Rescaldo | FC Porto 1 vs. 0 Benfica

Imbicto leitor,

Finalmente!

Esta condição de ser portista é estranha… Parece que não ganhávamos ao Benfica há anos e anos, quase desde que demos cinco secos àquelas “papoilas” sem ópio dentro (mas com outras coisas bem mais interessantes, segundo se investiga no ocorrido algures na porta 18…). De repente, o mundo é perfeito, a gargalhada sai fácil e já nada nos afecta. De repente, tudo fez sentido: o momento, a vitória, o sofrimento, a injustiça, os cartões, a fita e o sonho de menino; um sonho que ontem, mais que nunca, ecoou com o nome de alguém que parece ter sido registado nos Alpes – como diria um elemento dos Gato Fedorento.

Foi muito bom.

Hoje dormi bem; sou um homem novo. Melhor! Renovado. Afinal ainda cá estamos e estamos para ganhar, sem excessos de confiança ou soberba.

Vamos ao jogo…!

Vislumbrar o Washington Alves lá em cima, na zona VIP, era bom pronúncio. Memórias reaparecem. Cultos da casa, de garra, de luta. Formados que somos, adeptos, sócios e claques. O nome de André André estava ali, já no onze (curioso número em capicua); alguém estará com inveja…) e ao lado, Rúben. O corpo da equipa nascia com sentido de vir das bases, de sentir, de não desistir e de prova dada, contra a minha expectativa. E ainda bem que assim foi!

O FC Porto entrou com um onze bastante equilibrado, mas muito nervoso e tremido, dando a Casillas a possibilidade de brilhar durante os primeiros minutos do jogo, demonstrando e respondendo a dúvidas do porquê de deter o estatuto que dele se conhece.

O benfica começou bem melhor o jogo. Mais oportunidades de perigo e maior pressão. O clube do sul levou a cabo uma estratégia de sacrifício e concentração, coadjuvada pela reconhecido recurso à picardia e à provocação, bem como à famosa “insustentável leveza do corpo”. E foi assim, com manha; com a manha de sempre e com um certo desnorte do árbitro que até nem teve um dia assim tão mau, que o clube da Luz criou mais perigo e equilibrou o jogo, tendo tido o controlo absoluto da primeira parte. Marcação bastante bem executada, essencialmente na preocupação em não possibilitar linhas de passe, deixando o Porto trocar a bola no seu ponto mais recuado.

O benfica utilizou uma táctica que me surpreendeu. Não devido à tácnica em si, mas antes devido aos sujeitos intervenientes. Verdade seja dita: o lateral-direito dos “encarnados” é uma pérola – como já tive a oportunidade de dizer inúmeras vezes – não vendo, ainda assim, em Gonçalo Guedes, mais do que uma espécie de fenómeno Neymar, da hiperbolização da circunstância. Assim como o Brasil tem de ter sempre “o melhor”, ou um dos melhores do mundo quase por predestinação, o benfica tem direito ao mesmo tratamento, numa espécie de divinização inconsequente. Gaitán, sim, é um grande jogador. Mas ontem não teve hipótese de desenvolver o seu futebol.

E é aqui que quero chegar: à chaga comunicacional. O FC Porto teve mais do que um dia a menos de descanso; fez uma viagem longa ao outro lado do continente e ainda sobrou força para deixar o adversário completamente KO em termos físicos. Foi aqui que o jogo se resolveu, aliado a uma persistência férrea tão característica na matriz do nosso clube e que não poderia ter melhores executantes do que aqueles que, ontem, deram o exemplo. De repente, o “colosso” transformou-se em mais uma daquelas equipas “fraquinhas” e “suaves” que cá vêm jogar e que são completamente dominadas.

