Quanto mais me batias, mais eu gostava de ti…

Imbicto leitor,

Acabou. A novela termina com um desfecho mais do que esperado. Veremos, agora, se a massa cai seca, ou se volta a cair às pinguinhas. E como acho que vai cair às pinguinhas, com sorte, ainda sairemos a ganhar mais com o negócio do que o esperado.

Se perguntassem a um portista em que clube apostariam como futura entidade pagadora de serviços de Jackson, aposto que mais de 50% referiria o Atlético. E não é por acaso…

O título do texto talvez sirva que nem boina a ambos: a Jackson e ao Atl. Madrid. Depois de um episódio que poucos olvidarão, envolvendo Paulo Assunção, seria tudo menos expectável que o FC Porto retomasse relações com o clube que carrega o símbolo da capital espanhola ao peito. Mas eis que o o “super empresário” Jorge Mendes entra em acção e faz retomar relações entre ambos os clubes que parecem mais intensas que nunca.

Hoje, o Atlético é uma espécie de predestinação de alguns dos melhores do FC Porto que, não tendo lugar no interesse dos dois maiores de Espanha, reconhecem neste Atlético reformulado e ressuscitado, mas a lutar com questões de tesouraria e de ´fair play´ desportivo, o lugar ideal para entrarem de imediato para o onze de uma equipa que luta pelos primeiros quatro lugares da La Liga, a competição, a par da Premier League, mais prestigiada do mundo, e para posições avançadas na Liga dos Campeões. É ainda um palco irresistível para alguém que queira ainda mais – seja a titularidade na respectiva selecção, ou seja entrar nas fileiras de um Real, ou de um Barcelona.

Jackson continua a seguir as pisadas de Falcão, talvez inconscientemente. Melhor marcador da modesta liga portuguesa durante três anos seguidos, onde o nível é baixíssimo, especialmente quando falamos em clubes que, contra o FC Porto, colocam dois ou três autocarros à frente da baliza. O grande obstáculo de Jackson foi sempre lidar com guarda-redes que faziam a exibição da sua vida contra o FC Porto e os golos cantados que falhava eram o espelho fiel disso, de um jogador que fazia sempre o mais difícil da forma mais bela e imprevisível.

cha cha cha

Desfrutar do futebol“, como diria o seu empresário, o Sr. Pompeo… Veremos… Mas não duvido que virá a ser um tremendo goleador, marcando até mais, num esquema táctico diferente, com um treinador demasiadamente endeusado e diminutamente especializado para aproveitar todas as potencialidades do colombiano.

Ambos nos bateram. Fosse com palavras, fosse com compras hostis, fosse com o estatuto da liga a que pertencem sem que o clube se compare, mas podendo ter o que nós não podemos manter. De ambos gostamos, pois se um deu tudo por nós em campo, levando em gloriosa missão a braçadeira, sem contestação alguma, o outro vai-nos dando a oportunidade de usufruir de jogadores relegados pela soberba, ou pela fartura de quem não tem a nossa cultura, ou organização de clube.

Talvez Jackson merecesse mais do que um post em que se funde com outro interveniente. Talvez Jackson merecesse isso e mais, muito mais. Merece, mas não o vou tratar com mais dignidade do que aquela com que tratou o FC Porto: sendo um profissional inolvidável, que lutou até ao limite das suas forças – o jogo no Allianz Arena é exemplo disso – pelo impossível; um homem extraordinário que nos deu muito, mas que sempre fez questão em tratar-nos como aquilo que somos: uma entidade patronal. E, assim sendo, de mim, com todo o profissionalismo, o meu obrigado, mas não te darei mais do que aquilo que nunca nos deste, um lugar especial, a não ser o dos números e da incontornável estatística com a respectiva estátua no museu e com Dragões de Ouro no bolso demasiadamente banalizados para me sentir ofendido com quem os recebe.

Já sei que serei criticado, mas é a minha forma de lidar, justamente e proporcionalmente, com quem assim lidou connosco e merecia muito mais. Porém, nós também teríamos merecido ouvir muito menos.

Serás para sempre lembrado como um dos maiores do FC Porto, aquele cujo privilégio de ver parecido poucos terão, cada vez menos. Com saudade, mas sem os laços de ser um de nós. Com saudade, respeito e admiração, mas sem calor, pois foi o FC Porto que teve Jackson como jogador e não Jackson que teve o FC Porto como clube.

Imbicto, respeitoso e saudoso abraço! Obrigado e boa sorte!

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9 thoughts on “Quanto mais me batias, mais eu gostava de ti…


  1. Talvez Jackson merecesse mais do que um post em que se funde com outro interveniente. Talvez Jackson merecesse isso e mais, muito mais. Merece, mas não o vou tratar com mais dignidade do que aquela com que tratou o FC Porto: sendo um profissional inolvidável, que lutou até ao limite das suas forças – o jogo no Allianz Arena é exemplo disso – pelo impossível; um homem extraordinário que nos deu muito, mas que sempre fez questão em tratar-nos como aquilo que somos: uma entidade patronal. E, assim sendo, de mim, com todo o profissionalismo, o meu obrigado, mas não te darei mais do que aquilo que nunca nos deste: um lugar especial, a não ser o dos números e da incontornável estatística, com a respectiva estátua no Museu e com Dragões de Ouro no bolso, demasiadamente banalizados para me sentir ofendido com quem os recebe.

    caríssimo “Velho”, reproduzo um parágrafo que sintetiza, na perfeição, aquele que também é o meu estado de espírito relativamente ao jogador em causa.
    estou-lhe grato pelos golos, alguns deles de belíssimo efeito, e por alguns momentos sublimes. contudo, não tenho memória curta, pelo que não esqueço nem perdoo, as muitas declarações à Imprensa a pedir mudança de ares.

    abr@ço forte
    Miguel Lima | Tomo III

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      1. eu tenho mesmo pena de os tempos correntes serem, de facto, outros. com a política desportiva praticada pelo nosso FC Porto a ser assente em ciclos de três a quatro anos por jogador (o bastante para o “lapidar”), cada vez mais somos encarados como um clube” trampolim “. esta é uma realidade que me/nos dói, enquanto adepto(s). e é o suficiente para que situações como a do Jackson não sejam meros casos isolados. e que equipas compostas quase em exclusivo com a” prata da casa” já façam parte do Passado.

        abr@ço
        Miguel Lima | Tomo III

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      2. Imbicto Miguel,

        Precisamente! Eu já abordei essa mesma transformação que é hoje realidade para quem ingressa no FC Porto, vindo de mercados americanos, por exemplo.
        Desta forma, torna-se complicado culpar com a mesma veemência os jogadores, ou os empresários. O caminho parece trilhado por outros e deixado para trilhar para eles, tendo como referência casos passados e a própria forma como a imprensa desses países aborda a chegada ao Porto de algum jogador, não tendo pudor em afirmar que é o melhor clube para ir para equipas ainda maiores.

        Bom, agora resta saber como descalçar esta bota… Para entrar, é sempre mais fácil. Já para sair…

        Imbicto abraço!

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