Rescaldo | FC Porto 2 vs. 1 Chelsea

Imbicto leitor,

Fantástico!

É isto que se espera da nossa equipa. No entanto, há uma dúvida que me atormenta: como é que isto é possível, depois de termos mudado 2/3 da equipa há meses?

O FC Porto das grandes exibições mostrou-se ontem; não digo é que tenha voltado. Uma certa bipolaridade justifica a forma de estar de uma equipa com um potencial tremendo e que tem tudo para ser melhor do que a do ano passado, como tantas vezes tenho defendido, neste espaço. É imperioso que o nosso foco principal volte rapidamente e que o objectivo de uma época para Lopetegui, ou para os jogadores, seja mais do que passar a fase de grupos da Champions.

Ontem, foi um dia épico. O Chelsea “fraquinho” esteve muito perto do seu melhor. Muita organização, posicionamentos quase perfeitos e movimentações exímias, tendo como pedra de toque Diego Costa. O brasileiro matamorfoseado espanhol demonstrou, ontem, todo o seu potencial, como é exemplo o remate indefensável à barra, já a meio da segunda parte. As suas desmarcações e a forma como desequilibra com um toque são incomuns, de facto, apesar da sua tendência para a violência gratuita e de uma agressão a Àbombakar que poderiam bem ter ditado a sua expulsão, no primeiro tempo.

Quanto ao jogo e aos destaques, colocaria Brahimi, Rúben Neves e Casillas no topo. Sabendo do reconhecimento do guarda-redes em ter podido fazer mais, para mim, neste caso – e sem suspeita de defesa, já que lhe aponto sempre os erros que acho serem pertinentes – tem a desculpa de não ter sido bem auxiliado na barreira. É notório o afastamento compulsivo de Maxi, precisamente na zona onde passa a bola, depois de tanto aviso do espanhol. De resto, foi dele parte significativa do triunfo de ontem, ao salvar com duas excelentes defesas em momentos fulcrais, o destino menos risonho que nos poderia ter esperado.

Rúben Neves esteve tremendo. É já difícil arranjar palavras. Uma classe muito particular que está a torná-lo num jogador único e completo – ainda para mais com a vantagem de respirar Porto. Não sei se ficará cá por muito tempo. Espero que sim, pois o que se viu ontem arrumava as memórias do melhor Casemiro na gaveta, numa simbiose de Costinha com Fernando. Simplesmente fantástico nos cortes – alguns dos quais com passe orientado (muito, muito difícil e ver). Temos aqui uma pérola e um sub-capitão à espera do inevitável, para meio-mundo ver.

Brahimi esteve ao seu melhor nível. Incursão pelo meio, desequilíbrio, costelas traçadas ao adversário e passe. Grande noite do argelino que será, naturalmente, o próximo grande negócio do FC Porto, numa cláusula de rescisão recém aumentada, mas que acredito que não fique pelos 60 milhões…

Outros destaques para André André, Àbombakar e Imbula. O francês vai calando os espertalhões e os visionários catastrofistas de serviço. Muito perto daquilo que lhe conheço do Marselha – mas ainda não está lá. Aquela jogada no final do jogo em que leva meia equipa do Chelsea atrás e que aguenta todo o tipo de corte e falta (até a de Matic, já que a jogada termina com um mau passe) define Imbula. Ele é aquilo, mas em fases difíceis do jogo. Pode bem ter dado o K.O. que faltava a Herrera e agarrado a confiança do treinador e dos adeptos mais ansiosos e aparvalhados.

André André marca um golo e deambula como ninguém. Faz um jogo tremendo na contenção e nas fases sem bola. É quase invisível – daí não “estranhar a estranheza” de muitos ao não lhe reconhecerem o que, de facto, faz. É uma espécie de “Noob Saibot” do Mortal Kombat – aquele ser oculto que pode aparecer onde menos esperas a qualquer momento para resolver, tendo tudo controlado.

E depois, claro, o homem bom: Àbombakar. Que colosso. Ontem, na SIC, o jogador deixou de ser “insuficiente” e “sem a classe de Jackson” para passar a ser “um jogador que dá o que Jackson não dava porque falhava muito”. Amigo Àbomba, uma vez mais, em meu nome e em nome daqueles “bluegosféricos” que te “protegeram”, obrigado! Mas nunca nos enganaste…

De resto, Maicon marca um belo golo, mas oscila entre o tremendo e a desgraça; Marcano está a transformar-se num ser que não conhecia, ao errar tantas e tantas vezes; Indi está em curva ascendente; Maxi é sempre constante e, agora, bem menos caceteiro e bem mais jogador; Danilo está a melhorar na impetuosidade e foi essencial nas leituras do meio-campo; Layún entrou bem e prova a sua versatilidade “Defouriana”, mas com mais qualidade e menos mania que é o maior; Osvaldo prova que está à espera de qualquer oportunidade para fazer esquecer Àbombakar; Evando não se mostrou muito, mas teve méritos ao não fazer notar Rúben em falta num momento tão crítico do jogo.