A segunda parte foi de domínio absoluto. Aliás, o clube da capital teve direito a provar o veneno de que são alvo praticamente todos os adversários do FC Porto: a intensidade e a troca de bola em posse apoiada – mesmo que este ano ainda esteja numa fase pouco mais que embrionária, de tantos rostos novos que chegaram. Pior ainda do que submeter-se à passividade não detendo o controlo com bola, o adversário pressionou intensamente o meio-campo portista, não dando o espaço que permitiria André André e Rúben fazer uso das suas melhores qualidades, como o passe e a visão de jogo em desmarcação dos extremos. E tudo isto tem um custo. Custo este que o comentador recusa admitir.

Imbula tem um problema: não lhe deixam fazer o que melhor sabe. Compreende-se, devido aos desequilíbrios que causa na zona central, em contra-ataque. Ainda assim, ontem poderia bem ter sido esse o segredo para desbloquear o enguiço da primeira parte, como se viu, às pingas.

Tivemos, portanto, dois FC Porto: um na primeira e outro na segunda parte. E mais do que a estratégia de Lopetegui, foi importante o desgaste físico e psicológico do adversário. Foi aqui que o melhor do FC Porto surgiu. Àbombakar esteve sempre determinado, mas sem espaço. Quando houve oportunidade, não hesitou e quis ser sério demais.

andré bis catarina morais

O golo apareceu de forma óbvia, numa excelente jogada de entendimento onde André André trouxe ainda mais ironia a uma história de amor que só nós, adeptos entendemos de quando éramos putos. Foi a explosão e a reacção. André bis é um motor deste FC Porto e ainda não está nem a meio de cumprir o que dele se espera.

Quanto aos casos, há imagens que valem por mil palavras, como esta:

maxi by maisfutebol

Maxi provou do seu veneno. Um veneno que espalhou durante oito anos no futebol português sem que nada acontecesse. Ontem teve mais uma prova do que é representar o FC Porto sem o conforto do agente e da circunstância, num conjunto de dois lances onde todos lhe exigem um amarelo por cada – e consequente expulsão -, mas onde nada houve que justificasse este amarelinho acima, nem que fosse por bola presa. E assim se ganha um jogador e a consideração do adepto pela evidência incontornável da razão.

Este foi, de resto, o pretexto para Lopetegui responder com grande classe aos jornaleiros que, despeitados, resolvem encher blocos noticiosos com uma falta de honestidade intelectual característica, ao imputarem ao treinador do FC Porto o ónus da acusação, quando o que Lopetegui fez foi apenas e após uma questão surgida dos próprios,  responder com ironia às declarações de Rui Vitória, que se queixou de duas expulsões por fazer a jogadores do FC Porto.

Neste capítulo, duas notas: Maicon esteve muito mal, embora não tenha havido contacto e o benfica continuou a fazer uso do comportamento infantil, característico dos putos a quem apetece dar chapada quando sabem o que fazer quando a mãe não lhes dá o doce no supermercado, aos olhos da acusatória sociedade, de que faz uso e abuso e que teve em Jonas, Gaitán e no grego do meio-campo os agentes activos de maior destaque.

Foi, portanto, uma grande vitória, onde Rui Vitória falhou ao estilo cada vez mais Fonsequiano de arranjar a pior desculpa possível: a da arbitragem e a da vitória moral.

Para nós, foi essencial. Dá confiança, conforto (não demais, espero) e alegria. Muita alegria por confirmar que só com gente “nossa” é que tudo faz sentido… Não é, Sapunaru?

Deixo a análise dos jogadores para a restante Bluegosfera!

Imbicto abraço!


Fotografias: Catarina Morais, Mais Futebol

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One thought on “Rescaldo | FC Porto 1 vs. 0 Benfica

  1. Muito de acordo, caro Imbicto.

    As minhas notinhas já estão na rede, mas são previsíveis. Tal como a minha justificada implicância com a falta de ousadida do treinador.

    Mas, porque nada mais interessava… Ganhamos carago!

    P.S. – melhor que o Washington Buena Vista Social Clube Alves, foi rever o nosso James, que vibrou como um de nós.

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