” – não sei se pelo nome da ave, ou se pela palavra tão abordada no teor legalista – faz eco escrito esse elogio bonito e comparativamente parvo, na tentativa descortinável de não perder nem a feijões; pois quem assim perde, a feijões, deixa cheiro.

E por falar em cheiro…

Os dragões podem ficar contentes com a classificação atribuída ao seu equipamento principal. Mas convirá recordar a contestação que o equipamento alternativo da equipa mereceu quando as primeiras imagens foram conhecidas. Se fosse feito um rqankinh idêntico qual seria o lugar atribuído à camisola e calções castanhos, com listas em azul turquesa?

rqankinh“??? Ah! Já percebi! Trata-se de uma clara referência aos grunhidos de Ricardo Araújo Pereira quando o próprio referencia uma situação estranha, ou, quiçá, repugnante – coisa que, por sua vez, é uma referência ao Steve Carell e à paralisia oral num filme giro. Neste caso acima, com a palavra: ranking.

Uma vez mais, o jornal continua a provar que se referencia bem, especialmente no argumento oposto – talvez para equilibrar bem a coisa do muito bom com o muito mau.

E assim segue para bingo, num portugal estranho, de lugares comuns curiosos onde gente importante vê referência até para argumentário político.

A escrita segue assim aqui, em link, referenciada, em nome dos bem remunerados e devidos direitos de autor sem revisão. Tudo porque, como diria a referência acima: “isto é tudo muito bonito mas…“.

Fica um erro da referência, Expresso, ou uma referência ao erro expresso. Hoje em dia, vai tudo dar ao mesmo nesse neo-relativismo. Afinal de contas, já ninguém se chateia (nem mesmo eu…) e errar é humano, até mesmo para aqueles que são pagos para evitar fazê-lo.

E por isso é que continuarei a ler o jornal, tendo-o como uma das minhas referências. Falta é saber de quê…

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “Um jornal de referência(s)

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