Votação | Rescaldo – Dynamo 2 – 2 FC Porto – Mark Twain, um gajo sarcástico

Imbicto leitor,

O chavão é tão grande que já nem me atrevo a citá-lo. O homem acima referido tinha razão. E tinha razão em relação a mim e em relação ao Àbombakar.

Comecemos por mim, que sou, sem dúvida, muito mais importante do que o Àbombakar – pelo menos a avaliar pelo que se dizia dele até ao último sábado. Confesso que, ao contrário daquilo que possa ter sido suscitado em dúvida no início do meu anterior texto, não vou dar-vos o prazer imediato da minha ausência permanente. Apenas quis justificar a ausência para com a consideração que muitos de vós me mereceis. E sois muitos, de facto!

Em relação àquilo que realmente importa: o nosso Porto, fiquei com um sentimento misto. Passo a explicar:

Ontem só consegui ver o jogo a partir do minuto 65, apesar de ter acompanhado os relatos (in)sonsos da telefonia e só depois do jogo já ir no 1-1. Daquilo que ouvi, pouco ou nada posso dizer a não ser o destaque que deram à defesa de Casillas, na primeira parte, pois a qualidade dos relatos e a minha atenção à estrada obrigava-me a remediar a circunstância. Já quando tive a oportunidade de ver e tirar as minhas conclusões, fiquei bastante agradado e com um sentimento de incredulidade que manchou este primeiro.

Ontem vi um projecto de equipa a formar-se (finalmente!) como garantia competitiva séria. Lopetegui geriu relativamente bem, em meu entender, as circunstâncias em relação ao esforço. Este fim-de-semana há jogo importante e importava não sair da Ucrânia com um resultado negativo! Quanto a outras incidências, não comentarei táctica; não só porque não sou especialista mas, principalmente, porque não apanhei o jogo todo e seria injusto estar a avaliar a parte pelo todo numa interpretação pouco séria – ainda assim, bem mais séria do que a esmagadora maioria dos fazedores de jornais e blocos de comentários televisivos, acreditem!

Destacaria, em primeiro lugar, as exibições de Rúben Neves e de André André. Tremendos! Estes dois começam a dar razão aos críticos de Lopetegui quando insistia colocar a jogar Imbula em baixo de forma, ou Herrera, cuja extensão de contrato parece ter-lhe tirado a descarga anímica que recomeçava a ganhar.

Rúben Neves tem uma visão de jogo excepcional. O passe para Corona, perto do final do jogo, a isolar o mexicano, é digno dos melhores momentos de Pirlo. É impressionante a facilidade com que interpreta jogo, numa rapidez inteligente e numa leitura muito incomum. Está aqui, com toda a certeza, um dos melhores talentos de sempre da formação nacional, mais habituada a colocar os olhos em avançados do que propriamente em jogadores que actuem em posições tão importantes quanto a 6 ou a 8. A especulação acerca do seu futuro não cai do céu por acaso, principalmente por ter sido feita logo ontem e em relação ao clube que é…

Quanto a André André, um todo-o-terreno implacável. Começa a ganhar confiança aliada ao seu poder de sacrifício e à inteligência táctica, o que lhe confere liberdade para colocar no terreno uma valia técnica por muitos e de muitos desconhecida e que só surpreende quem nunca o viu jogar no Varzim, ou no Vitória. É rico o seu contributo colectivo e é essencial para dinamizar e trazer força anímica e fundamento à luta que urge colocar em campo, em forma de sacrifício.

Por último, mas como principal destaque, Àbombakar. Repito o que sempre disse: Àbombakar é um jogador tremendo. Precisa é de ser acarinhado e colocado no ambiente motivacional certo. A forma como ajuda a equipa… Recordo-me de um corte que faz para lá do minuto 80, já atrás do meio-campo defensivo. A luta e a entrega não são mais o único predicado comparativo com Jackson. Neste momento, a técnica que evidencia é descomunalmente desajeitada, mas tremendamente eficaz.

Àbombakar tem um problema: suceder a um dos maiores avançados do futebol contemporâneo. Mas esse é o papel de quem sucedeu a Gomes, a Domingos, a Jardel, a Falcão e a Jackson. Àbombakar arrisca-se a quebrar o ritmo da substituição de valor característico desta posição, no nosso clube, havendo sempre um avançado intermédio e falhado entre duas grandes estrelas. Ontem, jogou com os dois pés, assistiu, defendeu, conteve. Foi o que se lhe pede, inimaginável aos olhos de quem acredita apenas que o futebol é feito de causa-efeito automáticos. Jackson quê? Osvaldo quem? Nada disso. Ele está ali.

Pela negativa, o bipolar Brahimi e a passividade de Casillas no segundo golo. Independentemente das circunstâncias, um guarda-redes daquele nível não pode relaxar e defender com os olhos hipotéticos foras-de-jogo por assinalar que se dão como garantidos. Ainda de destacar a “verdura” de Danilo que, compreendamos, está a crescer e ainda não consegue, em momentos-chave, perceber onde fazer e não fazer faltas cirúrgicas. Ontem, no segundo golo, infelizmente, ficou bem patente.

Ainda a dizer que não podemos relaxar tanto depois do conforto aparente de um golo de vantagem fora, num terreno difícil e com uma equipa (ou duas) manhosa. Essa falta de consciência deixou-me preocupado, pois havia um jogo certo pela vitória num poderio incontestável, verificado na segunda parte.

Bom, agora é esperar uns dias. Não critiquemos Lopetegui! A equipa precisou dele no banco e dele não se exigia mais do que rodar dentro do admissível. E foi isso que fez, com a excepção da última substituição e da saída de Herrera demasiadamente tardias.

Imbicto abraço!

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7 thoughts on “Votação | Rescaldo – Dynamo 2 – 2 FC Porto – Mark Twain, um gajo sarcástico

  1. Boa tarde, Imbicto amigo.

    As minhas mais sinceras desculpas, pela minha má interpretação.
    Irei emendar publicamente o meu erro no próximo post.

    Mas fico feliz pela minha analise, nesta situação, não corresponder há realidade…

    Novamente as minhas desculpas.

    Abraço amigo…

    Assinatura: Dragão

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  2. Oh Imbicto amigo, não sei qual é a tua altura, eu tenho um pouco menos de 1,80. Se tenho um armário de dois metros à minha frente – estrategicamente colocado – na minha frente, não vejo um *NorteSulMatrizBeirizRegufe* à minha frente!

    Acho que o Casillas tem 1,84 , penso eu de que.

    Abraçom

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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