Barrosismo

Imbicto leitor,

Não. Não estou a falar de qualquer praxis política de um realpolitk qualquer, característico de um sujeito da área. Estou, em vez disso, a falar na praxis opinativa de um indivíduo que tem a palavra por entre três outros que falam igualmente de modo característico e pouco canónico, num painel sui generis e, quiçá, tantas vezes incompreensível…

Hoje resolvi dissertar acerca da concepção de “decência”, “ética” e “humanismo”, tentando entender as bacoradas cuspidas em fúria sonoramente etílica, acerca do mundo dos empresários, numa doutrina imaginada e plasmada em vídeo pelo defensor do clube supostamente associado às elites – seja lá o que isso for…

Surge esta reflexão no seguimento e como complemento de uma pertinente e incontornável declaração escrita do Imbicto e Universal Jorge Vassalo, no seu espaço e que, respeitosamente, achou por bem “não espetar a foice em seara alheia” – comportamento que, como já foi exemplo noutras “parladuras”®, Eduardo Barroso insistiu e investiu ostensivamente, em acto de violação respeitosa para com o ex-edil de Sintra.

Eduardo Barroso criou uma nova teoria: a teoria da discriminação selectiva conveniente (TDS). Esta TDS, mais do que uma espécie de designação automóvel – que tão bem se aplica a quem, no último programa, tentou, gratuita e descontextualizadamente demonstrar o seu conhecimento do meio – é uma variante do mal de que padece o clube horizontalmente verde-e-branco. Vejam lá que, para o Dr. Barroso, os empresários de jogadores não são mais do que “agiotas”; uma espécie de bandidagem que prolifera por aí, nomeadamente no Sporting, onde os inimigos e personas non gratas se multiplicam interminavelmente.

Esta TDS inventada pela conveniência do barrosismo é a mesma que afecta este clube liderado por Bruno de Carvalho: quando precisei, estava tudo bem; agora que estou em maus lençóis, está tudo mal.

Expressões como: “Se isto são os mercados, que se lixem os mercados!”. Ou antes: “Acho que estes investimentos são imorais”. Ou até: “Agiotas (…) que impõem regras que não são cumpríveis”. Pois não. Então, por que carga d´água as contratualizaram? Será o exemplo comparativo da Grécia o melhor indicador para fazer prevalecer uma opinião minimamente sensata, realista e aceitável? Enfim… Mais grego do que isto não há.

O barrosismo tem destas coisas. Destas e doutras, como é exemplo a soberba com que descredibiliza o moderador, Sousa Martins, obrigado a corrigir e a chamar a atenção de forma veemente o inventor do barrosismo. Como é exemplo ainda a mítica frase: “Deixe-me acabar!!!”, repetida uns decibéis abaixo, mas igualmente insuportáveis, imaginando que seria necessário superiorizar a sua voz à gritaria característica dos intervenientes dos programas da TVI e alter canais. Infelizmente, o déjà vu não passou do ensaio…

Eu, que não via este rincón de debate pseudo-desportivo há meses, resolvi ver o programa em diferido depois de ver alguns comentários estranhos no Twitter acerca da intervenção em resposta do jornalista Sousa Martins, em defesa da sua honra.

Ao ver o episódio, percebi que é preciso, portanto, acabar com os rendimentos gerados como mais-valia a favor dos empresários, pois são uma “vergonha”. Ora, vergonha é rasgar contratos. Vergonha é assumir que um jogador não tem representante/ intermediário que, legalmente, aconselha – bem, ou mal, não interessa puto – um jogador na tomada de decisão. Vergonha é recorrer a fontes (in)visíveis de financiamento, num comportamento que tem, em tudo, semelhanças com fundos, e assobiar para o lado, tendo um processo em andamento onde se quis queimar internamente tudo e todos. Vergonha é querer ganhar as coisas na secretaria por causa de uma competição miserável para a qual não teve competência suficiente dentro de campo.

