Preciso de uma maxi anestesia

Imbicto leitor,

Que mundo é este?

Maxi Pereira foi oficialmente apresentado como reforço (tosse) do FC Porto. Estou a tentar acalmar-me para não dizer umas caralhadas bem mandadas. Por mil e uma verrugas, não é que o “mono” veio mesmo!!!???

Já não estou em fase de negação. Quero é uma anestesia e que me acordem quando disseram que o Moutinho e o Óliver ou o Gourcuff vêm mesmo. Só isso fará olvidar o que neste momento sinto de estupefacção e horror.

Nem sei como colocar as coisas com um certo discernimento, mas tentemos, em respeito à vossa compreensão e paciência!

Primeiro, a contratação de Casillas é muito particular. Já o expliquei e não continuarei a pisar uvas. Por isso mesmo é que, para mim, apenas um sinal de que um verdadeiro símbolo do clube regressará fará equilibrar os pratos da balança.

Segundo, o adepto consegue ser um bipolar estranho, descontextualizado e acéfalo. Especialmente quando diz tretas que nem sabe o que significam – seja no odiar por vir “apenas” dos vermelhos; seja por estar eufórico e achar que é um jogador de um mundo que desconheço.

Desportivamente falando

Maxi é um jogador médio com o factor trabalho em cima. O gajo trabalha muito, pá. Muito mesmo. Exagera, dá pau a valer. O gajo finje. O gajo aleija. O gajo é feio pa ´alho. E o melhor do pior, é que, muito provavelmente, Ricardo Pereira conseguirá jogar mais jogos do que é normal, a contar com a dualidade de critérios de sempre e com o modus operandi de sempre, também, por parte do uruguaio e de quem apita.

Em termos desportivos acrescenta, de facto, algo. Sejamos realistas: este indivíduo conhece o futebol português como poucos. Sabe jogar feio, com fato de macaco. É, a fazer valer por aquilo que fazia e pelo facto de ser profissional – como tantos gostam desta expressão conveniente… – um impulsionador de jogo, de vontade e de crença. É um jogador que fez acreditar aos rubros que, de facto, tinham importado a “mística”, o “jogar à” e o “adn” do FC Porto, conveniência esta que tem sido repetidamente verbalizada sem medos pelos do costume, como forma de açambarcamento e centrifugação característicos da máquina macrocéfala da capital.

Tem alguma técnica, especialmente no atiranço espectacular à piscina verde, sempre conveniente e querido pelos nossos árbitros, e tem garra. É facto. Mas terá ele essa garra cá? Não sei. Mas acardito. Alguma coisa hádes ter aprendido c´o mestre da chicla triturada.

Tem saber. O home sabe. Tem experiência. Sabe como Jesus joga. Sabe como o benfica joga. Saberemos nós se passará informações a alguém do que se passa cá dentro? Veremos. Até lá, é um jogador confiável.

Tem amigos que já fizeram o mesmo. Cebolla sabe o que é fazer isto. Sabe o que custa e sabe como soube bem.

Não tem grande verticalidade. Isso às vezes é bom, especialmente quando for à Luz jogar. Nenhuma pessoa com o mínimo gosto e consideração por um clube faria o que ele fez, da forma como fez.

Tem lata. Pois vai tentar calar-nos. O gajo tem inimigos em casa e fora, a partir de hoje. Isso motivará esta criatura por todas as razões e mais algumas.

Backstage

O FC Porto acaba de lança uma jogada táctica tremenda. Maxi é o símbolo do benfica. Maxi representa tudo o que o benfica é, especialmente para nós: joga feio, é impune, ri-se e provoca sabendo que nada acontecerá. Maxi fala como se deve em relação a nós.

O FC Porto destrói completamente o pouco equilíbio emocional que restava. O FCP destrói o balneário rubro. Lança dúvidas. Mostra que tudo é possível, mesmo quando tudo indica que o retorno do “balance of power” é inverosímil.

