Antevisão e outras notas| Dynamo Kiev vs. FC Porto

Imbicto leitor,

Já não renovo desculpas por ausência, meu caro. Os dias passam, a disponibilidade é mínima e a tua sede é máxima. Portanto, mais vale estar calado (curioso nome…) a presentear-vos com prosa ou poema fácil. É preferível, portanto, estar quietinho a não corresponder ao vosso grau de exigência e, acima de tudo, ao meu, que me recuso a escrever “só porque sim”.

O jogo de hoje é importante. Muito importante, Defrontaremos uma equipa interessante, forte – nomeadamente em casa – mas longe de outros velhos tempos em que o clube ucraniano ainda não o era de forma independente, ao serviço de “uma causa maior” e sem imaginar que, um dia, saído de onde e do que saiu, viria a achar retornar àquilo que já foi – pelo menos em parte do seu vasto e heterogéneo território imaginariamente dividido pelo Dnieper.

O Dynamo Kiev terminou o último ano isolado no comando da liga doméstica, à frente do crónico campeão Shakthar, roubando-lhe a oportunidade de alcançar o também nosso tão desejado – e por alguns de nós imortalizado – “bitri“. Este ano, com sete jogos e zero derrotas, leva já três pontos de avanço sobre a equipa de Donetsk e cinco sobre os terceiro e quarto classificados: o Dnipro e o Volyn, respectivamente. São apenas dois, os golos sofridos pela equipa de Rebrov, um treinador que se estreia hoje em jogos da Champions, mas que tem como sua responsabilidade comandar jogadores já experientes como Miguel Veloso (AKA Pato Donald), como o avançado e perigoso Yarmolenko, ou como o “portista” Júnior Moraes, avançado e irmão do “nosso” Bruno Moraes, recém chegado ao clube e que pode muito bem jogar hoje,

Apesar de uma certa solidez colectiva e de um score interessante, até ver, é uma equipa que, na teoria, está um patamar (ou dois) abaixo do FC Porto. A sua maior força é o colectivo e o facto de jogar em casa, especialmente nos jogos europeus e no Inverno – daí um certo optimismo da minha parte, por poderíamos bem ter ido numa fase mais complicada.

Ora, complicadas serão ainda as contas do grupo a manter-se o Chelsea na fase catastrófica em que se encontra, bem lá para o fundo da tabela (!). Preparem-se, portanto, para a conversa do costume por parte dos fazedores de papel impresso que tinha préstimos mais proveitosos no antigamente, quando nem todos podiam comprar o outro papel que limpa… É perigoso vir a existir um mau arranque do clube de Mourinho com posterior recuperação, por razões óbvias.

Aponto para uma vitória do FC Porto por 2-0. Creio que temos todas as condições em sair da Ucrânia de forma confortável, de preferência para encarar o jogo do próximo fim-de-semana, contra uma águia renascida e ofuscada pela sua própria luz que emana dos confrontos das “terras de cegos”. Veremos, mas o jogo de hoje ter´uma importância fundamental para toda a época, ainda que não seja assim tão evidente e onde convém criar o conforto necessário para embalar e tornar coesa a equipa.

Indo agora a outros assuntos e sabendo da proximidade do grande clássico, rouba-nos a memória a lembrança dos míticos 5-0 do tempo de Villas-Boas. Por falar em Villas-Boas, parece que o homem está de saída. Não sei se será do frio, mas por muito que a manobra de sempre encaixe no endossamento ao gado portista (também o há, claro), a verdade é uma e só esta: Julen Lopetegui é o nosso treinador e nem a meio do contrato vai. Portanto, e acreditando que o tempo de Villas-Boas como treinador do FC Porto é passado irrepetível a bem das memórias e do seu CV, talvez o vejamos noutras funções que não a óbvia, nessa vontade de regressar ao conforto do seu lar. Sobre isto, tudo o que se diga é sobra.

