#estamosatentos

Imbicto leitor,

Não, não é uma iniciativa minha. O “hashtag” que se vislumbra titular – no conteúdo e na forma deste artigo – é da autoria do Imbicto Miguel Lima, do Novo Tomo (Tomo III).

De facto, #estamosatentos . A Dragões Diário de hoje prestou um belo serviço em defesa da causa portista mas, acima de tudo, da real verdade desportiva que não aquela que é apreendida selectivamente e de boca cheia, pelos paladinos dos programas televisivos.

A nomeação do árbitro Veríssimo para o FC Porto vs. Vitória augurava coisa pouco famosa. Um histórico de peso, o primeiro jogo da Liga NOS por parte de dois dos primeiros cinco classificados do ano passado, duas equipas que, no ano transacto foram o espelho daquilo que é jogar com um árbitro nomeado que não estava à altura da circunstância e da classificação de forma comprovada e confirmada; o facto de ser, Veríssimo, alvo de uma ascenção meteórica no panorama internacional sem que, de aparente, haja algo que o justifique.

Apesar de toda a conjuntura, o FC Porto fez uma breve chamada de atenção no seu site. Não houve críticas. Não houve conotação ou denotação. Simples prosa informativa. Ou não… Para os mais desatentos, não era perceptível a atenção dada ao histórico profissional do juíz nomeado, coadjuvada por uma imagem sugestiva e pela incontrolável menção à naturalidade da pessoa em causa – fácil de adivinhar em ironia em cabeças como a minha…

veríssimo site fcp

Chapeau! Pareceu-me propositado, mas contido. Contido na medida certa por duas razões essenciais: dar o benefício da dúvida – não fosse Veríssimo gorar expectativas, como o fez, em parte, mesmo com momentos de gestão sofríveis; evitar a acusação imediata de que o FC Porto estava, à partida, a impedir margens de manobra, pressionando a priori os homens do apito. Até pode nem ter sido por isso, mas a lógica induz o meu pensamento a tais conclusões.

De imediato, alguma Bluegosfera insurgiu-se, nomeadamente nas caixas de comentários. A verdade é que o passado recente obriga-me a dar-lhes alguma razão na impaciência, até porque o exemplo do ano passado foi pobre em eventos de resguardo e defesa do clube. Quando surgiu, foi tarde, mal e irrepetível – no passado ou futuro. A minha reacção foi sempre de alguma calma e até compreensão, pois pareceu-me ler entrelinhas.

A verdade é que o jogo não teve o desfecho “cromático” prometido pelo currículo consistente de Fábio Veríssimo, mesmo com episódios de injustificável existência, como leis da vantagem dadas com posterior interrupção do jogo em jogadas de perigo (nomeadamente do Vitória, por duas ocasiões), ou a finalização precoce da primeira parte, que motivou uma monumental assobiadela – prontamente aproveitada por Rui Santos e seus pares para dizer que a equipa foi assobiada ao intervalo (nota-se que vê os jogos ao estilo Marcelo Rebelo de Sousa…).


O real problema não esteve, portanto, aí, mas antes na expectativa do pior, vindo dos lados da Luz… O “homem meteórico 1.0” fora nomeado para o benfica vs. Estoril. Depois do defraudar de expectativas negativas do jogo do FC Porto com o Vitória e da vergonha que foi assistir aos erros clamorosos dos dois últimos jogos do Sporting (contra e a favor), urgia tirar a limpo. E assim foi.

Já todos sabem o que se passou. Todos, menos os benfiquistas patologicamente dogmáticos e os jornalixeiros com bom braço para levar quem querem em ombros. Uma penalidade desculpada aos da casa, logo no início do jogo, a Luísão (quem haveria de ser, na falta de Maxi?) e consequente expulsão, o que, indo de encontro às incidências da partida, indicaria que o pior estaria já ali. Mais, um segundo penalti, desta vez a favor dos da casa, onde a conveniência de ter os direitos televisivos exclusivos não permitiu mostrar outras câmaras que, por acaso, até tinham ajudado a perceber no outro penalti não assinalado que o árbitro estava em posição privilegiada, garantindo a dúvida que, aparentemente, Gomes da Silva não tem, porque existe essa tal câmara da qual ninguém viu as imagens (a não ser a sua mente perversa que desmente contactos à frente de todos).

É aqui que a minha confiança na estrutura do FC Porto abala novamente. Ninguém, nem a DD, fizeram qualquer observação.