Aquele abraço nojento. Aquela cumplicidade provocadora. Aquele Antero… Acham que foi por acaso? De “ambos os dois”? Acham mesmo? Especialmente depois de tudo, mas tudo o que tentaram fazer com a imagem do CEO portista na última semana? Aquilo corrói; mata-os. A raiva naqueles espíritos será incontrolável por parte de quem perde dois símbolos para os dois maiores rivais.

Financeiramente

Ainda não percebi muito bem se o contrato é de três, de quatro…. Se quatro é o número de milhões a pagar por época… Não sei, não quero saber. Já me chateei demais com esta merda toda para pensar nisso. O mal está feito.

Podíamos até ter contratado alguém muito melhor, mais barato e com retorno. Mas o facto é que não há preço que pague os estragos que provocará.

A tese do desespero parece-me, no mínimo, rebuscada. Vejo, sim, uma forma de agir cinicamente pensada em vários tabuleiros. A ver vamos se terei, ou não, razão; se eles terão, ou não razão, uma vez mais.

O nº 2

Não. Não me cabe na cabeça. Isto parece ir contra tudo aquilo em que cremos. Toda a nossa forma de estar. Toda a nossa aposta na identidade interna e cultural de um clube que não é só bola.

Poderá ser uma manobra provocatória do NGP, com a certeza de que, uma vez mais, como antigamente, tinha razão. Pode ser, para nós, um acto que fará largar lugares anuais, rasgar cartões e camisolas. O facto é que lhe colocaram no corpo uma responsabilidade que vai para lá do tal “profissionalismo”. Trata-se de tornar aquilo que estava descontextualizado de lugar em alguém que é um dos nossos e sempre o deveria ter sido. E Varela? Acham que alguém vai continuar a pegar com ele!?


Pronto, já chega de tentar ser lúcido!

Eu, para já, estou enojado. Estou intratável e irremediavelmente frustrado. Dizer que vou deixar de apoiar a minha equipa é o mesmo que perder a razão quando me digo, assumo e amo, portista. É a minha pele que ali está. Vou estar sempre com eles, mesmo que não goste de alguém. É o conjunto. É a união, mesmo que haja peças ainda fora do seu lugar.

A tolerância será zero. Creio que estamos perante aquilo que promete ser uma das épocas mais gloriosas e atípicas de sempre, na nossa História. É preciso ler as entrelinhas. É preciso perceber o que se está a fazer para lá da emoção. Mesmo que nunca o venha a aplaudir, ou acarinhar. Mesmo que odeie tudo aquilo que representa, ainda. Que representou… mas que verei sempre estampado naquela fronha horrível que nem camisolas dá para vender (estou para ver isso, se os tens no sítio!).

O número dois. Aquele que está atrás do 1. O que trabalha e não dá a cara. O que carrega as bases. O que se assume de estatuto histórico. Nada é por acaso.

Esperemos, portanto, que seja o anticorpo de seringa que mata o anticorpo que temos em nós. Que seja a vacina que temos de levar. Nem que para isso doa. Doa muito… E deixe marca.

Até lá, continuo a odiar o que representas, sempre que te vir. A não ser que o hábito faça mesmo o monge e o consuma… Posso fingir, como tu, Maxi. Mas não esqueço. É que eu não sou do Porto por ser profissional. Sou do Porto por ser parte de mim. Por isso é que me sinto com estas coisas…

Imbicto abraço!

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5 thoughts on “Preciso de uma maxi anestesia

  1. Boa tarde,

    Em relação ao Maxi Pereira, do ponto de vista desportivo não será grande solução pois acho que não deverá terminar muitos jogos… O manto protector não era sobre o Maxi, mas sobre a instituição.

    Mas do ponto de vista estratégico foi uma excelente jogada… de mestre… tiro no porta aviões…

    Vamos ver como corre.

    Abraços

    Gostar

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