Boas sensações – FC Porto 2 vs. 0 Duisburg

Imbicto leitor,

Nada como recorrer às palavras de Casillas tão, “achavonadas” do ciclismo, para descrever o meu espírito em relação às primeiras impressões de pré-época. Estou, de facto, com muito boas sensações.

Ontem assistimos ao segundo ensaio contra o Duisburg – o primeiro, se considerarmos a dimensão literal da do verbo assistir e a falta de compreensão pela existência de um Porto Canal pouco mais que imprestável como veículo informativo do clube que, esperemos, mude de vez com tanta promessa feita. Nestas coisas, o resultado importa pouco mais do que zero, a não ser que estejamos a fazer de tudo para ganhar a uma equipa de reservas do campeonato gaulês… É que a desmotivação também nos toca, quando só se vê competitividade à frente, em vez de raciocínio bem pensado do que deve ser uma boa preparação para uma nova época, do alto do orgulho em ser segunda escolha para a competição dos grandes…

Estou também muito feliz por, finalmente, termos mostrado à mãe do Casillas que somos muito superiores a uma equipa promovida “do nosso escalão” – agora até já é de um escalão superior… – mesmo jogando a pouco mais de 20% daquilo que se pode fazer. Espero que esteja orgulhosa, minha srª! O seu filhote não mamou nenhum, pode ficar descansadinha!

Voltando ao jogo, vou ser um pouco disperso… Confesso que não me agrada muito fazer o que outros blogues da espectacular Bluegosfera já fazem, com qualidade intocável, na apreciação das partidas. O que direi não será mais do que um desabafo subjectivo daquilo que se passou ontem, com a falibilidade de quem gosta do seu clube, mas não percebe muito bem como a coisa se dá.

Os sistemas tácticos ontem apresentados pareceram-me oscilar entre o 4-2-3-1 e o 4-5-1, na primeira parte. A chave esteve sempre na mobilidade de Bueno, a dar excelentes sinais, num projecto que parece, definitivamente, dar guia de marcha a Ádrian Lopez (espero que o Casillas não fique amuado por isso…). Falta claramente entrosamento na equipa, nomeadamente à frente. Mas deu para perceber uma mobilidade tremenda de uma peça que, nesse sistema, deambula entre o segundo avançado e o médio criativo. Não sei se o projecto é para agarrar, mas talvez um 4-4-2 pudesse ajudar a converter melhor o 4-3-3 tradicional, onde o segundo avançado (Bueno) andassem ora entre a área, ora à entrada da mesma, para fazer o último passe, ou para rematar sem cerimónias – aí, sim, entre o 4-4-2 e o 4-5-1. Opiniões… Valem o que valem…

A frente esteve com um dinamismo curioso. Varela parece ter renascido, no empenho e naquele que era o homem decisivo do desequilíbrio nas transições entre a ala e a entrada da área. Não foi de grande ajuda ao sector mais recuado, mas também lá estavam em grande plano os laterais, com imensa intervenção. E quando o lateral não estava, lá vinham os camiões Imbula e Danilo Pereira. E que bem que estiveram ambos…

Tello mostrou mais do mesmo. Troca posicional; oportunidades deitadas ao lixo; muita atrapalhação com a redondinha; muita velocidade e pouco travão. Tello precisa, urgentemente, de rever a forma atrapalhada como se entrega ao jogo. O problema não está na dedicação, mas na maneira como se atira ao lance e ao “inventanço” quase como se fosse um adolescente aos saltos. Com o devido controlo, parece-me uma solução inultrapassável , nomeadamente como extremo, no 4-3-3, embora a ala seja um esconderijo curioso para a sua velocidade.

Quanto a André Silva, na média. Muita entrega, mas nota-se a pouca rotina e experiência. Muito móvel e muito prestável na ajuda aos companheiros, nomeadamente na recuperação de bola na zona avançada. Um jogador a ter em séria conta. Para mim, ao nível de Mitrovic (ou até melhor), mas sem o poder físico e os palcos deste.

