Reforços: Um sentimento estranho

Imbicto leitor,

É factual: são bons reforços. Muito bons, aliás- um porque sei e outro pelo que dizem… Porém, não é por defender tantas vezes a administração do clube e o seu staff que será constante e inalterável, o estado de espírito. Ainda que não haja nada a apontar àqueles que chegaram ontem, há que apontar aos que partiram e ao timing.

É um sentimento estranho, de alguma decepção… Tudo somado, salta à evidência Imbula: não o que mostra, mas o que custou. A pressão pode estar a fazer dele, teoricamente, um Danilo do primeiro ano e meio. Muita responsabilidade, uma aparente indiferença quanto à vontade de sair do OM, mesmo que a escolha tenha sido, assumidamente e conscientemente sua. Mas não será este o problema maior. O problema maior funde a insegurança de vir de uma lesão e estar a adaptar-se mal ao esquema de Lopetegui que o abafa ao lado de Danilo Pereira, numa espécie de duplo-pivô “fonsequiano” mais móvel. Acredito que venha a justificar o que custou, mas também acredito que, quando não está em condições, não pode jogar – ou no modelo (responsabilidade do treinador), ou com o próprio, em vez de Rúben Neves, por exemplo. Imbula já mostrou na pré-época do que é capaz, mas precisa de abrir os horizontes ao treinador para que compreenda que pode estar a destruir todo o seu potencial, nos moldes em que é utilizado, levando a uma fase de apatia e descrença do jogador em si mesmo. Não olvidemos ainda o facto de ter sido confrontado com um quadro de lesões inesperado, numa altura fulcral – coisa que abala o estado de espírito de qualquer um, por receio latente.

Lopetegui enviou uma mensagem clara ao clube, no último jogo, tendo arriscado em demasia e, em meu entender, sem qualquer necessidade. O fim nunca pode justificar o meio, quando o fim que se pretende é incomparável e tem como base comparativa a vitória num jogo, em vez do pedido de novos jogadores. Esteve mal, neste capítulo e colocou muita coisa em jogo.

Retomando a análise, tudo parecia encaminhar-se bem, para um certo retorno de uma política de aposta nos jovens talentos, pelo menos como opção. Ora, a desilusão é tremenda quando vejo Paciência na Académica, com Leandro; Quintero no Rennes, quando precisamos de um dez dessa qualidade específica; Ricardo DOIS(!!!?) anos no Nice, talvez para limpar a porcaria feita pela SAD em relação ao Carlos Eduardo, provavelmente dando cabo da carreira de um dos mais promissores jogadores nacionais da actualidade; Ivo Rodrigues já todos sabem o que penso e Mikel, cujo processo de empréstimo me parece o mais interessante, francamente. De resto, uma desilusão tremenda, com desperdício de recursos, independentemente do que custaram. E isto, para mim, é inaceitável.

Salva-se, no meio disto tudo, o fim do processo Rolando, que ruma ao OM (curiosa escolha…).

Corona é um excelente reforço. Trará uma nova vida à ala – qualquer uma delas – e transportará um grau de imprevisibilidade inquestionável, só colocado em causa pela posse mal feita. Vem de um campeonato que só olha para a frente, pelo que urge acelerar adaptações defensivas! Mas… Ricardo não poderia fazer isso? Perdoem-me, mas Ricardo foi colocado fora das suas funções, foi esvaziado daquilo que fazia tão bem quanto Corona, com a garantia de que ajuda atrás. Veremos, na expectativa de me arrepender destas palavras, mais por Ricardo do que pelo mexicano que é, inquestionavelmente, um grande projecto de jogador, imaginando outra readaptação de Brahimi ao centro (mais tempo ainda…), ou do próprio Bueno, relegando Tello e Varela para o banco devido às características mais “pontuais” e momentâneas – mais para o espanhol do que para o português…

Quanto a Layún, confesso que não o conhecia. Estive com a esperança de ver Grimaldo aterrar cá, mas nada. Isso sim, faria sentido, fazendo de Layún lateral-direito (é polivalente) para concorrer com Maxi e de Grimaldo um projecto enquanto faz a sua maturação na sombra de Cissokho, ou Indi (que pelos vistos deve ficar feito pinheiro, por ali…). Ángel deve ir, como se imagina, assim como foi a incompreensível vida de Ádrian no Porto, que agora chega ao Villareal.

O timing foi péssimo. Já não é a primeira ocasião em que a lógica do “em cima do joelho” prevalece quando, aparentemente, está tudo resolvido e uma saída acontece; uma saída que pode significar mais do que um mero encaixe. Algo de grave poderá estar a suceder até para ter deixado Alex Sandro seguir, tendo garantido o próprio que nunca recusou renovar; ou o presidente, que não aceitaria uma proposta abaixo dos 30 milhões, tendo recusado uma, aliás.

Espero que não nos estejamos a transformar num clube de “carne para canhão”, numa espécie de entreposto humano, onde existe uma lógica competitiva sem noção de bases e de progressão, onde a mercadoria vai e vem ao sabor do vento e do cheiro que as notas invisíveis deixam para trás…

Lopetegui aterrou no Porto com um objectivo concreto: dar estabilidade num projecto de três anos, potenciando recursos existentes ou captados para a posteridade e valorizando ainda mais os principais. Mais ainda, torná-lo num manager autêntico. Mas qual é o papel de Lopetegui e o papel da SAD em todo este processo?

Por tudo isto, estou preocupado. E assim, tudo é mais difícil. Para o clube, para o treinador e, acima de tudo, para nós, adeptos.

