Os putos, os velhos e a rotatividade

Imbicto leitor,

O campeonato ainda nem tinha começado e coisas boas aconteciam, no Dragão. Uma nova tendência contratual dava asas a um certo revivalismo histórico do clube. André André e Sérgio Oliveira à cabeça, Rúben Neves e André Silva às portas da confirmação e, obviamente, os “velhos” Hélton, Maicon e a reintegração de Varela.

Depois de um certo empolgamento inicial, as exibições da equipa pareciam ir em curva descendente, à medida que o campeonato começava e que as grandes contratações iam fazendo por confirmar estatutos ainda em pausa. Mas estava tudo lá. Faltava o “click“.

A época é longa. Muito longa. O plantel deste ano é compridinho e a luta saudável pela titularidade ou pelo simples conceito de lugar no processo rotativo de Lopetegui são constantes. Não admirará, portanto, que esse mesmo conceito se mantenha, até um pouco contra o que o treinador disse há pouco mais de uma semana, em relação à estabilidade do onze. Mas tal como defendeu algo e fez o seu contrário, no ano passado, este ano arrisca-se a fazer o mesmo, mas invertendo as variáveis – e bem!

O jogo com o benfica, no último fim-de-semana, é passado. Três pontos, uma vitória que mais que pontual é moral; um fantasma que reaparecia, exorcizado e a confirmação de que, acima de tudo, o processo de equilíbrio de forças, de idades, de experiências e de mística está para ficar.

Há muitos adeptos preocupados. Preocupados porque estamos em primeiro lugar, já a quatro pontos do grande rival – mas não, necessariamente, neste momento, o nosso concorrente directo. Neste momento! Porque o campeonato é longo, iniciou agora e carece de ser interpretado através de momentos, sob pena de ficarmos ligados ao passado e a abstracções que distraem. Porém, se fosse o FC Porto a estar na situação do terceiro classificado, ex aequo com mais uns quantos e apenas com mais um ponto que outros tantos, os comentadeiros de serviço não teriam a mesma candura verbal. Basta lembrar o que se passou no ano passado, por exemplo…

Factualmente, isto que vemos não é mais do que a base de uma equipa que, creio, possa vir a ser melhor do que a do ano passado – tal como várias vezes disse, como o Imbicto Jorge Vassalo, no seu Porto Universal. É preciso tempo, sorte e acaso. É preciso tudo, principalmente numa lógica de confiança e de uma certa instabilidade advinda do episódio Villas-Boas e do seu regresso hipotético – que só faz bem para quem não percebeu que o FC Porto é um clube que não pára e está sempre alerta, pronto a corrigir erros repetidos – com a devida compreensão contextual dos primeiros. Temos treinador e não pensamos nisso! Mas não há nada como uma certa variável de incerteza para que tudo corra bem.

E aqui chegamos ao equilíbrio rotativo que Lopetegui pode aproveitar para bater de luva branca na cara dos idiotas de serviço, que populam por esses canais com mais ou menos cabo. Bueno e Sérgio Oliveira terão a sua oportunidade quando menos se espera. E se isso foi dúvida, regresse-se ao ano passado e entenda-se o papel que, por exemplo, Quintero tinha na equipa, por esta altura. Não estamos perante nenhum Adrián 2.0, até porque não custou o que este custou – nem que esse custo seja de cobrança por esclarecer… Tanto Bueno quanto Sérgio Oliveira, terão espaço nesta equipa devido a lesões, a provas simultâneas, ou a simples inclusão num modelo de peças equilibradas que substituem com grande competência as que faltam, na tal lógica colectiva do portismo – como tão bem diz Casillas, numa entrevista gentilmente cedida pelo grande e Imbicto Miguel Lima.

Há ainda o equilíbrio geracional. E mais ainda, uma coexistência difícil de prever com alguns egos, à partida, rotulados, como é caso Casillas, ou Osvaldo, que pareciam criancinhas a festejar o golo deste fim-de-semana.

Esta integração e comunicação constante entre diferentes personalidades de grande variedade material tem tudo para dar certo. Todos sentem que estão numa missão e todos já perceberam que, desconhecendo a nossa realidade, o fácil tem muito que se lhe diga, especialmente quando tens um sistema criado para te abater.

Rúben Neves e André André são, neste momento, os símbolos do FC Porto. Símbolos de uma causa: é possível devolver aquilo que o clube tirou a si próprio, mesmo tendo em conta que não estão no onze de favor e que competem com titulares de grandes selecções mundiais, ou talentos que meio mundo queria mas não conseguiu ter e que têm a protecção e o lobby de quem com eles quer ganhar a vida, ou o simples equilíbrio financeiro do clube. Aqui, nem a pressão de fazer desenvolver e rentabilizar rendimentos está a resultar. E isso merece toda a consideração e prova de que Lopetegui é o homem certo, numa verticalidade pouco comum, hoje em dia.

André Silva estava aí, também. Estava e está. O mais extraordinário é que ainda levou amarelo em cima da maca, enquanto saía contorcido em dores e raiva por lhe terem cortado (quase literalmente) o momento que vivia e a esperança de integrar, a médio prazo, a equipa principal e a Selecção A. Mas atenção! Esta equipa B faz lembrar a outra de há dois anos, mas sem a ajuda preciosa dos pesos que vinham da A, em trânsito. O resultado está à vista e, sem desejar coisa má, a lesão de André Silva pode bem ter dado a desculpa que Ruíz precisava…Felizmente, André Silva vai regressar em breve!

E assim vamos construindo uma equipa. Todos entenderam a filosofia. Todos a assimilaram e todos parecem remar sem que haja distracções – nem que sejam as do costume…

Importa não baixar a cabeça, lutar contra si mesmo e alcançar os objectivos. Afinal de contas, neste momento precoce, já só dependemos de nós. De nós e do equilíbrio que queiramos dar a nós próprios…

Imbicto abraço!

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