Serrão, no meio dos disparates que me têm dito que diz sobre Lopetegui, tem razão: “quiseram fingir que eram ricos e a seguir quiseram rasgar contratos. Isto é ´valeeazevedismo´”. Pois aquilo que para o criador do barrosismo é agiotagem e aproveitamento da circunstância, para o Direito é um contrato, onde as partes dispõem livremente o seu conteúdo após discussão, acordo e intenção prévios e prontamente assinados com as respectivas cláusulas.

O problema no meio disto tudo é que esta gente não parece saber o significado da palavra compromisso. Vale tudo. E quando vale tudo, nem vale de nada; nem valem de nada; nem – como diz Serrão – “valeeazevedo“… E sempre em espera de uma expressão de desprezo sobranceiro, de cada vez que se sente que se está a perder o leme e a razão.

E assim vai o mundo… O do futebol, claro… Certo? Pois bem, ele assim o confirma, aqui abaixo, do alto da sua “ética”, “coerência” e “humanismo”, ao dizer há quatro anos atrás, no meio do calor da corrida eleitoral, que:

“O que os outros têm [fundos], também nós temos”

“Não interessa que sejam russos, que sejam chineses, que sejam angolanos… que seja lavagem de dinheiro”.

E como para bom entendedor meia palavra basta, para mau que fiquem as declarações acima…

Imbicto abraço!

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9 thoughts on “Barrosismo

  1. O curioso é que – e resolvi esperar pela tua crónica para escrever isto aqui – no Play Off se falou justamente nessa era dourada que o Dr Barroso falava: Manuel Fernandes ganhava muito menos do que António Oliveira, sendo que Fernandes tinha muito mais anos de casa e era capitão.

    Essa era a era dourada dos jogadores que não tinham contacto, não tinham horizontes, tinham era a manipulação de certa corja sulista.

    Evidentemente que não são nenhuns santinhos, alguns não estão a pensar nos atletas, mas esses ganham má fama. Obrigam os clubes é a fazer a alteração salarial correspondente.

    Que não convém muito ao zbordem.

    Abraço Azul e Branco,

    Jorge Vassalo | Porto Universal

    A sobranceria desse indivíduo é tal que, se fosse eu que me dou ao respeito – já me teria levantado e saído, à lá Rui Moreira.

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    1. Imbicto Jorge,

      Agora apanhaste-me a mim! Eu não vi o Play Off… Lá vou ter de dar um saltinho ao domingo passado para perceber isso.

      É bem verdade… Enquanto houver controlo do clube, vale tudo. Quando se fala nestas coisas, lembro-me sempre da diferença entre pais e empresários. Qual será a preferência do Dr. Barroso?

      Imbicto abraço!

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    1. Imbicto hmocc,

      Sinceramente, não sei. Pelo menos, em relação aos outros…
      Eu deixei de vê-los há praticamente um ano. Era demasiadamente humilhante – desde os 10 minutinhos da praxe da RTP à centralização da discussão nos dois dos arredores da capital, passando por “representantes” do FC Porto que, sinceramente, não entendo que raio de defesa fazem.
      Ainda assim, confesso que me sinto tentado de cada vez que o tema é polémico, ou de cada vez que começo a perceber alguma inquietação fora do (a)normal por parte das redes sociais (lá nisso são um óptimo barómetro). Lá sintonizo uns minutinho a ver qual é a pertinência e logo me vou, se não justificar a perda de tempo.
      É que, afinal de contas, tenho de perceber se devo, ou não, fazer a defesa “da minha dama”…

      Imbicto abraço!

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  2. No outro dia caí na palermice de ouvir o “Grandes Adeptos” no formato podcast. Asneira da grossa. Nem 2 minutos passaram sem nauseante verborreia. Nem dois segundos passaram para eu purgar o meu leitor MP3. Oxalá eu conseguisse fazer o mesmo com o meu diminuto cérebro, mas nessa altura já era tarde demais…

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