Foi então que soube da iniciativa do Miguel Lima, ao enviar um email aos responsáveis do supra referido canal de comunicação digital e resolvi solidarizar-me em email agora transcrito:

Imbictos Srs.:

O mundo da blogosfera – neste caso Bluegosfera – tem tentado ser parte integrante da estratégia de defesa e da tentativa de descortinar a penumbra que vai assentando, um pouco por todo o lado, sobre a percepção do estado de coisas, naquilo que ao futebol nacional concerne – principalmente tendo-nos a nós como objecto passivo primário.
Apesar da minha, ainda, falta de compreensão de sentido prático dado em relação ao meio utilizado para dar conta daquilo que são tentativas de desculpabilizar e normalizar situações de percepção naturalmente anómala, dirijo-vos o meu pedido de maior atenção para aquilo que se afigura ser a segunda parte de uma forma de estar dificilmente mutável, no panorama nacional – nomeadamente na arbitragem e sinais preocupantes de critério aparentemente dual. 
Uma vez que já utilizaram a Dragões Diário para o efeito, agradecia uma maior defesa, de forma atempada, nem que seja indirectamente, por ora, aos interesses do FC Porto. Não gostaria de ver reacções tomadas tarde demais, à semelhança daquilo que foi prática do ano passado, após a inultrapassável evidência dos número, já demasiadamente pesados para que se pudesse inverter qualquer situação.
Assim sendo, apelo à nossa condição de Portistas, defensores de causas próprias, nessa cruzada já antiga de não se quedar calado no grito do facto. Nós, bloggers, que estamos do vosso lado a cumprir a nossa obrigação e a “perder” tempo precioso das nossas vidas de forma não profissional, agradecemos, até por respeito àqueles que não têm voz e que se insurgem contra o establishment.
Não espero de vós uma resposta directa ao meu pseudónimo. Espero, sim, uma resposta clara a todos aqueles que representam a instituição FC Porto informalmente e que fazem com que o vosso trabalho faça sentido, todos os dias, de forma tangível e intangível.
O meu obrigado pelo vosso tempo, na espera que algo de novo aconteça – tal como foi expectativa minha, durante a pré-época e as intervenções do nosso presidente.
Imbicto abraço!
Velho da Constituição, administrador do blogue Imbicto Poema

Hoje de manhã, deparei-me com esta agradável surpresa:

Sobrevivência
“Houve ainda um penalti a nosso favor que não foram capazes de apitar”, afirmou o treinador Fabiano Soares, após o final do jogo Benfica-Estoril. “O árbitro apita facilmente a favor do Benfica”, secundou o defesa Yohan Tavares. Estas duas frases ilustram uma arbitragem infeliz do árbitro Tiago Martins, mas quem tem de se sentir envergonhado por logo na primeira jornada da Liga haver treinadores e jogadores a destapar a careca da arbitragem é Vítor Pereira.
 
Os erros de arbitragem vão existir sempre e têm de se aceitar como fazendo parte do jogo. Quando são normais acabam por ficar distribuídos por todos os competidores, mas não é isso que se vê no futebol português. O que não pode existir é esta pressão colocada nos juízes que não os defende e os leva a ter desempenhos muito abaixo do que sabem, que só protege os interesses do presidente do Conselho de Arbitragem e até põe em causa a própria carreira. É por isso que Tiago Martins e muitos outros são também vítimas.
 
Tiago Martins, recorde-se, é um dos dois árbitros promovidos por Vítor Pereira na época passada a internacional sem nunca antes ter apitado um jogo dos grandes clubes, sem ter experiência dos grandes ambientes, sem fazer o percurso normal, de ir escalando degraus à medida que mostra competência – o outro é Fábio Veríssimo, que esteve sábado no Dragão. Vítor Pereira quer fazer árbitros à pressa, não para defender o futebol, não para defender os árbitros, mas para se defender a si próprio.
 
As nomeações para os jogos de estreia dos dois primeiros classificados do último campeonato seriam apenas insensatas se não fossem um padrão com demasiada interferência no normal desenrolar da competição. Vítor Pereira não pode deixar de ter noção que está a mais no futebol, que a maioria dos clubes não confia no seu trabalho, precisamente por não ser isento e que por isso até estavam dispostos a todos os riscos do sorteio. Como um náufrago, agarra-se ao polvo federativo e aos seus tentáculos, Pereira paga a sobrevivência com subserviência.
 