Ainda a destacar a arbitragem miserável de um senhor parecido com o Iniesta do qual nem sequer me dou ao trabalho de saber o nome. Um penalti claríssimo provocado por Marcano e que prova que aqueles palhaços de linha têm tanta utilidade quanto os insufláveis de Bielsa; uma dualidade de critérios constante, sempre em prejuízo do FC Porto, onde os jogadores do Chesea faziam tudo o que era imaginável sem que nada lhes acontecesse, tendo provocado, inclusivamente, momentos de grande perigo à nossa baliza; cartões e mais cartões e um sprint inqualificável em direcção a Lopetegui…

Pinto da Costa, Hélton e Lopetegui merecem um destque particular.

Hélton foi fantástico no apoio constante à equipa. Chamou a atenção para posições no campo, pediu calma, sorriu. É, de facto, um elemento essencial e único neste Porto.

Pinto da Costa voltou aos seus melhores momentos, ao criticar a FPF – desta vez com pertinência – e ao deixar os jornalistas espanhóis a falar para o boneco na questão Casillas.

Por último, Lopetegui. Ontem jogava-se muito, para o técnico espanhol: a sua imagem em Espanha, a sua competência nos grandes jogos e a sua gestão. Lopetegui lançou uma “operação de charme” ao elogiar o futebol português e Pinto da Costa como forma de rematar um trabalho de competência inquestionável, ontem. Arriscou, colocou dois avançados e equilibrou a equipa num momento difícil, depois de Mourinho apostar tudo, tendo sido obrigado a recuar no intento, depois das manobras de Lopetegui. Por agora, está a salvo, outra vez, mas qualquer descuido no campeonato pode ditar o recomeço de um descontentamento que irá, necessariamente exigir cabeças roladas…

Agora é esperar pelo Belenenses, rodar um pouco a equipa e mostrar que, para o ano, queremos estar na Champions, no pote dos campeões.

Imbicto abraço

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10 thoughts on “Rescaldo | FC Porto 2 vs. 1 Chelsea

  1. Concordo com quase tudo. O Porto ganhou porque teve o Aboubakar ao seu nível habitual e o Brahimi ao nível que devia também estar em quase todos os jogos. Não gosto de jogadores que só jogam em grande nos jogos grandes,

    E ganhou apesar do Lopetegui mais uma vez ter mostrado medo a encher o meio campo e a jogar para o empate. O Lopetegui só pensa em salvar a honra e não perder, e com isso não perde mas não ganha nada.
    Nunca lhe hei-de perdoar a forma como o ano passado foi jogar à Luz à defesa para não perder quando tinha que ganhar.
    Como nunca me hei-de esquecer da forma como o Villas-Boas foi jogar à Luz na segunda mão da taça depois de ter perdido em casa dois zero. Diferenças ….

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      1. Ok, gosto de malhar no basco 🙂

        Mas a questão não tem a ver com as champions, o gajo a menos que esteja a jogar com o vizela, comporta-se como se fosse o vizela.

        O ano passado na luz para o campeonato em que o único resultado que interessava era ganhar, o aboubakar só saiu do banco aos 95 minutos para ir tomar banho. Quem não soubesse e olhasse para o jogo pensaria que 0-0 era bom resultado para o porto.

        E quando o Moreirense empatou o jogo, que faz ele? Eu a pensar que iria incentivar a equipa a ir à procura da vitoria, e em vez disso foi-se sentar no banco desanimado.
        Grande inspiração!

        Se há jogadores à porto, também há treinadores à porto, e o lopetegui não é um deles.

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    1. Imbicto amigos,

      Como sabem, sou defensor de Lopetegui. E só o defendo por uma questão que, para mim, é essencialmente de injustiça face à interpretação do seu desempenho como treinador.
      Reitero que considero Lopetegui um excelente técnico – ou nada daquilo que ontem, ou em casa com o Bayern, se passou, teria acontecido da forma como aconteceu. Há um conhecimento profundo dos momentos do jogo, tendo nós, adeptos, depois da perda do campeonato, começado a exigir mais dele. E é essa pressão que tem semeado uma certa mudança de atitude no treinador.
      Reafirmo ainda que há duas outras razões que fazem com que os resultados internos (da parte exclusivamente sua): a táctica “mutante” defesa-ataque que varia e funciona bem em jogos grandes, mas mal em jogos pequenos (ou com equipas que gostam de jogar pequeno, contra o FCP, como foi bom exemplo esse slb-FCP do ano passado) e ainda o seu nervosismo e linguagem corporais, que, quando a coisa começa a correr mal, alastra aos jogadores.
      Tudo o resto que muitos dizem parece-me injusto. Bastante injusto. Mas é facto: a margem de manobra é inferior e o treinador sabe disso; tanto que vai cultivando o lado emocional quando o prático falha.

      Imbicto abraço!

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  2. Meu caro, vimos o mesmo jogo. Apenas lhe passou despercebido que, ANTES do lance da mão na nossa área, há mesmo um penalty que envolve o Marcano. Na outra área, no ressalto da bola ao poste do Danilo. Penalty e expulsão! Haveria mais jogo depois disso?
    Abraço

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