Sede de injustiça – quando o presente tem resposta no passado

Imbicto leitor,

Muito haveria a dizer quanto àquilo que se tem passado no último ano. Não será, ainda assim, alheia a consciência de que qualquer coisa de inexplicável vai descendo sobre a realidade. Um manto que, mais do que protector, recupera memórias negras, muito negras de tempos históricos recentes e, como sempre, mal resolvidos. E são mal resolvidos porque as massas não entendem nem querem entender aquilo que se esconde sob a espuma da percepção cognitiva.

Acabei de ler dois artigos que, se entendidos como matéria una e inseparável, encontram-se em coerência – lógica e cármica.

O primeiro, é já do incontornável Porto Universal. Não é a  primeira vez que o imbicto Jorge Vassalo toca no assunto ´simonástico´©. Não é a primeira vez que tem razão. Não é a primeira vez que com ele concordo acerca do personagem e da autêntica leviandade com que se abordam assuntos tão sérios. Cinco indivíduos: um comentador que parece uma experiência de Pavlov que espuma sempre que toca uma campainha chamada FC Porto; três representantes de cada clube, um para cada gosto, do emocional ao maquiavélico; um moderador que, dependendo dos dias, é mais ou menos competente.

O segundo artigo é ainda mais curioso, mas essencial para estabelecer as bases da conversação e da lógica do descarrilamento e da tentativa sofrível para fazer retomar a carruagem ao carril; um carril chamado: Pensamento único. Falo, pois, do Sporting Lisboa e Benfica, escrito no Do Porto com Muito Amor. Aqui, um texto serve de explicação lógica para contas de primária na interpretação estatística em favor dos mais distraídos – quatro quadriénios de ´oiro´, tendo sido o último interrompido pela quase competência do Calabote, seguindo a máxima que todos aprendemos em criancinhas do: três para mim, um para ti.

E por que razão encontrará esta minha mente maldosa motivo para um paralelismo? Simples: encaixando a tal lógica de pensamento único manipulada em favor de um “bem comum superior” no discurso de Simões. E não foi um acaso a invenção ´simonástica´©. Aquela pose… Aquela maneira de estar característica dos padres-políticos da segunda metade do séc. XIX (que se prolongou para lá das graçolas do Diogo Morgado…). Aquele peito aberto de braço regulado pela largura do ombro, assente em postura vertical e em queixo levemente elevado sempre que ataca a palavra. Aquela postura que só se altera – e com ela, o tom de voz – quando se fala em sucesso do Porto ou em suspeita sobre determinadas circunstâncias que envolvam os jogos do benfica e cuja resposta à acusação é uma espécie de: ´Custa, não custa?´. Ou de um: ´Nos últimos trinta anos fomos sempre roubados e agora…´. Aquela forma de estar enervante, sobranceira, extrema e cinicamente controlada numa espécie de válvula de pressão sedenta de raiva pronta a explodir.

2015-03-30-play-off

Os paineleiros do Play-Off (imagem “roubada” ao Porto Universal”)


Tudo isto é reflexo de uma tremenda sede. A sede de injustiça. A sede de ganhar a todo o custo, sem desmentir, respondendo com actos dos outros que se lhes imputa a todo o custo, mesmo quando a condenação recai sobre dois empates de uma equipa que limpou os mais importantes troféus que a contemporaneidade futebolística tem a oferecer ao mundo. A tal sede de injustiça que apaga e faz apagar vídeos inconvenientes, mas que descontextualiza numa espécie de verborreia com reflexo mental de sanidade fabricada e de justificação, ora frágil, ora inexistente.

Esta é a realidade à qual se aliam comentadores. Aqueles comentadores que acusam grave e genericamente com a força – que é tremenda – do “amén” popular e do senso comum que nunca é bom senso. Tudo isto esconde e lança poeira sobre o cerne. Tudo isto agrada à lógica do ´papas e bolos´, alegremente deixadas comer sobre qualquer cabeça que adore ser usada e abusada, numa lembrança que me dá da célebre cena (no alcance luso e espanhol do termo…) de Hannibal Lecter. É fruto da História, da imposição, da obrigatoriedade de pensar o que para si se pensou.

Capa Jornal Record - 21 de Fevereiro 2015

Capa do Record sobre as acusações de Bruno de Carvalho a Vieira na famosa “Liga Aliança”


Não me alongarei, pois os artigos são explícitos que baste. Ainda assim, a verdade é uma: a Liga Aliança esteve perto de ser reeditada. Com agentes diferentes, em tempos diferentes, quando nem a “democracia” (cujo termo não encontra melhor aplicação ao caso do que nas palavras de Churchill) é o bastante para deter a auto-determinação do homem.

É triste e revoltante, mas é a realidade. Cabe-nos apenas a nós combatê-la, com informação, atitude e reacção. E só assim se combate a sede de injustiça com o seu oposto.

Imbicto abraço!


P.S.: Se o ambiente ficou muito pesado para a tua pessoa, tens sempre este remédio:


Imagem de capa: Google

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6 thoughts on “Sede de injustiça – quando o presente tem resposta no passado

    1. Obrigado, Sr. ´alcoólatra´!

      Mais uma demonstração de azia deste género e o comentário fica-se pela censura da qual determinadas cores tanto gostam. Não há melhor resposta do que falar a linguagem de quem só se compreende no seu modus linguae 😉

      Um sóbrio abraço!

      Gostar

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