Imbicto abraço!

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8 thoughts on “Reforços: Um sentimento estranho

  1. Andava à procura de alguém que comungasse do meu sentimento neste momento e não preciso de procurar mais.

    Defendi a continuidade de Lopetegui por variadas razões mas começo a desconfiar da sua capacidade de por a equipa a jogar bom futebol (tem todas as condições para isso!). Não percebo as suas opções recentes (indi a LE, tendo o Angel e o Cissoko??, Brahimi a 10 num 4231 tendo Bueno que foi contratado para exatamente isso?? Imbula de rastos continua titular, com André a mostar mais do que o suficiente para merecer uma oportunidade, Rúben Neves ainda não jogou quando o Danilo está vários furos abaixo em termos de qualidade de passe e construção de jogo…)

    Quanto ao Ricardo se é para estar no banco prefiro que esteja a jogar num bom clube e que volte com condições para ser titular.

    Tenho pena do Paciencia que está num clube que não lhe permitirá crescer muito mas enfim…

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    1. Imbicto JPEG,

      Nada é absoluto. E as críticas, quando fundadas, justificam-se.
      Continuo convicto de que Lopetegui é um treinador com muita qualidade, tendo como principal entrave a sua teimosia. Pior, poderá haver pressões (não sei se acredito nisso dada a personalidade do homem) para fazer jogar certos jogadores – seja devido ao mercado (nomeadamente para aquisições a posteriori de percentagens de passe), ou à rentabilização de activos – nomeadamente jogadores como Imbula.

      Inquestionável é a realidade dos factos: Imbula não rende, penso eu, pelas razões em cima demonstradas. Há que ter a coragem de colocar Rúben Neves, ou substituir esses vultos por, por exemplo, Herrera, pois ao queimar um jogador como Imbula pondo-o a jogar neste momento e naquele sistema experimental, é também sinónimo de perda de Herrera, que só rende a 8, com as funções de pêndulo.

      Em relação ao Ricardo, o problema não é exclusivamente o do banco, mas sim o de matar, com a política de sempre, grandes talentos nacionais e “da casa”. Neste exemplo é ainda pior, pois parece estar a instrumentalizar-se um jogador para limpar a asneira que se fez com o Carlos Eduardo e que motivou, inclusivamente, queixas do Nice.

      Imbicto abraço!

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  2. Mais um daqueles raros momentos em que estou em completo desacordo contigo. A temporada ainda está a começar e há comparações aí que são precipitadas mon ami.

    Sabes se o Bueno, por exemplo, já tem estampa física para não ir a 9 de cada vez que toca na bola? E essa do Dostoievskyano “Crime e Castigo” é manifestamente exagerada, como as notícias do treino bem o demonstram.

    Calma! Lembra-te que, o ano passado, as competições começaram bem antes para nós!

    Vá, um abraço amigo!

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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      1. Em completo acordo com o Jorge (aliás como é normal ^^).

        Ricardo e Gonçalo, serem emprestados foi a melhor coisa que lhes aconteceu (a eles e a nós). Estão em projectos em que se podem revelar e crescer e quicá, ficarem prontos para uma realidade que não estão neste momento.

        O mesmo para Hernâni, que vai para uma equipa mais fraca mas de Champions e que pretende ganhar o campeonato Grego e por isso pode-se adaptar a titular, numa equipa de outro calibre e voltar para o ano, para a vaga de Tello (que dificilmente será comprado a não ser que começe a jogar à bola a sério).

        Quintero nunca teve rotação e intensidade, para ser jogador de uma equipa como o Porto (e não foi por falta de oportunidades quer seja no meio ou nas alas). Vai para uma equipa em que pode ser o jogador mais importante, mas que tem de lutar também e não só ficar à espera da redondinha… vamos ver somo se dá e se ainda vai a tempo de recuperar o seu talento para a alta roda do futebol.

        E Ricardo nunca poderia fazer aquilo que Corona vem fazer… primeiro Ricardo é no máximo um Varela e Corona aproxima-se mais de um irreverente Quaresma em ínicio de carreira… e segundo Ricardo, nem na cabeça dele, tem estatuto para jogar no Porto e as pernas tremem.

        A acção da SAD, neste mercado, foi muito meritória e apenas faltou a saída de Ángel e de um médio, que 7 jogadores são muito para 3 posições. ainda para mais quando Brahimi e Bueno também podem contar para elas. Também teria cedido em definitico Quinones e Opare a outro clube ficando com 50% numa futura venda.

        Em relação às compras: Corona era essencial, pois não poderiamos ter uma época apenas com 1 criativo (e mesmo assim fica a falta um creativo médio-centro-ofensivo) e claro que um lateral esquerdo era mais que essencial.

        São com estes 26 jogadores (a contar com Gudino, André Silva e Lichnnovsky) que vamos atacar a época e agora é esperar pelo melhor.

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      2. Imbicto João,

        O problema não é o empréstimo, mas os moldes em que são emprestados. Duvido que Ricardo volte; vuvido que Hernâni volte e duvido que Gonçalo evolua, na Académica.
        Quintero não fazia puto, atrás, mas para jogos “fechadinhos” do nosso futebol dava para colmatar as dificuldades que temos. Bastaria para isso reinventar a posição de Imbula…

        Não tenho dúvidas da qualidade do plantel. Questiono, apenas, os timings e os moldes. Quem veio é bom, isso é certo e comprovado por muitos.

        Imbicto abraço!

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