Este é o petróleo do Dragão

Imbicto leitor,

Este é o “petróleo” do Dragão:

capa o jogo Alex

Capa de hoje do jornal O Jogo


Pois é…

Parece que, efectivamente, Alex Sandro é mais uma peça que perdemos. Ou melhor, ganhamos. Ou melhor, não sabemos… Ou sabemos, dependendo da análise de eventos semelhantes, num passado recente de cerca de dez anos.

Há três perpectivas: a da competitividade, a da receita e a da credibilidade.

A primeira, da competitividade, mostra que, tal como as restantes, está arrastada pelas outras variáveis. Perdemos, efectivamente, um profissional de topo, dos melhores do mundo na posição e ainda em fase ascendente, suspeitando eu – confirmando noutros casos – que se perde uma parte de desenvolvimento ainda previsível na carreira do brasileiro com margem de progressão.

O FC Porto é um clube muito especial no ambiente (História, competitividade e Cultura) e que permite a jovens talentos “encubarem” num autêntico centro de altíssimo rendimento ao nível dos de topo mundial, para que confirmem em clubes com outro poderio económico e de imagem, o seu apogeu, terminando como fim último daquilo que é a carreira perfeita de um jogador com sucesso no ciclo do seu desenvolvimento, bem como chegar a um patamar de vencimento barrado à maioria.

Estar no FC Porto é, para os pares europeus de topo, garantia de manutenção de qualidade, preparados para os maiores desafios com a maior das pressões. E aqui está outra diferença para a efectividade dos números e dos destinos dos jogadores transferidos pelo FC Porto e os encarnados, por exemplo. Apesar de um momento em que os valores reais das transferências foram equiparáveis na imitação do modelo, vemos uma espécie de “sobrevivência Mendista” espantosa, de cifras que apenas alguns clubes, sempre os mesmos, estão dispostos a gastar em gente que praticamente ninguém, no mundo da alta competição, conhece ainda. Pois, está confirmado que os valores que saem do FCP rendem, onde quer que estejam, ao contrário de outros, ainda a adaptarem-se a critérios de arbitragem de difícil compreensão nesse mundo novo, numa espécie de máxima de Huxley..

A competitividade tem ainda outro ponto: a substituição. Como substituir alguém como Jackson, Danilo, Alex, Óliver? Da mesma forma como se substituiu Falcão, James, Hulk, Moutinho, Baía, etc. Os montantes absorvidos pela venda, cada vez mais limitados, vão servindo para as alternativas e até para os falhanços, mas com uma crescente margem de manobra reduzida, onde casos como o de Quintero, Rolando e Ghilas são o paradoxo.

capa as danilo

Capa do jornal AS


Esta dimensão, a da receita, é difusa.

Ninguém é obrigado a ser especialista em tudo e essa é a razão da perplexidade do adepto quando se depara com valores astronómicos de venda sem ver aplicado, aparentemente, o montante. Pior, deparando-se com Relatórios de Contas negativos! E, convenhamos, a ajuda precisa dos “pastores” jornalísticos ajuda bem à ordenha…

Isto não é acaso, ou sinal de gestão danosa per se. Hoje, os passes dos jogadores sofrem uma mutação regulatória devido à questão dos fundos de investimento e respectiva propriedade de fatias dos mesmos. O lucro do clube na transacção é cada vez mais limitado. E o que existe, ora é aplicado em investimento noutro jogador, ou serve para pagar dívida, ou para pagar custos de manutenção, salários, campanhas, etc. Pior ainda! Nem todos os passes são pagos na totalidade, mas antes em tranches. E para dar cabo de todos os cenários, essas mesmas tranches, não raras vezes, são pagas em exercícios diferentes. Não é, portanto, estranho depararmo-nos com prejuízo depois de uma intensa actividade no mercado de vendas.

capa o jogo jackson

Capa do jornal O Jogo


E é aqui que entra a cara questão da credibilidade. A credibilidade do clube e a credibilidade do presidente.

