Adrián e o 10

Imbicto leitor,

Adrián López veio como craque. Saiu “crashado“.

Não seria um acaso pensar que o Atlético pretendesse desfazer-se dele. Muita qualidade, mas em papéis e sistemas de jogo radicalmente diferentes daqueles que, no ano passado, Lopetegui usou, face a uma maior tendência de contra-ataque e bloqueio de jogo de Simeone. A chegada de Falcão e a tradicional frenética de mercado dos da capital espanhola, nomeadamente à frente, foi dando o sinal de dispensabilidade que Adrián não queria…

Não podemos dizer que Adrán fosse mau. Vinha com créditos firmados, especialmente para aqueles que, como eu, o conheciam do Depor. E como eu, também muitos de vós acreditareis que é sempre possível recuperar o melhor de alguém que se transformou numa espécie de Postiga espanhol. Foram tempos interessantíssmos e cheios de espectacularidade, nomeadamente no primeiro ano de Atleti – 19 golos, depois dos 12, na época anterior, com o clube galego, onde esteve vários anos intercalados. Ainda assim, a estat+istica diz que nunca chegou, sequer, ao meio golo por jogo, em média e, tudo somado e comparando com o percurso atribulado de Osvaldo, por exemplo, tem metade da média de golos marcados do italo-argentino (0,15/ jogo).

Isto garante, à partida, que o percurso de Adrián num clube de topo europeu é coisa do passado. Uma componente psicológica duvidosa, pelo que dizem, mesmo sendo muito bom rapaz. E depois, a cereja no topo do bolo, com a lesão em Braga, quando parecia estar a recuperar alguma força de vontade,  numa vontade da força, até aí, desmotivada.

Lopetegui assumiu: “tomos somos culpados“. É um facto. O treinador teve praticamente tudo e mais do que queria e precisava, no ano passado, numa equação onde entraria Campaña. O sistema de jogo não favorecia o internacional espanhol que se sabia jogar melhor acompanhado, partindo de uma ala, ou como segundo avançado. E, ainda que seja factual que também tenha havido jogos para se mostrar dessa forma, a verdade é que quando os teve, não havia rotinas, nem tempo de jogo. Foi, portanto, um conjunto de circunstâncias que fez com que o jogador não singrasse e não merecesse, sequer, grandes oportunidades de pré-época, mesmo quando o sistema poderia servir-lhe melhor.

O espanhol voltou a desiludir e a não mostrar vontade. Tem recusado propostas para sair, mas continua inserido – e bem – no grupo. Bueno chegou e a celeuma do 10 tem uma certa ironia neste caso.

Muitos de nós já nos questionámos acerca do porquê de Lopetegui ter dado mais oportunidades na sua real posição a Bueno do que a Adrián. Bueno veio com estatuto semelhante, mas em melhor momento de forma (saiu pela porta grande com 17 golos pelo Rayo, na La Liga), mas com menor “pedigree” associado. Depois da nega de Simeone ao retorno definitivo de Óliver, o sistema 442/4231 parece servir muito bem a posição 10 a Bueno. Está a ambientar-se muito bem, a criar rotinas e a entrosar-se, depois de pormenores muito interessantes tecnicamente e de movimentações sem bola tremendas.

Adrián não é comparável a Bueno para lá dos locais onde possam jogar. Daí a insistência de Lopetegui em apostar no reforço deste ano, numa forma de pensar o tal 442/4231 fora dos cânones do 10 tradicional, que se convirta num segundo avançado no momento da finalização, mas conferindo mais segurança defensiva na recuperação à perda de bola no sector avançado e de construção adversária. O jogo sem bola de Bueno é, de facto, superior e talvez por isso e para os mais distraídos, pareça haver uma certa injustiça que eu próprio julguei haver, nos primeiros dias.

Sempre defendi dois jogadores até à última: Adrián e Campaña. Ambos casos falhados, mas de diferente causa. E se, por acaso, sair pela certa, não “virá outro avançado”, mas sim um dez – seja ele da velha, ou da nova escola.

A ver vamos, com o desgosto tremendo de não recuperar Óliver. A não ser que, “em acto de amor”, o pedido de empréstimo em espera se transforme em aquisição em definitivo. E para quem conseguiu trazer Adrán por supostos 11 milhões por 60% de passe sem os ter pago, tudo é possível… Mas tudo isto parece vir já tarde, com a valorização imposta pelo jogador na pré-época.

Dia 31 é já ali. Mas a competição é já aqui…

Imbicto abraço!

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2 thoughts on “Adrián e o 10

  1. É falso que Lopetegui não tenha dado oportunidades de jogar no seu lugar a Adrián. BATE no Dragão, Estoril, Taça de Portugal. Todas elas destaques a Adrián, todas elas rotundos falhanços.

    Dir-se-á que no ano passado não havia duplo pivot claro como este ano com Danilo/Rúben e Imbula. Certo.

    Mas nada desculpa Adrián de ter, pura e simplesmente, desistido.

    Bueno é franzino, veloz, mas não foge à luta, não parece estar na terra de ninguém, faz várias posições, recebe, inventa, tenta o 10. Eu até acho que ele vai ser um bom 10. Basta só conhecer melhor os colegas.

    É natural que Bueno vá ter mais oportunidades que Adrián. Bueno não vai desistir,

    Quanto ao Óli, a minha alma chora. Mas, com franqueza, não queremos nós que o Rúben ou qualquer um dos Andrés joguem no FC Porto para sempre? Não quererá um colchonero desde pequeno jogar a titular e maestro no “seu” Atleti?

    Só posso agradecer, mais uma vez, ao Óli. E por ter sido tão querido com a minha filha. Eu tenho um autógrafo do futuro Xavi.

    Já agora, e já que eles não lêem o meu blogue, talvez leiam o teu. É profundamente falso que o TdD tenha sido o único blog a falar ad nauseaum da situação real da contratação de Adrián. Não fiz outra vida desde Outubro a Maio.

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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    1. Imbicto Jorge,

      Acho que fui claro ao dizer que Lopetegui deu oportunidades a Adrán. Poucas, mas deu – e nunca as justificou. Dizes bem: desistiu. Coisa que Bueno não mostra ser capaz de fazer.

      O Óliver é um estranho caso de amor. Será, com toda a certeza, um dos melhores do mundo e, em dois anos, estará no Barça. Nada a fazer. Que seja feliz e que dê aos seus adeptos o que Rúben e companhia estão a aspirar dar,~

      Quanto ao TdD, não sei se leste o meu comentário, lá. Disse precisamente isso que referes e faço o link pois para além de ter sido o primeiro local onde vi isso referenciado, é possível ler também o meu comentário – para quem não costuma ler aqui, no meu blogue, ou no teu e naqueles que também chamaram a atenção para isso. É um facto, o teu blogue tem-no feito com ainda mais insistência.
      E não, não lerão o meu blogue, com toda a certeza…

      Imbicto abraço!

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