Rescaldo | Moreirense 2 vs. 2 FC Porto

Imbicto leitor,

Eu bem tinha pressentido, no final do último post. É factual, existe uma espécie de combinação cósmica que deixa as equipas que têm jogos internacionais dias depois, aparvalhadas. Neste caso, irremediavelmente aparvalhada.

Todos viram o que se passou ontem, nem vale a pena comentar, pois o problema é sempre o mesmo. Se recuarmos a outras alturas teremos essa mesma análise, contando, desta vez, com três factores novos: a vontade de ganhar quando  a equipa se coloca numa posição em que pouco mais há a fazer (em relação ao ano passado); a habilidade técnico-tácnica de Leal, treinador do Moreirense que, de facto, sabe montar muito bem as suas equipas num estilo de jogo discutível, mas que não lhe deixa alternativa, face ao desnível teórico; ainda o facto de Lopetegui ter arriscado tudo, não só na última substituição, colocando dois avançados e menos um defesa (que nunca tinha visto a jogar tão mal :O), bem como fazendo uso de Herrera como uma espécie de referência de meio-campo (acorda, Lope!).

Há um certo síndrome que tantos caracterizam como bipolar, mas que eu prefiro retirar ao factor “fora”, pois não me parece que assim seja. Se repararem, todos, mas todos os jogos característicos desta forma merdosa de estar, detêm no seu desafio uma pressão psicológica a posteriori que se transporta para o momento e que, coincidentemente, tem sido em jogos fora. Basicamente, esta equipa lida mal com a pressão vindoura e alimenta a expectativa ainda antes das coisas acontecerem, trazendo para jogos que antecipam outros ainda mais importantes todo o peso do futuro, como uma “pita” adolescente. Resta, assim, esperar que asneira aconteça, naturalmente, em particular nas paragens cerebrais da defesa.

E depois há outros factores óbvios. Primeiro vamos aos jogos…
Se recuarmos ao ano transacto, o jogo do Belenenses salta à memória, quando no meio de tanta passividade e comodismo a equipa bloqueia após o golo, facilita e entra em “modo: next“. Neste caso, o “next” era o jogo do título, depois de se saber – por muito que se tenha negado – que os jogadores desconheciam que o clube “encarnado” estava a encalhar em Guimarães.

Já neste ano, o jogo com o “Marétmo” voltou a ser sintomático. Aqui, não foi preponderante o jogo seguinte, mas o tal “mal da ilha” que parece carecer de exorcismo à bruta, versão Merrin ´73. Depois, com o Arouca, tudo foi normal (porque será?). E depois vem o Dynamo e a seguir ao Dynamo viria o jogo da semana passada. Ontem, havia, novamente, uma equipa a pensar no jogo com o Chelsea, após o golo. Foi-se gerindo e, de repente, deu-se tudo até rebentar algumas pernas, quando pouco havia a fazer. Aconteceu, assim, o que todos, ao tentarem gerir as coisas, não queriam que tivesse acontecido (as lesões, a derrota e o esforço).

Obviamente que nestes jogos há o factor sorte e, mais que isso, o factor Lopetegui. Começo a achar que a postura do nosso treinador transporta uma carga de nervosismo demasiadamente grande. O nervosismo, as reacções, as caretas, os protestos. Creio que Lopetegui ajudaria mais a equipa se revisse, para lá dos jogos dos adversários, a sua postura, pois uma coisa é incentivar, outra é gritar desalmadamente sem que alguém faça o que diz. E o problema é que diz muito e diz coisas certas, como os mais atentos sabem.

Poderão achar que culpo o treinador, porém, não creio que ontem tenha sido sua culpa em percentagem total. O treinador apostou alto, arriscou, fez o que todos sempre lhe criticaram. Rodou de forma contida e ainda deu minutos preciosos a Osvaldo que, claramente, merece mais, numa exibição impecável para quem não tem jogado com a equipa. Talvez a opção fetichista por Herrera tenha causado grande parte da pasmaceira. Marcano jogou como nunca tinha visto e Casillas lá deu um brinde depois de uma defesa incrível. Mas isto é jogo. Tal como é a tal componente psicológica que urge ser trabalhada, começando pelo treinador. E não me parece, sinceramente, que o argumento da juventude vingue, para a equipa.

A destacar, só mesmo Osvaldo, Maicon e André André. Corona esteve também a um nível bastante interessante e Layún já se entendeu mais incorporado no todo.

Os golos foram fenomenais. O de Maicon faz lembrar uma espécie de imitação em menor escala e com o pé (e parte dele) oposto do golo Robrto Carlos, contra a França. Já o de Corona, faz lembrar o de Quaresma contra o Nápoles, mas num grau de dificuldade ainda maior, devido ao espaço que mais parecia um mato grosso.

Pela negativa, o regresso da lateralização, da cabeça no ar e da pressão alta que não funciona, porque é mal acompanhada, no meio-campo, abrindo-se uma cratera de segunda bola à espera de ser perdida. Os 75% de posse é nada quando nada se sabe fazer com ela. E se há artigo que explica muito bem o que penso, é o do Jorge do Porta 19; está lá tudo!

Agora sim, é pensar naquilo em que já todos pensavam lá dentro, depois do primeiro golo; deixando-os agora a pensar naquilo que não deviam ter pensado… Brahimi e Maicon podem não estar aptos, infelizmente, mas é a vida. E foi por isso mesmo que as vontades do treinador foram satisfeitas para todos os postos e com grande qualidade (basta ver o nosso banco de ontem e os que ficaram de fora da convocatória).

Não há desculpas. Siga, à espera que o mais que previsível deslize do Sporting e Benfica aconteçam, já esta jornada. Para tal, pesquisemos o histórico, nomeadamente do Sporting no Bessa, por parte das equipas que têm exactamente o mesmo número de campeonatos desde o início do século…
É ter fezada, se a fé não for o bastante…

Imbicto abraço!

 

 

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One thought on “Rescaldo | Moreirense 2 vs. 2 FC Porto

  1. Acabou por ser menos mau. Continuamos na frente.

    Custa ver o Porto futebolisticamente reduzido a isto, mas agora não há alternativa.

    Apoiar sempre nos jogos, criticar o que houver para criticar entre eles. Se, como alguns sonham, a equipa e treinador efectivamente viajarem pela blugosfera, pode ser que se encham de brio e percebam que assim não merecem o que têm.

    Venha o Chelsea, para o qual não é necessária qualquer motivação, e depois Os Belenenses, onde só se admite rectificar de forma convincente este disparate de Moreira de Cónegos.

    Abraço portista

    Gostar

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