O empréstimo e a questão do retorno: o caso Óliver

Imbicto leitor,

A esperança em avançar para o pedido de cedência de Óliver Torres pelo segundo ano consecutivo traz um conjunto de questões bastante particulares e de difícil análise, uma vez que existe um custo-benefício questionável em termos alheios àqueles que são a prova de rendimento desportivo positivo, pelas mãos de Julen Lopetegui.

Como é público, Óliver esteve cedido ao FC Porto durante a temporada passada. Uma cedência com contornos que muitos questionaram mas que, devido ao sucesso retumbante na integração e rendimento do jovem prodígio, fez com que muitos se esquecessem rapidamente do fundamento com que argumentavam a natureza da cedência.

Em primeiro lugar, ninguém julgaria que um suplente do Villareal jogasse regularmente no FC Porto, quanto mais como titular indiscutível… Em segundo lugar, o progresso do médio apenas foi possível com a ajuda preciosa de Lopetegui – digam mal dele, digam – e com o agarrar com unhas e dentes de uma oportunidade impensável para o jogador, de afirmar-se num clube com a dimensão do Porto, perfeitamente equiparável por relativo excesso à do Atlético.

Os contornos foram simples: um ano, a oportunidade de potenciar um jogador que Lopetegui sabia vir a ser importante na montagem que tinha na sua cabeça por conhecê-lo, sem opção de compra e sem indemnização/ compensação. Ora, é aqui que começo a questionar o modelo.

Se, por um lado, o indesmentível facto de termos retirado valias desportivas inquestionáveis do pequeno espanhol possibilitou esquecer qualquer tipo de reclamação acerca das  restantes variáveis negociais, por outro, há a falta de compensação vista comparativamente com o caso Casemiro e a orfandade táctico-técnica de que o colectivo ficou refém e em espera de uma resposta de nova cedência, dependente do humor de Simeone – esse treinador sobrevalorizado que nem sabia o que tinha, ou como desenvolvê-lo.

Não tenhamos dúvidas! O objectivo último de Óli foi sempre o de retornar; foi lá criado e é um símbolo da formação do clube. O objectivo do Atleti foi sempre o de reavê-lo, confiando nas provas já dadas de que o FCP é o clube de topo capaz de fazer milagres a esse respeito. Não há nada a dizer! E assim foi e é, com as palavras taxativas do pequeno génio.

oli torres

Ainda assim, como ficamos?

Neste momento, o FC Porto está numa posição delicada. Refém da decisão do “Cholo” e do rendimento do jovem na pré-temporada, houve ainda o factor Jackson, que acredito ter sido essencial para a manutenção do médio, na ajuda à adaptação no clube da capital espanhola. Esqueçamos que alguma vez Óliver tenha estado em listas do benfica, ou na nossa, por troca no negócio Jackson! Eu não acredito nessa eventualidade.

Creio que não gerimos da melhor forma o processo. Não quero culpar ninguém, até porque outra decisão teria a mesma conclusão: a ausência do médio. Quero apenas dizer que não concordo com os moldes do empréstimo e que espero que fique de exemplo para futuros casos – tal como Casemiro o foi.

O FC Porto fez um trabalho impagável: o de desenvolver capacidades de um prodígio que muito dificilmente conseguiria trazer ao de cima em qualquer outro lugar e com qualquer outro treinador; e que facilmente poderia tornar-se em mais um caso de passagem ao lado de um futuro brilhante. Valorizámos imensamente o valor de Torres e daí, francamente, parece-me insuficiente o retorno para lá do desportivo, pois ficámos numa posição de inferioridade negocial, onde nem opção de passe (ou percentagem), nem opção de percentagem de futura venda, nem compensação pelo desenvolvimento obtivemos.

