Rescaldo | FC Porto 3 – 0 Vitória SC

Imbicto leitor,

Foi um jogo inesperado.

Os primeiros dez minutos desmentiram a tese de um FC Porto sem ideias, ou soluções, no sector avançado. É certo que o Vitória, nesta fase, vem de um ciclo trágico que deixará marcas a breve prazo, mas cuja desculpa para tal esconde as virtudes de uma equipa com um potencial inegável e que pode aspirar a estar entre os seis primeiros, sem qualquer dúvida, no momento de fazer as contas que interessam – com, ou sem este treinador.

Continuo um pouco confuso com os sistemas de jogo de Lopetegui por uma questão de habituação. Entre o tal 4231 e o 433 há variações bastante interessantes, nomeadamente naquela espécie de duplo-pivô usado a meio-campo, Ora com Danilo/Imbula, ora com Danilo/ Herrera. Aqui, deu-me a impressão de ter visto Imbula (tal como Cândido Costa chegou a supor) a aproximar-se da tal posição 10 nos primeiros minutos da primeira parte, dando lugar a Herrera, com o decorrer do jogo. E foi clara a forma como se quer explorar essa posição, numa simbiose entre o apoio defensivo de recuperação na primeira fase de construção adversária e a finalização – como segundo avançado – sem grandes contemplações de remate imediato de média-distância.

Àbombakar esteve infernal e pode muito bem ter dado calafrios ao treinador, na expectativa de ver Osvaldo a agredir algum apanha-bolas (não resisto!).

Muito, muito preocupante foi a inesperada e pouco convincente ausência de Rúben Neves. Espero que o pior (saída) não esteja para acontecer, até porque, até ver, prefiro vê-lo a distribuir jogo, superlativamente, na primeira fase de construção. Em contraste, a ausência de Sérgio Oliveira pode bem ter sido isolada, depois da inexplicável exibição de Herrera, que sofreu, ontem, do rigor com que, finalmente, de forma mais criteriosa, o Tribunal do Dragão rejeitou os seus lapsos primários.

À defesa a maior das palavras! Maicon está um animal autêntico, diluindo a desconfiança com que, com fundamento, sempre se teve na “padeirice” das bolas para “ensaio”. Excelente velocidade, bom uso do físico e critério na distribuição. Alex esteve bem, sem comprometer, e Maxi começa a ser uma dor de cabeça, por cumprir acima do esperado com a sua obrigação contratual. Marcano é aquela classe. Nem há palvaras… De lamentar a infeliz forma com que a equipa, a certa altura, continua a trocar bolas em excesso de confiança, na defesa, como se fosse um grupo de rufias a gozar com putos a quem roubou a bola, à espera que um “epic fail”, ou um “instant justice” aconteça!

Vamos ao particular:

àbomba,png

Pela positiva:

Àbombakar insiste em calar tudo e todos, em especial os “comentadeiros” das rádios que vêm sempre um defeito comparativo com o passado, mesmo quando o passado tinha defeitos comparativos com o passado anterior. Confirmou que eu e outros “bluegosféricos” não estamos enganados ao defender tanto este diamante de boa índole, achando eu que um segundo avançado poderia não ser assim tão necessário – até pelas oportunidades a Gonçalo e a André, até proque vai ser complicado, depois desta decisão, gerir um tsunami que aí vem, chamado Ruiz.

André André reclama uma posição no pseudo-10. Entrou muito bem, em especial a pressionar e a jogar fácil e curto. Tem uma rotação assustadora e dá outra natureza ao meio-campo. Será titular, com toda a certeza, no próximo jogo. A não ser que alguém queira dar uma enésima oportunidade a alguém que se sabe…

Danilo é um bloco. Esteve impressionante a fazer o que era uma das falhas medíocres do ano passado: a falta em contra-ataque adversário. É um grande jogador! Em especial em jogos grandes, onde a força da táctica exige força física.

Maicon esteve seguríssimo. Não inventou. Passou bem. Foi patrão, sem fazer coisas “à patrão”. Gostei!

Maxi (tosse), pá… Esteve em dois golos, quase fez esquecer Danilo, mas sem a categoria deste. Muito empenhado e profissional. Continua assim, que eu continuarei a despir a armadura!

As bolas paradas! Aleluia!!!


Pela negativa:

Herrera em modo Paulo Fonseca. Filho, acho que vais à vida… O calor fez-te mal, só pode, até porque não jogaste assim tanto na tua selecção… Se calhar ainda vai sair a sorte grande ao Quintero por tua causa… É para veres onde andas! Cada assobiadela, desta vez, foi pertinente. Maus passes, falta de entendimento, mau timing. Tudo mau.

A arbitragem. Fiquei chocado com os poucos cartões. Até que… Até que o surpreendente “homem novo” resolveu entrar em TILT e comer cartões onde devia e dar quando não era preciso. Estragou jogadas de perigo do Vitória, uma delas depois de ter mandado seguir na lei da vantagem: surreal! Este indivíduo é internacional, imaginem o critério!

Agora, diga 33! Para a semana é tempo de exorcismos…

Imbicto abraço!


Imagem: Vitor Parente, Zero Zero

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2 thoughts on “Rescaldo | FC Porto 3 – 0 Vitória SC

  1. Ahem, contei 4 trocas em zona de perigo defensivo, 3 delas sem perigo algum. Ok, não são coisas para repetir, mas não foram o fim do mundo…

    Rúben tem de jogar. Eu acredito que o Lopetegui lhe vai dar espaço em jogos de menos intensidade defensiva, mais focados no ataque.

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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