Os três assumidos candidatos ao título ganharam os seus jogos de estreia no campeonato, mas as vitórias não foram iguais e se houve candidatos com decisões simpáticas da arbitragem certamente não foi o FC Porto. Para que conste. – in Dragões Diário, 18 de Agosto de 2015


Aí está! A Dragões Diário resolveu reagir aos episódios lamentáveis que continuam a suceder-se. 

Não acharei fundamento exclusivo da resposta da DD nas missivas da minha parte, da parte do Miguel, mas nos muitos que se insurgiram contra a continuação de uma forma de estar que muito nos prejudicou, no ano que findou, há meses.

Desta vez, fiquei agradavelmente surpreendido com o conteúdo material do escrito, em especial com a linguagem utilizada e com o objecto claramente focado: Vítor Pereira, do qual emanam todas as causas e consequências do estado de coisas na arbitragem nacional, pois a ele cabe a última palavra, a nomeação e a irredutibilidade em mudar de modelo, ou em, na impossibilidade de fazê-lo cumprir com coerência, demitindo-se.

Nada mais me resta a não ser agradecer à Dragões Diário o cuidado que teve numa observação pertinente e que, com toda a certeza, orgulhará aqueles que têm no Porto parte da sua dedicação para lá da incontornável vida que nos orienta a todos. É isto que nos une e nos faz mais fortes.

Termino como comecei: #estamosatentos !

Imbicto abraço!

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5 thoughts on “#estamosatentos

  1. @ imBicto Belho

    muito obrigado! pelas três-referências-três (!!!) e pelas tuas gentis palavras!

    no fundamental:
    penso que, este ano, de facto, #estamosatentos 😉
    (e só esse facto deixa-me mais tranquilo, no sentido em que o #colinho fica um pouco mais difícil de acontecer – o que não significa que não esteja a ser praticado).

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços
    Miguel | Tomo III

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    1. Imbicto Miguel,

      Uma referência é isso mesmo: o ponto a partir do qual acontecem coisas. A tua iniciativa contribuiu de forma essencial (assim o creio) para que a brilhante intervenção da DD tivesse acontecido desta forma.
      Estou muito surpreendido com o estilo utilizado. E isso agrada-me imenso.

      Imbicto abraço!

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    1. Imbicto LAeB,

      Estamos de acordo, por princípio. Há, no entanto, um problema: o precedente.
      A DD apareceu com a clara intenção de resguardar sujeitos específicos de eventuais punições e como veículo de crítica – talvez pouco saudável em termos de linguagem. Criou-se uma expectativa que, a mudar-se na matéria. só sobreviveria na sua utilidade se reformulasse todo o modelo. E ainda é cedo para fazê-lo. Descredibilizá-la-ía ainda mais.
      O tom e a linguagem utilizados nesta resposta foram, em meu entender, os melhores e mais eficientes. Não houve linguagem básica. Houve, antes disso, uma tese, um objecto e uma forma adequados.

      mesmo assim, concordo, efectivamente, que o modelo não seja o melhor, nem possa actuar isolado de sujeitos em concreto, sob pena de descredibilizar-se a rápida velocidade.
      Uma newsletter não deve transportar este tipo de conteúdos, ou menções a reacções, sem estarem em si.

      Resumindo, a última resposta foi a adequada e utilizou o veículo correcto – tendo em base o antecedente. Para reformular, terá de haver mudanças em toda a linha, o que denota que a DD foi criada num espírito de reacção e não de acção, um pouco na onda do improviso.

      Imbicto abraço!

      P.S.: meu caro, não consigo submeter os meus comentários no teu espaço. Não sei o que se passa, mas já por umas cinco vezes comentei os teus artigos e não aparece nada. Da última vez, inclusivamente, pediu-me imensas vezes que confirmasse o comentário, mas sem sucesso.

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      1. Tenho a ideia que a newsletter é a sucessora espiritual da “brilhante” rubrica antes publicada no site do clube (Labaredas, se não me engano). Pode ter o seu espaço a combater bolas, records, gabriéis, gomes das selvas, etc mas no fundo, é sempre show-off para entreter as massas e sossegar a sede de retaliação.

        Coisas importantes devem ser assumidas por quem é importante e tem peso, ao vivo e a cores.

        Agradeço a nota sobre os comentários, eu a pensar que de repente se tinham zangado comigo… estive a rever as definições e não encontrei motivo para tal, até porque continuam a aparecer comentários. Se na próxima tentativa ainda não conseguires, agradeço que mo voltes a dizer.

        Do Porto com Amor
        LAeB

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