A fúria contra a arbitragem e o anti-jogo

Imbicto leitor.

Este país mete nojo. É cultural! Não há nada a fazer. Está no sangue. Está no sangue ser trapaceiro, fingido, espertalhão, descarado, selectivamente memorizador. Este país, ao contrário do filme, é, de facto, para velhos.

Não restam grandes palavras para expressar indignações acerca daquilo que é o futebol nacional – esse reflexo da cultura popular que traz ao de cima o pior do Homem. E o pior do homem é isso mesmo – tudo aquilo que está acima – mas que neste contexto geográfico habilidoso toma os meios de comunicação como bandeira da sem-vergonhice.

Ontem ainda tive tempo para ver o Play Off, um programa emitido na SIC Notícias que se dedica em 75% do tempo a falar dos clubes dali de perto tornados em nacionais e 5% do tempo a analisar o FC Porto. O restante, é para falar em trivialidades sobre os órgãos, efemérides e para ouvir as particularidades oratórias de Rui Santos a, por exemplo, gabar-se implicitamente de que foi ele o autor moral da descoberta da roda futebolística: colocar Brahimi ao meio – coisa falada e exaustivamente repetida em tudo quanto é universo portista e até comentarista, hipoteticamente isento. Está lá para quem quiser rever, na posteridade das 23H52.

auto elogio

Rui Santos, um homo sapiens sapiens do neolítico, envaidecido com o seu brilhantismo brahimiano (Fonte: Youtube, programa Play Off)


Ainda que as percentagens temporais de dedicação a análises dos três grandes sejam comuns a grande parte de programas deste género, o facto é que este é particularmente interessante devido aos personagens nele presentes, especialmente o nosso pseudo-defensor que faz uma defesa por cada ataque sagazmente aproveitado pela “sanguessugacidade” alheia. Ontem, não foi excepção e, uma vez mais, houve mais duas horas deprimentes.

De repente, a arbitragem passou a ser uma preocupação. O tom indignado e salivado com que Rui Santos e os restantes se atiraram ao establishment foi curioso, vindo logo nesta altura, em que, factualmente – e não nos fica mal reconhecer isso -, os outros dois candidatos ao título foram prejudicados. Aliás, não fosse o estilo ridiculamente “calimérico” com que um certo presidente se refere ao assunto e, quem sabe, talvez tivesse a credibilidade suficiente para ajudar a impedir que certos episódios se sucedam. Aliás, desejar a Jesus que sofra na pele o que ao outros fez sofrer por interposta pessoa, de forma indirecta, é imitar o comportamento inqualificável do “custa não custa” de Simões. Eu quero é bola e bolas! Não quero mediocridade arbitral, pois torná-los nos protagonistas contra ou a favor é assumir a sua mediocridade e, por conseguinte, a nossa.

Retiro daqui, portanto, a conclusão óbvia: prejudicar só um é normal e tolerável – especialmente se for o FC Porto como se viu no ano passado, nessa ausência de observância militante. Agora… prejudicar todos é um atentado! Especialmente se esse “todos” forem os dois grandes de Lisboa e se apenas se referem aos respectivos jogos, ignorando os casos do FC Porto-Estoril. Folgo, portanto, em saber que só agora tenham percebido que tudo está mal (porque pode acabar mal), mesmo tendo em conta que os clubes mais pequenos vêem-se envolvidos, não raras vezes em situações de prejuízo clamoroso; mas isso também não importa nada porque ninguém os vê… Logo, ninguém os comenta.

Mais curioso do que tudo isto é o timing. A arbitragem foi habilidosamente colocada, ou puxada à brasa, precisamente nos jogos de Benfica e Sporting. Perdeu-se, certamente, 40% do programa com isto, de forma explícita ou implícita, relegando, como sempre, o FC Porto aos 10 minutos da praxe, lá para o fim, até se dizer o já tradicional: “estamos a ficar sem tempo, temos de concluir”.

Adicionando a isto, foi um episódio ainda mais extraordinário: um benfiquista a falar de anti-jogo por parte dos clubes pequenos. Exmo Simões, pior do que “anti-jogo” e “simulações”, como disse ontem, “por parte dos clubes mais pequenos”, é acontecer o mesmo por parte de clubes “grandes”:

Quem não se lembra deste episódio? Quem não se lembra desse grande benfica a demorar meia-hora para recolocar uma bola em jogo, para marcar uma bola parada, ou para fazer um lançamento lateral? Quem não se lembra desses jogos contra o Porto? Quem não se lembra das simulações, da “insustentável leveza do corpo” que cai com correntes de ar, ou das faltas perigosíssimas que colocam em risco a integridade física dos jogadores adversários, aproveitando a passividade de quem apita?

Pois é… Simões tem memória curta. Todos têm memória curta.

Este país não presta. Este país merece-se com este tipo de gente que é selectiva e convida à animosidade perante os golpes de injustiça e de instrumentalização comunicacional. Este futebol merece-se. O problema é que somos obrigados a levar com tudo isto, com fama e sem proveito, aproveitando outros de um nome levado em estandarte pelo FC Porto na Europa que é demasiadamente grande para que estes intervenientes lucrem com os montantes e pontos que, directa e indirectamente, trazemos para que outros deles vivam.

Bobby Robson é que tinha razão: They “Cheat“…

Perdeu-se a vergonha. E quando se perde a vergonha, nada mais resta a não ser ignorar e conquistar em resposta; com mais acto que boca. Pois se deles há cheat, é assim mandá-los à shit.

Imbicto abraço!

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3 thoughts on “A fúria contra a arbitragem e o anti-jogo

  1. Meu caro, e novidades?

    O Rodolfo é uma vergonha total no seu anti-Lopeteguismo, mas não é mais do que o reflexo da populaça que temos nos estádios.

    Quanto ao Rui Santos, é um dos principais responsáveis pela má fama que temos. Vide o sorrisinho cada vez que fala de alguma coisa que esteja, supostamente, mal no Futebol Clube do Porto e o quanto brada quando está bem.

    Mas convenhamos, tal só acontece porque do outro lado temos gente vergada à necessidade – legítima – de receber o cheque. Não tinha era de ajudar à festa.

    Fico mais irritado com o Rodolfo – igualzinho à massa assobiativa – do que com a ratazana.

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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