É público que Pinto da Costa garantiu a recusa de venda de Alex Sandro por um valor a rondar os 30 milhões. Qual é, então, o sentido de vender por um valor inferior, ou equiparável, agora? Seria essa proposta do Atlético? Seriam os 30 milhões pagos a pronto, em tranches, ou dividido entre pecúnia e passes de jogadores à troca, supostamente avaliados, segundo o clube, nesses eventuais montantes? Será que o FC Porto não entendia serem esses os montantes de mercado dos jogadores? Seria algum desses jogadores Óliver?

Tudo é especular. Pode calcular-se… Mas a verdade é que não passa pela cabeça de ninguém achar que um dirigente de uma instituição como o FC Porto queira prejudicá-lo deliberadamente. Nunca houve conhecimento de que o fizesse, ou fosse capaz de fazê-lo; muito pelo contrário. Há um fundamento que poderá ser verificado aquando da saída dos resultados do próximo exercício.

Tudo isto é uma questão de credibilidade: do presidente, que disse algo que se perspectiva contraditório; dos jogadores que rendem, efectivamente, em clubes de topo, eventualidade que nos permite continuarmos a vender bem, caro e com segurança a emblemas consagrados em vez de clubes efémeros. É isso que faz com que pessoas que nunca gostaram muito de nós, como Mancini, digam isto.

Assim sendo, este é o “petróleo” do Dragão. É lucrativo, mas não aparece do nada. Há que fazer investigação, furo, troca de interesses, perspectivar retorno e conjuntura, negociar, intermediar e lidar com o imprevisível. É complexo e tem custos. Muitos custos.

Já os anglo-saxónicos inspirados pelo iluminismo escocês explicavam a frase notabilizada por Friedman: “não há almoços grátis“. De facto, não há. Tudo tem um custo, tudo é uma troca. E ninguém quer perder, nem o “almoço” (o jogador), nem o montante da troca (pecúnia/ troca de passe de rendimento perspectivável), nem o investimento gasto para produzir esse “almoço” (horas de trabalho, transacção a priori, custos de desenvolvimento), só possível, por via directa, através do montante dessa mesma troca.


Imbicto abraço!

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5 thoughts on “Este é o petróleo do Dragão

  1. Estamos a criar uma equipa em profundidade de anos, quer os maduros quer os novos. Boas vendas se farão para o ano,. não será meia equipa.

    Na minha adenda, podes ver aquilo que foi dito no MaisTransferências – o negócio colchonero era mandar mais Adriáns e zero Óliver. Thanks, but no, thanks!

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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    1. Imbicto Jorge,

      Ao contrário daquilo que anda a ser propalado, estou em crer que esta equipa é superior à do ano passado, mas com diferentes características, que, não darão apenas mais garantias (ainda mais!!!) defensivas do que no ano que acaba e ainda por cima criando essa tal profundidade na busca de golos, evitando que o ponta-de-lança venha buscar jogo atrás – mesmo que o Àbomba já comece a dar sinais impecáveis de competência, nesse sentido.

      Talvez tenhas razão, meu caro, até porque o próprio Indi dá para o gasto e não se pode colar a sua imagem a um jogo isolado.

      Imbicto abraço!

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  2. Desde que contrataram o Cissokho que estava desconfiado que o Alex Sandro ia sair, mais vale 25 milhões no bolso já, que 30 ou 40 a voar daqui a um ano.

    Acho curioso que, ao contrários dos últimos anos, este ano não vi muitos comparativos do valor das vendas dos grandes,, Será porque não é possível comparar o que não tem comparação? 😉

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    1. Imbicto Luís,

      Tanto quanto julgo saber, essa massa a voar seria já a partir de Janeiro, se bem que eu estivesse convencido de que as partes renovariam e que Alex sairia em Janeiro, mas sem prejuízo para o clube.

      Cissokho parece uma excelente opção e, como diz o Jorge Vassalo, talvez o entrosamento não seja problema…

      Imbicto abraço!

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  3. Pingback: Imbicto Poema

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