Osvaldo | Criar bom ambiente

Imbicto leitor,

Confesso que não sei muito bem como começar este post…

Esperava que o rumor Osvaldo fosse mais um de muitos. E tanto que se tem escrito sobre nós… Era daqueles que fazia figas para ver o moço longe daqui. Não gosto dele. Mas o não gostar dele nada tem que ver com evidências: a de que é um jogador soberbo; a de que tem carisma; a de que é um nome reputado. Não gosto dele porque não gosto de gajos malcriados (mesmo sabendo que até eu o sou com algumas das palavras que te escrevo…).

Uma coisa é mandar umas carvalhadas para o ar, o que o coloca num patamar pobre dos degraus da escadaria da educação, mas não tão pobre quanto bater em tudo e todos – quiçá, na sua própria sombra.

A criatura tem raça e confesso que até se cole a sua imagem “agressiva” (no bom sentido, como agora é moda dizer por entre alguns comentadores da SportTV) a uma forma de estar que vem dos 70, 80 e 90, no FC Porto. Mas o facto é que, ao contrário do que acredita o Imbicto Jorge Vassalo, na sua apreciação Universal, em nada se pode comprar a agressividade “inclusiva” de uns calduços dados violentamente quando se marca um golo em sinal de motivação e libertação da corrente sanguínea, com a agressividade “exclusiva” (conotativa e denotativamente) de socar olhos e outras partes do corpo e da mobília ao “estilo Argel”, ou Cantona.

OSV

Vamos lá dissecar a coisa:

A componente identitária 

Quem não se lembra de ver o Paulinho e o Couto a virar adversários como quem vira frangos? Pior, quem não se lembra de ver o Paulinho a levar na boca (literalmente) do Acosta, depois de colocar em prática o seu sobejamente conhecido feitio rasgadinho?

E as cenas com o João Pinto? Pelo que dizem, era dentro e fora das quatro linhas…

E o “Bicho”? Lembram-se das porradas? Lembram-se do Weah e da cabeça dele a entrar na baliza, por razões menos óbvias?

weah costa

Mas o que está aqui em questão, não é identidade. Não se trata de ego. Trata-se de combatividade, não raras vezes levada a um extremo um pouco escusado e característico dos “bélicos” anos 90. Não são jogadores a lutar pela sua honra, mas pela honra do clube. Trata-se de uma forma de estar combativa e não de uma birra por não passarem a bola. É uma espécie de mistura entre a patologia reincidente “Suaresca” e o mimo “Quaresmiano“:

Por muito que acusemos a imprensa, ela aqui tem razão, perdendo-a quando trata casos semelhantes como amnésia selectiva.

Componente desportiva

É factual: Osvaldo é um grande jogador. Doze clubes, muitos deles grandes referências, como os italianos da Juve, do Inter, da Roma, etc. Muitos golos. Muitas assistências. Espectacularidade.

Não tenho a mínima dúvida de que, a ser um jogador “recuperado”, dará muitas alegrias, na consciência do caminho e da obrigação que deve tomar ao serviço do nosso clube. O facto é que casos recentes de “reabilitação” não foram mais do que intenção, como prova Izmaylov, por exemplo – e não incluo Quaresma porque, de facto, mudou bastante nesta última época.

A concorrência é dura. Mas pode tornar-se mole… No seu lugar está Àbombakar. Todos já perceberam que é um jogador frágil psicologicamente e a quem, neste vertente, pouco mais pode ser feito para modificar. Àbombakar é um jogador de eleição. Está a provar que consegue evoluir no sentido de recuperar bolas, descer no campo, tabelar, ganhar fisicamente à entrada da grande-área e a rematar de lá. Receio bem que esta possa ser uma tarefa psicológica complicada para alguém que se motivou ao ganhar meritoriamente o lugar e que provou, aquando da ausência de Jackson, dar conta do recado.

O meu problema não é o de contratar-se um jogador com créditos firmados. Mas antes um jogador que, para além dos créditos, tem comportamentos pouco razoáveis firmados.

Espero estar enganado. Espero que o jogador mude de atitude e perceba onde está e que não pode falhar. E, para isso, Casillas e os capitães terão um papel fundamental ao demonstrar ascendente, caso o contrato de apenas um ano não for suficiente para entender o que se lhe exige…

Veremos, esperando muitas alegrias, com o desconto que todos daremos por uma ou outra provocação como esta:

Imbicto abraço!


P.S.: Quintero deve estar a dar voltas na cama com a imagem de Osvaldo com a camisola 10 nas mãos…

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6 thoughts on “Osvaldo | Criar bom ambiente

  1. Sinceramente não acho que comportamento de Paulinho,Bicho,Quaresma,Couto se comparem ao que Osvaldo fez..Aliás se tivessem tido comportamento semelhante PC teria lhes mostrado a porta da rua de imediato..O que Osvaldo FEZ foi muito grava, no entanto sei que todos erramos e temos direito a novas oportunidades desde que mostremos arrependimento..Osvaldo sabe que esta será a sua ultima oportunidade de triunfar, logo confio que seja inteligente para não a desperdiçar.
    Como jogador agrada-me, é duma posição que me parecia a única carência da equipa e confia que será util.
    Concluindo penso que foi um bom negocio, quase sem risco(um ano de contrato apenas) e custo zero(que nunca é zero), tem tudo para ter um final feliz..Gostei e estou ainda mais confiante para esta epoca.