Sem querer parecer ingrato, há duas dimensões. E o prejuízo em que nos colocámos em busca adiada por um médio de tendência atacante/ distributiva é grande demais para que voltemos, na força da falta que um jogador destes faz, a aceitar condições como aquelas que estiveram na origem da cedência de Óliver Torres. Um erro proibitivo, daqueles que sabem bem, mas que colocam o FC Porto na base de um entendimento fútil daquilo que é a instituição, de certa forma.

Foi um prazer ter-te cá, rapaz! A melhor das sortes, pois nada tens que ver com uma discussão que se faz ao nível dos clubes. Agora, é esperar que apareça alguém como tu… Diferente, mas como tu – se é que me entendem…

Imbicto abraço!


P.S.: Lucas Lima, vai ´pó c*****! De preferência em sonhos

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11 thoughts on “O empréstimo e a questão do retorno: o caso Óliver

      1. Imbicto Luís,

        A “vertigem” é coisa que não está no nosso ADN. Sempre fomos um clube que pensa o jogo. Sempre fomos aquele clube que prefere ter médios mais lentos nas pernas, mas mais rápidos a pensar e a gerir os diferentes jogos dentro do jogo.

        Imbicto abraço!

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      2. Ia-me permitir discordar com amizade, até porque gosto disto daqui

        E porque do que me lembro é do futre em 87 a fintar tudo incluindo a baliza, ou do seninho em 77 a correr feito maluco por ali afora para salvar a coisa.

        Mas de facto o futre e seninho só podem brilhar porque há malta lá atrás a trabalhar.

        No entanto continuo achar o Oliver um bom moço como pessoa, mas como jogador que faça malha no Atlético… 🙂

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      3. Imbicto Luís,

        Discordemos, então! É facto que houve diferentes personagens, mas creio que a natureza do clube é ter em suas fileiras, tendencialmente, quem pense no meio para que que está atra´s não se descompense e que está à frente corra aquilo que pelos do meio não se corre.

        Imbicto abraço!

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  1. Já escrevi sobejamente sobre o Óli Torres, não há nada mais a dizer que isto: é tão colchonero como o André André é Portista.

    Posto isto, acho que há uma hipeness muito grande com a posição 10. Hoje a notícia do senhor Lucas deixou-me água na boca a pensar em Brahimi a 10. Por dentro é letal, lá estaria a criatividade e as alas seriam preenchidas por quem sabe cruzar, entrar interuirmente… a jogada do corredor do Brahimi já não surpreende. O génio argelino no meio estava muito bem. Ou com Bueno num 4x2x3x1. Há muito por onde escolher.

    E, já agora, será que ninguém reparou que o André André faz o tipo de passes que nós precisamos?

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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    1. Imbicto Miguel,

      Também já reparei nisso 😛 Naaa, estou a brincar…
      Se não fosse esta tendência para o Sérgio Oliveira estar a ser engolido pelo resto dos médios, quem sabe não estaria ali a solução, em conjunto com Bueno – ora um, ora outro.
      Pesando tudo isso, não deixa de ser animador pensar em Brahimi no meio… Ui ui. Mas teríamos de trazer um extremo, falando-se, para já, de Corona ou de Bernard (nem sei como…).

      Minha gente, acho que estamos a fugir ao assunto… Aqui não se trata apenas da preponderância do elemento, mas também e fundamentalmente, nos moldes em que se fez o empréstimo, sem grande vantagem, a posteriori.

      Imbicto abraço!

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  2. No início da época anterior, achei errada a opção por trazer emprestados dispensados de clubes mais ricos sem opção preferencial de compra no final. No final da mesma, passei a sentir-me dividido. Por um lado, o mesmo argumento; por outro, a impossibilidade de ter tido Oli e agora o querer ou até Casemiro (que incrivelmente ainda nos rendeu dinheiro).

    Tendo em conta o nosso modelo de gestão, não podemos dar-nos ao luxo de valorizar activos que depois não nos geram rendimentos, mas desportivamente a contribuição, ainda que apenas por um ano, pode ser relevante. Um dilema…

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