Outro assunto que me tem deixado impressionado é a forma como Casillas tem integrado o espírito de equipa do FC Porto. Impossível que será alguém do seu calibre não se reconhecer como sendo quem é no mundo e na História do futebol contemporâneo, é óbvia a vontade de integrar-se e de não ser corpo estranho numa equipa que, tenho a certeza, tem adeptos que ainda não perceberam muito bem o que é que se está a passar. Aliás, esta análise vai ser curiosa quando Casillas partir; não agora. Casillas representa o step forward que o clube tenta dar em vários sentidos, desde o mediático à real confirmação como clube reconhecidamente de top europeu. Trazer com isso um fiel de balança seria pedir demais, mas é precisamente isso que está a acontecer: um líder que se integra integrando as duas dimensões da equipa em dois campos: a transição de clube competitivo para clube reconhecido pela sua competitividade e a transição entre os novos e os velhos do plantel. E esta evidência, é impossível de ignorar, pelas palavras que tem para com Hélton, Gudiño e para com os objectivos mínimos de uma fasquia que se quer alta.

Por último, um desabafo de agrado e a chapada de luva “lopeteguiana”.

Rúben Neves é para ficar, para desenvolver e para maturar. Meus amigos, está aqui qualquer coisa de especial e não estranhem que este menino venha a ser um dos melhores jogadores de sempre do futebol nacional, sem o reconhecimento necessário por estar onde está e por actuar na posição onde actua, menos evidente para quem só tem olhos para bolinhas e fintinhas.

André André é sublime na sobriedade e equilíbrio que consegue dar no jogo onde a bola não está, porque ele está sempre onde o espaço – não a bola – pedem . Isto, meus amigos, confunde muita gente e faz dele um underrated temível. Ainda bem… Ah! E parem lá de falar no pai dele. Esqueçam isso! Só lhe faz mal a ele e a nós, nem que seja no elogio…

André Silva voltou a marcar ao Famalicão numa vitória taxativa e com uma qualidade de jogo na primeira pate que deixria qualquer portista babado e a hiperbolizar disparates que têm em conta subidas precoces à equipa A. São já seis, os golos do avançado português que, fruto da sanidade mental de um não alinhado com o sistema que já provou ser, poderá muito bem merecer uma oportunidade na Selecção Nacional. Eu não me admiraria vê-lo na fase final, para o ano…

Àbombakar confirma e reconfirma aquilo que eu e alguns “bluegosféricos” defendiam quando todos o mandavam abaixo: é um jogador tremendo que, fruto da circunstância, vê-se constantemente comparado a Jackson (que ainda vai morrer para o futebol no Atlético de um treinador endeusado na sua vulgaridade “catenacciana“). Nada mais há a dizer e ainda nem mostrou metade, acreditem!

Lopetegui demonstra que a “rotatividade” é um dom quando dela se sabe fazer uso. Muito bem ao reconhecer o estado da equipa no jogo contra o Arouca e contra o seu batatal (não me esqueci da promessa de escrever um artigo sobre isso), num espírito pouco católico do homem do apito que, provavelmente, é do Bairro Norte poveiro, de tanto que gosta de misturar o amarelo com o azul... Veremos o que sucederá hoje, até porque o próximo encontro requer toda a nossa atenção.

Termino deixando a minha atenção a dois espaços recém surgidos na Bluegosfera: Do Calcanhar à Trivela e Dragão e Águia.  Seja pela qualidade e objectividade da prosa do primeiro, ou pela inovação do segundo, vale a pena dar lá um saltinho e ajudar a fazer crescer aquilo que deve ser reconhecido como diferente, no meio de tanta tentativa vã de imediatismo e de page view remunerado!

E por aqui me fico. Prometo tentar vir cá mais vezes, mas nunca como “verbo encher”. Quanto ao Corona, não; não me esqueci. Não me espanta, mas também é preciso ir com a calma que o deslumbramento tantas vezes mata. E o Herrera que, claro, merece um post só para ele…

Imbicto abraço!

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3 thoughts on “Antevisão e outras notas| Dynamo Kiev vs. FC Porto

    1. Imbicto Jorge,

      Temos perspectivas diferentes da coisa…
      Se num primeiro momento fiquei com a impressão de que foi à queima. depois das repetições já não me pareceu bem isso.
      Não se trata de arranjar culpados. É apenas o que me dá a parecer, até porque uns minutos antes salvou o FCP desse mesmo golo.

      Imbicto abraço

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