Àbombakar esteve à sua imagem. Nada de espectacular, mas com entrega. Muito tempo de jogo e claramente a intenção de o explorar mais como avançado tendencialmente fixo, do que propriamente como um Jackson. Deste modo, a sua utilidade faça mais sentido no modelo táctico alternativo. É um jogador muito prático e que me agrada. Veremos como evolui, nomeadamente na vertente psicológica, até na eventualidade de ter concorrência ainda por chegar e que o arrede do onze inicial.

Nota excelente para as tiradas de Imbula. Bem… O homem é uma autêntica vassoura. E melhor que isso, é a capacidade incomum em transportar a bola, numa visão de jogo acima do normal. Bem superior a Herrera para a posição 8, já que recupera e faz o transporte com um pulmão e pujança taurinos, sem a mesma tendência a errar passes feitos, ou a inventar dentro de cabines. Os 20 minutos de jogo foram o bastante para perceber um titular claro, relegando as outras opções para outras posições do miolo, ou até mesmo para fora da equipa…

Tremendo esteve também Danilo Pereira. É muito interessante perceber como se comporta junto a Imbula num sistema de dois médios que destroem, constroem e distribuem e a quem incumbe fazer transporte ou desmarcação em passe. Foi muito interessante perceber a categoria com que o português lê o jogo e resolve de forma prática situações potencialmente perigosas, nomeadamente no apoio à defesa e em zonas recuadas do miolo

Sérgio Oliveira. Pá, vão desculpar-me, mas por mim, o meio-campo está fechado nas posições 8 e 6. Esqueçam Moutinho! Não daremos por falta dele, a não ser por capricho saudosista – até a mim, que tanto dele gosto… Este menino é extraordinário. Um problema: pilhas dos chineses. Aguenta meia-parte e pufff – e não, não é apenas pela pré-época. Sérgio Oliveira, para mim, é a solução perfeita para entrar nas segundas partes e resolver jogos. A lucidez do homem é tremenda, até ficar roto. Mas enquanto a tem, “minha Nossa Senhora!”. Alguém viu aquele passe para o Bueno, na cara do GR adversário!?

Rúben Neves… Menino, ontem ouvi um gajo que estava a ver o jogo dizer uma estupidez que não era assim tão estúpida: “Foda-se… Vais desaparecer da mesma forma com que apareceste!”. Calma com este processo, ok!? Depois da posição meritória em que se colocou, espero que tenha, agora, a maturidade para entender o contexto e aceitar uma certa secundarização na equipa principal, com hipotética passagem pela B. O Tomás Podstawsky deveria ir crescer para uma equipa de primeira liga e deixar que se assuma o projecto interessantíssimo que Lopetegui está a montar da base. (veremos é até quando teremos o treinador actual…). Um ou outro erro… Rúben continua pragmático no passe, mas num nível que não está abaixo, mas sim abafado pela qualidade superior dos jogadores deste ano (sim, eu sei que te custa, ó assobiativo, mas é a verdade!).

Evandro é certinho. É bom. É impecável. Mas falta-lhe algo que não é qualidade, mas que ninguém sabe explicar.

André André. Sem palavras. Talvez a razão pela qual me esqueci dos rumores recentes… Uma entrega pronta e inteligente. Passes a isolar; pulmão na marcação. Trouxe alguma velocidade ao meio-campo, bem como a tendência para jogar ao primeiro toque. Houve ali um período, entre o minuto 70 e o 75, e que se percebeu claramente o que virá a ser o FC Porto desta época. Rasgos de brilhantismo em passe, toque e desmarcação a fazer lembrar o FC Porto de Vítor Pereira em Guimarães, há três anos atrás. Não deverá ser opção primeira no onze por razões óbvias, mas é aquilo que o FC Porto precisa para acordar uma equipa a dormir ou acomodada às circunstâncias do jogo. E se evoluir como se espera, por que não a titularidade?

fcp duisburg

Mais atrás, devo ser sucinto, até porque não há muito a dizer…

Casillas demonstrou ontem o quão importante é ter um GR em quem se confia plenamente atrás da defesa praticamente ao mesmo tempo em que Fabiano demonstrava contra o Vitória SC o porquê de ter sido o bode expiatório (um deles, pelo menos). Já agora, grande equipa, ó Vitinho! Tu avisaste… A forma como a defesa foi adiantando linhas era curiosa, nomeadamente pelo minuto 20, em que havia dez jogadores do FCP para lá da linha de meio-campo a jogar em bloco adiantado e a abafar em pressão a equipa contrária, numa sucessão de oportunidades em que apenas faltou discernimento, sorte e um guarda-redes mais tosco do lado contráro (o gajo até era bom…).