    PS-Depois de engolir o sapo Maxi, nunca seria Osvaldo uma má contratação para mim.

    Abraço

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  2. Ainda hoje o Paulinho deve ter pesadelos recorrentes pelas porradas que ficou a dever ao Acosta, sobretudo naquelas finais (final + finalíssima) da taça, a que julgo o video se refere. Até eu fiquei a sentir-me incompleto, que fará quem as levou no lombo.

    Dessas eu gosto, apetece-me correr bancada abaixo e só parar no focinho dos imbecis (excepto quando não são provocadas e/ou resultam em inferioridade numérica).

    Mas o Osvaldo tem passado é de bater nos companheiros de equipa, o que leva a coisa a outro nível, intolerável. Esperemos que o futuro dele tenha começado hoje.

    Do Porto com Abraço

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  3. O Lápis tem razão, a questão é se bate nos outros (que é bom 🙂 ou se bate nos companheiros.
    É a diferença entre o dia e a noite.

    Mas em contratações a que mais me lixou foi a do Casillas. Temos um dos poucos homens da casa, que ao longo dos anos parece que está cada vez melhor, fez um final de época fenomenal.
    E recompensa-se isso contratando mais um espanhol (claro) que está a jogar pior a cada ano que passa e a ganhar muuuuiiiiito mais e que por causa disso vai ter que jogar sempre por mais frangos que (esperamos que não) dê

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    1. Imbicto Luís,

      Entendo a preocupação com o Hélton, mas não a entendo pelo prisma da nacionalidade. Se assim fosse, Leonardo Jardim e, pior, Vítor Pereira, estariam tramados…
      Se nos abstrairmos disso, é fácil perceber que se tratava de uma operação irrecusável, especialmente quando foi o próprio Casillas que escolheu o Porto, como Pinto da Costa teve oportunidade de explicar o processo. Mas sim, entendo a perspectiva quando apela à gratidão e à disponibilidade de Hélton, pelo menos, por tudo o que demonstra em público e que deve ser reconhecido. Ainda assim, ceio que estamos perante uma infelicidade de mercado para o brasileiro, onde a noção de clube e de ganho geral ajuda a compreender, na minha humilde perspectiva, o que sucedeu.

      Em relação a Osvaldo, também eu espero que só bata nos outros. E se possível for, que não bata em ninguém. A malta agradece! 😉

      Imbicto abraço!

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      1. A questão do espanhol não tem nada de xenofobia (espero). Fica mal a todos sê-lo, a um português ainda mais. Compreendo que se vá buscar jogadores a um mercado que se conhece bem. Desde que as escolhas sejam boas e joguem os melhores independentemente da língua que falam.

        Sobre o Casillas os argumentos a favor continuam não me convencem
        – A julgar pelas exibições de um e outro o ano passado acho o Helton melhor guarda redes
        – Como operação comercial, argumento que já ouvi, também tenho as minhas duvidas. O Real Madrid é capaz de vender 10 milhões de euros em camisola do Ronaldo, mas apesar do Porto ser uma naçon 🙂 custa-me a crer que seja possível ao porto obter 10 mihões de euros em marketing com a imagem do Casillas

        Se chegar à conclusão que me enganei completamente, melhor!

        E sim que o Osvaldo não bata em ninguém e já agora em nós também. (isto porque não é defesa, senão tinha autorização para dar uma trancadazita ou outra 😉

        Abraço

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      2. Imbicto Luis,

        Quanto ao Osvaldo, parece que estamos de acordo 😉
        Em relação à “questão” Casillas, não digo que seja xenofobia – mesmo que tenha já empregue num ou noutro artigo essa palavra de forma hiperbolizada. Continuo a achar que, como qualquer treinador que vai para um teste exigente e novo, se faça acompanhar “dos seus”, por segurança e como garantia: de conhecimento do valor e de comunicação, quando o idioma é diferente (mesmo tendo em conta as semelhanças…). Os grande treinadores também o fazem e nada contra isso, ou nem Mourinho teria sido o “Special One” que adora ser.
        Já escrevi sobre a operação Casillas. Se procurar no blogue, encontrará também a minha dúvida quanto à hipótese de vender camisolas. Não é por isso. É uma questão de prestígio, reconhecimento, chamamento de outros valores de renome sem preconceito e captação de receita através de direitos televisivos/ patrocínios. Acima de tudo, é marketing, mas não do que implique, apenas, vender pano estampado a preços obscenos. É muito mais que isso. Pelo menos, assim me convenço de tal. E espero estar certo…

        Imbicto abraço!

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