Marcano é um patrão e futuro capitão de equipa. Maicon cortou lances importantes, mas continua a fazer-se com demasiada “vontade” aos avançados. Alex Sandro esteve muito confortável e confortado e Lichnovsky mostrou pouco, porque a segunda parte não deu mais do que para ver a desgraça que é o Indi em determinados lances. Talvez vê-lo como solução pós-Alex Sandro não fosse mau de todo, a avaliar pelo que faz na selecção dos Países Baixos…

A segunda parte reflectiu aquilo que deve ser um FC Porto 2015/16, mas adormecido e por resolver. Brahimi esteve monstruoso sem fazer muito, mas também esteve invejoso, num puxão de orelhas que é preciso dar a quem tem ego de saber o que vale, mas que mata tudo por não passar a bola no momento certo. É essa a razão que me leva a acreditar que seria um excelente 10, onde teria, necessariamente, de fazer o último passe. É claramente merecedor de destaque como o MVP do jogo.

capa o Jogo 19-07-2015

Hernâni marcou bem, não deslumbrou, mas é uma boa alternativa se aceitar evoluir entre o banco e os minutos parcos que terá. Adrian deverá estar fora da equipa por razões óbvias, se bem que deveria ter voltado a ser opção para fazer o que Bueno teve a oportunidade de fazer no primeiro tempo. Hélton seguro, mas também não havia grande coisa a fazer… a não ser limpar a porcaria que o Indi fazia e que obrigava a inexperiência do defesa chileno e de Ruben Neves a mostrar fragilidades que não são, necessariamente, as deles, por estarem fora das suas posições.

E pronto… Creio que não me esqueci de ninguém… Ou, espera lá! Não, não me esqueci… É que ia jurar que vi um gajo do benfas a correr de um lado para o outro na lateral e que até jogou bem, esforçado e solidário. O equipamento, afinal, é bem mais bonito do que parecia… Mas devia ser um fantasma

A resolver, a situação do 10. Herrera seria uma excelente solução. Veremos, até pelas demonstrações que já deu, nessa posição, pela sua selecção. Caso contrário, alguém chamará por ti, logo quando estavas a começar a perceber que o clube até é grande demais para as tuas aspirações e talento, ao contrário do que pensavas há três anos… E nós, claro, chamaremos por outro…

Perdoem-me tanta letra e tanto orgulho. A minha fasquia tem de baixar nestes momentos. Temos de avaliar o que interessa agora e não aquilo que gostaríamos que os putos fizessem já, como se estivessem a jogar a valer. Há um processo pelo qual teremos de passar e Lopetegui está a trilhar bem o caminho.

Veremos… e esperemos.

Imbicto abraço!


P.S.: Caramba! Esqueci-me dos laterais José Angel e Ricardo. Para mim, ambos com nota positiva, mas sem grande destaque. Ricardo continua com a tendência ofensiva excessiva, resultado da sua natureza e Angel continua a inventar demais quando sobe. Mais pragmatismo precisa-se!


Imagem de capa: Sapo

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5 thoughts on “Boas sensações – FC Porto 2 vs. 0 Duisburg

    1. Imbicto Jorge,

      Sim, de facto pode haver uma ou outra melhoria, mas continua a entrar de uma forma um pouco perigosa. Talvez tenhas razão, meu caro…
      Veremos também como vai acabar esta cruzada por um novo central. Ontem fiquei assustado com o Indi. Não sei se será da falta de competição, ou não, mas pareceu-me desastroso. Para além do mais, é difícil continuar a conviver com bolas paradas sem aproveitamento.

      Imbicto abraço!

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